Saltar para o conteúdo

Abin nega envolvimento no escândalo dos Correios do Brasil

Fonte: Wikinotícias
Atenção
Atenção
Como parte da política de proteção do Wikinotícias, esta notícia está protegida.

Brasil • 21 de junho de 2005

Email Facebook X WhatsApp Telegram LinkedIn Reddit

Email Facebook Twitter WhatsApp Telegram

 

Três meses depois de negar que não era verdade que o Partido dos Trabalhadores (PT) tinha recebido uma doação em dinheiro das FARC para a campanha eleitoral do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) é novamente foco de atenções no escândalo dos Correios e nega as acusações feitas pelo deputado Roberto Jefferson, de ter algum envolvimento no caso.

Na edição número 1896 de 16 de março de 2005, a revista brasileira Veja publicou uma reportagem de capa em que afirmava que documentos da Abin mostravam que o Partido dos Trabalhadores (PT) tinha recebido para sua campanha eleitoral R$ 5 milhões das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC-EP).

Segundo a revista Veja, 3 documentos da Abin afirmavam que a doação tinha ocorrido. Segundo a reportagem da Veja, o anúncio da doação teria sido feito numa chácara nos arredores de Brasília pelo "padre" Medina, um representante das FARC no Brasil, durante um churrasco com outras pessoas, simpatizantes ou integrantes de partidos de esquerda. A realização da reunião foi confirmada pelos participantes, que negaram ter havido o anúncio da doação.

Após a publicação da matéria, a Abin negou a autenticidade dos documentos citados pela revista. Segundo o General Jorge Felix, um dos responsáveis pela Abin, os documentos citados faziam parte de um lote de documentos não autenticados e não autorizados pela agência, pelo fato de eles não se basearem em provas confiáveis.

O relato do general foi desmentido pelo agente da Abin que participou das investigações e pelo coronel Eduardo Adolfo Ferreira que trabalhou na agência. Segundo o coronel Ferreira, após a vitória de Lula, as investigações sobre as FARC na agência mudaram de rumo.

Em 14 de junho de 2005, O deputado Roberto Jefferson durante seu depoimento para a Comissão de Ética da Câmara dos Deputados disse que a Abin, controlada pelo Ministério da Casa Civil e sob o comando do então ministro José Dirceu, foi responsável pelas gravações das fitas dos Correios. As gravações envolvem Jefferson num esquema de corrupção na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Segundo Jefferson, a Abin, seguindo orientações do Ministério da Casa Civil, procurava de alguma forma incriminá-lo.

Em 16 de junho, o capitão reformado da Polícia Militar, José Fortuna Neves, disse para a Polícia Federal que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) estava a investigar a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, a pedido do Ministério da Casa Civil. Fortuna e outras pessoas foram detidas pela polícia brasileira, suspeitos de participar de supostas irregularidades na empresa dos Correios e de terem sido os responsáveis pela gravação da fita.

Fortuna disse para a polícia que a Abin e a Casa Civil queriam investigar a empresa multinacional de informática Unisys, a qual tem convênios com a presidência da República e com os Correios. Fortuna disse que o que se buscava não era investigar a alegada corrupção na estatal, mas fazer com que fosse interrompido o contrato com a Unisys.

Segundo algumas das informações produzidas pela imprensa, a polícia suspeita de que pessoas de dentro da Abin estariam a trabalhar para um grupo cuja principal função seria fraudar licitações em estatais e chantagear políticos e outras autoridades.

Quando o seu nome apareceu citado nas investigações da Polícia Federal, a Abin emitiu uma nota dizendo que não estava envolvida no escândalo, nem que estava sob investigação pela Polícia Federal. A agência disse na nota do dia 10 de junho que "houve uma falha de comunicação entre a Abin e o Departamento de Polícia Federal" que levaram "à interpretação errônea divulgada nas matérias" reproduzidas nos jornais. A nota disse também que a atuação da Abin "não pode ser confundida com participação de seus agentes nos fatos investigados".

Numa nova nota, emitida no dia 17 de junho, a agência afirmou que:

A Abin, como órgão integrante do GSIPR, não recebe, e não poderia ser de outra forma, solicitação ou determinação de qualquer outra estrutura ou autoridade que não sejam o Presidente da República e o Ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional.
Assim, carecem de fundamento matérias, entre outras, que indicam atividades irregulares da Agência, conhecimento prévio de fatos sem o devido encaminhamento aos escalões superiores e conseqüente falta de providências em tempo hábil por parte do Governo.

O Ministério da Casa Civil emitiu também uma nota negando que tenha orientado a Abin para investigar os Correios, como disseram o capitão Fortuna e Roberto Jefferson:

Em relação ao depoimento prestado por José Fortuna Neves à Polícia Federal em 16 de junho de 2005, a Casa Civil da Presidência da República esclarece que não determinou à Agência Brasileira de Inteligência, órgão subordinado ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, a realização de investigação sobre a empresa Unysis ou qualquer outra investigação, até porque isto não faz parte das atribuições da Casa Civil. São improcedentes, portanto, as menções à Casa Civil feitas pelo depoente.

Ver também

Fontes

Reportagem original
Reportagem original
Esta notícia contém reportagem original de um Wikicolaborador. Veja a página de discussão para mais detalhes.