Capitão confirma Jefferson e afirma que Abin investigou os Correios a pedido da Casa Civil

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17 de junho de 2005

Brasil

Em depoimento para a Polícia Federal brasileira, José Fortuna Neves, disse ontem, 16 de junho, que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) estava a investigar a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, a pedido do Ministério da Casa Civil. O deputado Roberto Jefferson (PTB) contou terça-feira para a Comissão de Ética da Câmara dos Deputados, que a Abin estava por trás do flagrante e da gravação da suposta conversa sobre suborno com Maurício Marinho, ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios.

José Fortuna Neves, detido pela Polícia Federal por esses dias, é capitão reformado da Polícia Militar de Minas Gerais e ex-agente do Serviço Nacional de Informações (SNI). Fortuna disse que o agente da Abin, Edgard Lange, também conhecido por Alemão, contou-lhe que o Ministério da Casa Civil, comandado pelo ministro José Dirceu, pediu para que a Abin investigasse os Correios. O relato de Fortuna para a polícia confirma parte das declarações que Roberto Jefferson fez para a Comissão de Ética, nesta terça-feira.

Fortuna disse que a intenção da Abin e da Casa Civil era investigar a empresa multinacional de informática Unisys, a qual tem convênios com a presidência da República e com os Correios. Segundo o capitão, procurava-se, pelo menos no início, não investigar a corrupção na estatal, mas fazer com que fosse interrompido o contrato com a Unisys.

José Fortuna Neves é suspeito de ter participado na na gravação que deu início às denúncias de corrupção nos Correios. Foram presos também: os detetives Joel Santos Filho e João Carlos Mancuso Vilela e o oficial da Marinha Arlindo Molina e o capitão aposentado José Fortuna Neves.

Segundo a Polícia Federal, Joel Santos Filho confessou que o custo da gravação da fita de vídeo sobre corrupção nos Correios custou R$ 5 mil. A fita mostra o o ex-diretor do Departamento de Contratação e Administração de Material da estatal, Maurício Marinho numa suposta negociação de propina a revelar que um suposto esquema de corrupção nos Correios estava a beneficiar o Presidente Nacional do PTB, o deputado Roberto Jefferson.

A polícia acredita que empresários estejam envolvidos na gravação da fita. Há a suspeita de que pessoas de dentro da Abin estariam a trabalhar para um grupo cuja principal função seria fraudar licitações em estatais e chantagear políticos e outras autoridades.

Segundo a Agência, a Abin ainda não se pronunciou sobre as novas denúncias e alegou que, segundo sua assessoria de imprensa, de que não teve acesso por enquanto ao depoimento do capitão Fortuna.

Em nota distribuída para a imprensa no dia 10 de junho e disponível em seu website, a Abin havia dito que uma falha de comunicação entre a Abin e o Departamento de Polícia Federal levaram "à interpretação errônea divulgada nas matérias" reproduzidas nos jornais. A nota disse também que a atuação da Abin "não pode ser confundida com participação de seus agentes nos fatos investigados".

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