Conflito entre Israel e Hizbollah aumenta a tensão no Oriente Médio

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17 de julho de 2006

Um confronto militar entre o grupo terrorista árabe Hizbollah e as Forças de Defesa de Israel que começou na quarta-feira passada (12) aumentou a tensão no Oriente Médio.

Na quarta (12), um grupo militar do Hizbollah raptou dois soldados de Israel em território israelense e fugiu para o Líbano.

Israel exigiu a libertação de seus soldados e realizou ataques de grande intensidade contra alvos estratégicos do Hizbollah localizados em território libanês.

O início do conflito

Hizbollah rapta dois soldados israelenses

Às 9h05 na hora local do dia 12 de julho (quarta-feira) uma facção militar do Hizbollah entrou 200 metros dentro do território israelense, na região próxima da aldeia de Zar'it (que fica perto da fronteira com o Líbano) e atacou com dois foguetes anti-tanque dois blindados Hum-vee das Forças de Defesa de Israel que patrulhavam a fronteira. Nesse primeiro confronto, segundo as Forças de Defesa de Israel, três soldados israelenses morreram e outros dois, mais tarde identificados como: Ehud Goldwasser e Eldad Regev, foram capturados e levados pelo Hizbollah até o Líbano.

O Hizbollah também disparou morteiros e foguetes de longo alcance 9k51 Grad contra as cidades israelenses de Shlomi, Zar'it e aldeias vizinhas. Foi noticiado que seis civis israelenses ficaram feridos pelo fogo da artilharia.

Ainda durante a manhã de quarta, as tropas e um tanque israelita Merkava Mark II iniciaram uma operação de perseguição e resgate que conduziu-os até o sul do Líbano. O tanque, em território libanês, colidiu contra uma mina feita com 300 kg de explosivos improvisados. Todos os quatro israelenses que estavam no tanque morreram.

Houve ainda um tiroteiro e um outro soldado israelense que tentava recuperar os corpos dos companheiros presos no blindado foi mortalmente alvejado pelo fogo pesado das forças do Hizbollah. Outros cinco soldados israelenses ficaram feridos. Um soldado do Hizbollah morreu.

As exigências do Hizbollah

O anúncio do resultado da campanha do Hizbollah foi motivo de celebração em um subúrbio de Beirute onde há grande concentração de simpatizantes do movimento. Para comemorar, houve tiros de armas para o ar e distribuição de balas (doces) para as crianças.

O Secretário-geral do Hizbollah, Xeique Hassan Nasrallah, elogiou a captura dos soldados israelenses e se referiu a ela como "o nosso natural, único e lógico direito".

Ele disse para repórteres em Beirute que os soldados israelenses foram levados para um lugar seguro, bem longe da fronteira e que o único modo para eles retornarem à sua pátria, seria por intermédio de uma troca com libaneses e outros árabes presos em Israel.

Segundo Nasrallah: "Em nenhum caso, nenhuma operação militar levará à libertação dos cativos. O único modo possível é através de negociações indiretas e então uma troca".

Nasrallah disse que não é a intenção do Hizbollah levar o Líbano à guerra. Porém ele declarou que seu grupo iria continuar a capturar mais soldados israelenses e que os ataques contra Israel são justificados.

Reações

A reação israelense

No mesmo dia (12 de julho), o gabinete do governo israelense fez uma reunião de emergência e aprovou o ataque contra instalações do Hizbollah e libanesas, sob a justificativa de acabar com a ameaça do Hizbollah no norte da fronteira. O governo de Israel também recusou as exigências do Hizbollah, assim como fizera com o Hamas que também raptara um soldado israelense na Faixa de Gaza há duas semanas e meia.

Em Jerusalém, Ehud Olmert, o Primeiro Ministro de Israel, culpou o governo libanês pelo seqüestro dos soldados. Olmert disse que o rapto foi "um ato da guerra" e recusou a proposta de troca de prisioneiros. Ele disse ainda que o governo libanês é responsável pela segurança dos soldados israelenses capturados e prometeu dar uma "resposta muito dolorosa e de grande vulto".

Segundo o porta-voz do governo, Mark Regev: "Deve ficar claro que o Hizbollah faz parte do governo libanês, eles são parte da coalizão governante, e o governo do Líbano é responsável e tem culpa pelo que aconteceu". E acrescentou: "Este é um ato de agressão internacional de um Estado contra outro".

Regev, sem especificar como obteve essa informação, disse também que uma unidade do Hizbollah está tentando transferir os dois soldados capturados para o Irã.

O Ministro da Defesa de Israel Amir Peretz disse que "o Estado de Israel se vê no direito de usar todas as formas que encontra e que precisa, e [para as Forças Israelenses] foram dadas ordens nessa direção."

O Chefe do Pessoal da Força de Defesa de Israel, Dan Halutz, disse ao Canal 10 de Israel para o caso de seus soldados não serem devolvidos: "voltaremos o relógio do Líbano para 20 anos atrás".

Gideon Meir, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, disse que "em nenhuma condição Israel irá negociar com o Hizbollah para colocar fim na crise".

As autoridades israelenses disseram ainda que esperam que o Líbano cumpra as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas e mova o exército libanês até o território ocupado pelas facções do Hizbollah.

A ligação do Hizbollah com o governo libanês

O Hizbollah é uma organização fundada em 1982 depois que Israel invadiu o Líbano. O Hizbollah é formado por vários grupos shiitas radicais libaneses e inspirado pelos sucessos da Revolução Iraniana. O grupo declara publicamente que seus principais objetivos são: a instauração de um governo teocrático no Líbano, a eliminação de todas as influências ocidentais na região e a total destruição do Estado de Israel.

Segundo os EUA e Israel, o Hizbollah recebe ajuda financeira e armamentos do Irã e da Síria, hipótese negada tanto pelos sírios quanto pelos iranianos.

A força política do Hizbollah e sua influência dentro do governo libanês tem aumentado ao longo dos últimos anos. No parlamento libanês, o Hizbollah e partidos aliados têm pouco mais de 20% das cadeiras, sendo que 18% (23 dentre 128) são exclusivos do Hizbollah.

O braço político mantém vários programas sociais, que incluem escolas e hospitais. O partido que é minoria no atual gabinete tem dois membros na coalizão de governação do Líbano.

A reação do governo libanês

O Líbano negou participação no seqüestro dos soldados israelenses e exigiu uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas para colocar em discussão o que chamou de "resposta agressiva israelense".

Depois de uma reunião de emergência, o governo libanês emitiu uma nota em que afirma que não foi informado sobre as intenções do Hizbollah e que ele não endossa as ações do grupo.

No documento foi citada a seguinte declaração do Primeiro Ministro Fouad Siniora: "o governo não estava ciente e não tem responsabilidade, nem endossa o que aconteceu na fronteira internacional".

Os ataques

O ataque de retaliação israelense

Israel convocou as forças da reserva, o que é indicativo do início de uma grande campanha.

O tenente-general Udi Adam do Comando do Norte disse que Israel não descarta o envio de forças militares para o Líbano.

Continuam também as tentativas para libertar um outro soldado capturado pelo Hamas, em Gaza.

Na quarta-feira (12) Israel começou a retaliar com ataques aéreos da Força Aérea. Ela destruiu pontes e outras construções no sul do Líbano.

Segundo um alto oficial das Forças de Defesa de Israel que não foi identificado o objetivo do ataque foi destruir postos avançados do Hizbollah e seus sítios de lançamento de foguetes, ainda que muitos deles estivessem localizados intencionalmento em centros urbanos povoados no Líbano, informação que foi negada por um funcionário libanês que não foi identificado.

No dia 13 de julho, jatos das Forças de Defesa Israelense bombardearam o Aeroporto Internacional do Líbano, nas proximidades de Beirute, o que obrigou o seu fechamento e com que todos os vôos fossem desviados para o Chipre.

Israel impôs um bloqueio aéreo ao Líbano e bombardeou a principal rodovia que liga Beirute a Damasco.

Israel também bombardeou a estação de televisão do Hizbollah, o canal al-Manar, perto de Beirute. Apesar do ataque a TV continua a transmitir a partir de uma outra localidade.

Israel ainda ameaçou bombardear redutos do Hizbollah que ficam nos subúrbios ao sul de Beirute.

O canal de televisão al—Manar, classificado pelos EUA como "meio de comunicação do Hizbollah" informou que pelo menos 55 civis foram mortos durante os primeiros ataques das forças israelenses. Segundo autoridades libanesas morreram 40 civis nos ataques aéreos israelenses desde quarta-feira (12).

O Hizbollah contra-ataca

O Hizbollah declarou um alerta geral de atividade militar e disse que tem 13 mil foguetes capazes de atingir cidades e instalações distantes ao norte de Israel.

Na quinta-feira (13) o Hizbollah conta-atacou através do bombardeio com foguestes 9k51 Grad as cidades israelenses de Nahriya, Safed e vilas próximas. Foi noticiado que os ataques mataram pelo menos dois civis e feriram mais de 29.

Os habitantes de Nahariya deixaram a cidade com medo de ataques futuros com o lançador de foguetes de fabricação russa Katyusha.

Os moradores da cidade israelense de Haifa estão sendo aconselhados a se proteger em abrigos anti-bombas. Cerca de 220 mil pessoas na região norte já estão nos abrigos.

O Ministro da Defesa de Israel Amir Peretz ordenou aos comandantes para preparar os planos de defesa para os civis e declarou lei marcial em toda a região norte do país.

O Hizbollah ameaçou bombardear Haifa, a terceira maior cidade israelense, se Beirute for atacada.

No sábado (15), os israelenses instalaram três mísseis anti-balísticos Patriot em Haifa, com a finalidade de interceptar e destruir possíveis mísseis disparados contra a cidade.

Ver também

Fontes