Cobertura da guerra feita por agências de notícias gera polêmica

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4 de agosto de 2006

A cobertura da guerra entre Israel e o Hizbollah é alvo de polêmica. Os jornalistas negam as acusações de alguns dos seus críticos que afirmam que a imprensa não faz uma cobertura justa, factual e precisa da guerra que abala o Oriente Médio.

Viés esquerdista?

Não é nova a crítica de que a grande parte da imprensa têm um comportamento que favorece posições liberais ou de esquerda. Entre os órgão de imprensa que costumam ser mais duramente criticados estão: a britânica BBC, os jornais americanos: The Washington Post, The New York Times, The Los Angeles Times e a rede de notícias CNN.

Pesquisas feitas pela Associação dos Editores de Jornal (ASNE) de 1988 e 1997, onde foram entrevistados 1037 repórteres demonstraram que 61% deles identificam-se como liberais ou democratas contra 15% que se definiram como republicanos ou conservadores [1].

A hipótese de favorecimento para posições liberais costuma ser negada por muitos jornalistas. Boa parte deles argumenta que ainda que possa ser verdade que suas posições estão mais à esquerda, o trabalho profissional é neutro.

Por outro lado, alguns conservadores argumentam que o viés na imprensa é bem visível e uma realidade. O website Discover the Networks traz um mapa de todos os órgãos de imprensa considerados por eles com claro viés político à esquerda.

Segundo o website, o viés esquerdista "não é resultado de uma enorme conspiração de esquerda, nem de encontros secretos de jornalistas para planejar como distorcer suas reportagens. O jornalismo diário freqüentemente e de forma inconsciente gera 'formas de pensar' que orientam toda a cobertura e permitem que apenas um lado do debate possa ser ouvido de maneira leal".

Cobertura anti-Israel?

As principais críticas vêm principal, mas não necessariamente, de grupos conservadores ou de alguma forma ligados a Israel.

As principais críticas contra a cobertura da mídia no conflito atual refere-se às suposições de que ela estaria favorecendo o Hizbollah, ao mesmo tempo em que estaria não só deixando de mostrar a versão dos israelenses, como apresentando o Estado de Israel como vilão e gerador de um conflito do qual inicialmente foi vítima.

Algumas dessas críticas dizem que:

  • a mídia destaca com grande estardalhaço as vítimas no Líbano e quase não menciona as vítimas do lado israelense.
  • a mídia não menciona o facto de o Hizbollah usar civis como escudos.
  • a mídia não destaca a ameaça Hizbollah na fronteira do Líbano para o Estado de Israel, principalmente a ameaça de ataque com seus mísseis.
  • a mídia aceita sem verificar a autenticidade qualquer informação contra Israel que parta do lado libanês, mesmo que a informação seja suspeita de ter partido da máquina de propaganda do Hizbollah.

Para Rachel Neuwirth, do American Thinker, "um grande segmento da mídia global está se comportando de uma maneira que tornam mais frequentes o terrorismo e os assassinatos em massa. Eles permitem e encorajam assassinos de inocentes ao fornecer propaganda para causas terroristas."

Greg Sheffield, do News Busters: "Se o 'massacre' israelense em Qana acontecer de ser mais uma outra fraude, pode contar que a mídia silenciosamente deixará a história cair no esquecimento, num contraste com os fogos de artifício de quando a história foi anunciada. Um simples 'nós estávamos errados' é muito mais embaraçoso do que esperar que todo mundo esqueça a febre inicial."

Tom Gross, do National Review, se expressou da seguinte forma: "Grandes segmentos da mídia internacional não estão só desinformando a respeito do atual conflito no Líbano. Eles estão também ativamente jogando lenha na fogueira". Suas críticas se dirigem principalmente para a BBC: "A BBC tem uma grande chance de ser o vilão número um. Ela soa como uma ferramenta virtual de propaganda para o Hizbollah."

A BBC também é alvo de críticas de Andrea Levin, do jornal israelense The Jerusalem Post'[2]':

"A cobertura anterior da mídia da agressão do Hizbollah contra Israel foi apresentada em geral na forma de causa e efeito, a agenda do grupo terrorista e o direito de Israel de remover a ameaça a seu povo. A BBC entretanto é uma freqüente exceção. O correspondente Nick Thorpe, por exemplo, numa reportagem veiculada em 15 de julho e também colocada no website: 'Becoming Israel's greatest enemy' (Tornando-se o maior inimigo de Israel) - optou por fazer jorrar violentas caracterizações da presente crise no Líbano, seguidas por distorções e planitudes anti-Israel."

E acrescenta: "Uma parte introdutória sobre o assaulto dos foguetes Katyusha ao norte de Israel, e os menos letais Kassams atingindo o sul do país, são relatados como uma fábula de criança".

A BBC é financiada pelo governo britânico através de uma taxa anual cobrada de todo mundo que tem televisão. Durante o governo da Primeira Ministra Margaret Thatcher aventou-se a possibilidade de privatizar a empresa, mas a idéia não foi adiante. Durante a Guerra do Golfo, alguns militares britânicos, disseram que a "a BBC ficava sempre do lado dos iraquianos".

Durante a eleição presidencial dos EUA em 2004 a BBC escolheu como seus comentaristas dois conselheiros do ex-Presidente Democrata Bill Clinton: Sidney Blumenthal e a ex-Secretária de Estado do Governo Clinton Madeleine Albright. Além deles a rede contou com a ajuda do milionário George Soros, conhecido por financiar causas esquerdistas, e do cineasta Michael Moore que notabilizou-se por ser um crítico radical do Presidente George W. Bush.

Na internet há pelo menos dois websites que apontam o que seriam reportagens imprecisas ou mal intencionadas da BBC: a BBC Watch e a Biased BBC.

Um comentário recente da Biased BBC diz que a BBC até agora não fez nenhuma reportagem sobre o facto de o Hizbollah usar civis como escudos, como por exemplo, fez a agência Reuters [3]. Todavia cita uma reportagem de julho de 2006 em que a BBC apresenta a denúncia de uma organização israelense —criticada por ter supostamente uma agenda política esquerdista— de que Israel supostamente estaria a usar palestinos como escudos humanos.

Independente da conclusão que possa tirar da atuação da mídia, na atualidade existe a impressão, compartilhada por pessoas que trabalham no ambiente jornalístico, que os jornais tradicionais perderam o monopólio da informação, o que aumenta a responsabilidade desses órgãos e a necessidade de eles melhorarem os mecanismos de transparência e a necessidade de se auto-policiarem.

Se os jornalistas não fizerem isso, lá fora há gente disposta a fazer.

A mídia na defensiva

Principais reportagens da mídia sobre os EUA, Israel ou árabes que geraram polêmica.

Em maio de 2005, a Revista Newsweek disse numa matéria que guardas americanos em Guantánamo jogaram o Alcorão no vaso sanitário para pressionar prisioneiros muçulmanos. Grupos radicais usaram o facto para atiçar muçulmanos de todo o mundo, que ficaram bastante revoltados. No Afeganistão houve uma violenta onda de protestos. Centenas de pessoas ficaram feridas e pelo menos 16 morreram. Dias depois a revista emitiu uma nota pedindo desculpas pela notícia e admitiu de que não tinha como dizer se a notícia publicada era falsa ou verdadeira.

No dia 27 de janeiro de 2005 a BBC noticiou que o Ministério da Saúde Iraquiano liberou uma pesquisa que dizia que 60% das mortes de civis iraquianos ocorridas entre julho de 2004 e janeiro de 2005 foram causadas pelas forças de Coalizão lideradas pelos EUA . Ao tomar conhecimento da reportagem, o Ministro da Saúde Iraquiano comunicou que houve uma má interpretação dos dados estatísticos. Ele disse que os dados da pesquisa não incluíam somente civis iraquianos mortos, mas que havia entrado na contagem um número significativo de terroristas mortos, inclusive não iraquianos, durante operações de combates, e que os números incluíam também as vítimas que não foram mortas pelos EUA e forças da Coalizão. A BBC retirou a reportagem do seu website e trocou por outra, comunicando o engano e pedindo desculpas para o público.

Em janeiro de 2005 a CBS News demitiu 4 funcionários, incluindo 3 executivos, por causa de uma reportagem de 2004 do programa 60 minutes sobre o presidente americano George W. Bush. A reportagem dizia que durante a Guerra do Vietnã, Bush recusou-se a comparecer a um exame médico e que a família intercedeu em seu favor. Os jornalistas diziam que tinham documentos escritos por um ex-comandante de Bush (falecido) para provar as alegações. Depois de 12 dias, a CBS admitiu que não podia provar o que tinha afirmado, nem a autenticidade dos documentos. Uma comissão independente para investigar o caso foi montada. A comissão concluiu que não era possível determinar a autenticidade dos documentos e que a CBS cometeu graves falhas jornalísticas. A CBS se retratou, pediu desculpas ao público e demitiu os funcionários responsáveis pela matéria. Mais tarde o programa foi cancelado por causa de uma queda na audiência.

Uma série de reportagens do New York Times revelaram em detalhes da investigação conduzida por autoridades americanas. Os supostos criminosos, que acreditava-se serem terroristas, foram alertados pela reportagem e puderam tomar precauções.

Mais recentemente provocou polêmica a reportagem de Nic Robertson para a rede de notícias CNN. O repórter admitiu que para fazer a história recebeu orientações de pessoas do Hizbollah. Ele se justificou dizendo que faz parte do trabalho jornalístico mostrar todos os lados da notícia e que dava para o público perceber o eventual viés da reportagem.

Referências