Reuters remove mais de 900 fotos de fotógrafo que usou Photoshop para retocar imagens da guerra

Origem: Wikinotícias, a fonte de notícias livre.
Ir para: navegação, pesquisa

7 de agosto de 2006

A agência de notícias Reuters nesta segunda-feira (7) começou a retirar de sua base de dados todas as fotografias do seu ex-fotógrafo free-lancer, o libanês Adnan Hajj. Hajj foi dispensado pela agência de notícias porque teria usado o programa de computador Photoshop, ou similar, em pelo menos duas de suas fotografias.

No mínimo 920 fotografias já foram removidas pela Reuters da sua base de dados. A decisão da agência teria sido estimulada pela descoberta de uma segunda fotografia, que segundo a Reuters, é suspeita de ter sido retocada com um programa de computador.

O link que apontava originalmente para uma página da Reuters com um slide show onde estavam fotografias de Hajj não funciona mais.

Algumas das fotografias de Adnan Hajj podem ser vistas por enquanto na internet, como por exemplo aqui.

Ao comentar sobre a decisão da Reuters em relação ao caso, o seu editor responsável Tom Szlukovenyi afirmou que a medida tomada pela agência é uma precaução e acrescentou: "Não há mais grave violação dos padrões da Reuters para nossos fotógrafos do que a deliberada manipulação de uma imagem. A Reuters tem tolerância zero para quaquer alteração de figuras e constantemente lembra seus fotógrafos, tanto os da equipe, quanto os free-lancers, desta rigorosa e inalterável política".

Uma segunda fotografia também é suspeita de ter sofrido retoques

A Reuters disse que uma segunda fotografia de Adnan Hajj é suspeita de ter sido alterada pelo software Photoshop.

A fotografia em questão foi originalmente publicada pela agência com a seguinte legenda: "Um caça israelense F-16 dispara mísseis durante um ataque aéreo em Nabatiyeh, ao sul do Líbano, 2 de agosto de 2006. (LÍBANO)"

As alterações nas fotografias da Reuters foram reveladas pelo blogger Charles Johnson, em seu website Little Green Footballs e pelo blog My Pet Jawa web log. Este último explicou que a segunda fotografia da Reuters não mostra mísseis, mas "flares", que são fogos usados pelos caças para despistar mísseis do inimigo guiados pelo calor.

Na fotografia original, o avião teria disparado apenas um "flare". Com o programa de computador, o fotógrafo free-lancer da Reuters, numa operação de copiar e colar, teria criado dois outros disparos de "flares", os quais foram chamados de mísseis na legenda da foto depois que ela saiu publicada.

Numa nota enviada aos assinantes de seu serviço de imagens, a agência anunciou que irá ser mais rigorosa com os fotógrafos que cobrem o conflito entre Israel e o Hizbollah e pediu desculpas. As fotos que foram removidas da base de dados não serão mais comercializadas pela empresa.

Muitas das fotografias do fotógrafo libanês foram usadas pela imprensa em jornais e revistas de vários cantos do mundo.

Referências

Fontes