Morre aos 74 anos, o transformista brasileiro Rogéria

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Rogéria em 2015

5 de setembro de 2017

Astolfo Barroso Pinto, mais conhecido no Brasil como transformista Rogéria, morreu na noite de ontem (4) aos 74 anos, após ser internado em um hospital na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, com infecção urinária.

Ele havia sido internado no dia 13 de julho em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Clínica Pinheiro Machado (com quadro de infecção urinária) no bairro Barra da Tijuca, e entubado na tarde do dia seguinte ao ser constatado pneumonia e tinha apresentado melhora, chegando a receber alta. Voltou ser internado em 8 de agosto no mesmo hospital, onde morreu.

Nascido de Astolfo Barroso Pinto, Rogéria era a mais antiga transformista em atividade no Brasil. Ao lado de travestis pioneiras do país, como Jane di Castro, Divina Valéria, Camille K, Fujika de Halliday, Eloína dos Leopardos, Brigitte de Búzios e Marquesa (morta em 2015), Rogéria foi homenageado pela atriz e diretora Leandra Leal no documentário Divinas Divas, premiado no Festival do Rio do ano passado. As atrizes se apresentavam no Teatro Rival, na Cinelândia (centro da cidade), que pertence à família de Leandra Leal há várias gerações.

Rogéria (Astolfo Pinto) nasceu em em 1943 em Cantagalo, no norte fluminense. Ainda na adolescência, homossexual assumido, Astolfo virou transformista e começou a trabalhar como maquiador, ainda com o nome masculino, na extinta TV Rio. Frequentava o auditório da Rádio Nacional. O nome Rogéria surgiu em 1964, quando venceu um concurso de fantasias no carnaval daquele ano.

Convivendo com atores na TV Rio, se sentiu estimulado a interpretar e estreou nos palcos em maio de 1964, em um show de travestis na Galeria Alaska, então reduto gay de Copacabana. Atuou em dezenas de shows, peças teatrais e programas de televisão, muitas vezes como jurada nos programas de Chacrinha, Luciano Huck e outros apresentadores, e participou de 11 filmes brasileiros.

Também atuou em novelas como Tieta (1989), Paraíso Tropical (2007) e A Força do Querer (2017), sua última participação na TV e, no teatro, recebeu o Troféu Mambembe em 1979 pelo espetáculo que fez ao lado de Grande Otelo (morto em 1993). Em 2016, foi lançada sua biografia, Rogéria, uma Mulher e Mais um Pouco, de autoria de Márcio Paschoal.

O corpo de Rogéria foi velado hoje (5), às 11 horas, no Teatro João Caetano no centro do Rio de Janeiro. Nas duas primeiras horas, a cerimônia foi fechada para parentes e amigos e em seguida, das 13 às 18 horas, o acesso foi aberto ao público. O enterro está marcado para amanhã (6), no município de Cantagalo, no norte Fluminense, cidade onde Rogéria nasceu.

Fontes

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