Presidente Lula concede entrevista e fala sobre a crise

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O Presidente brasileiro disse que o mensalão é "folclore do Congresso Nacional". Foto: Ricardo Stuckert/PR.

8 de novembro de 2005

Brasil

O Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista nesta segunda-feira (7) para o Programa Roda Viva da TV Cultura. Lula disse que não acredita na existência do mensalão e que muitas denúncias são feitas sem provas.

A entrevista de Lula, gravada, foi ao ar às 22h30 e marcou a milésima edição do programa Roda Viva. Os entrevistadores fizeram perguntas sobre a crise política brasileira e o mensalão.

Em relação ao episódio descrito pelo deputado Roberto Jefferson de que ele teria sido avisado por Jefferson sobre o mensalão e chorado, Lula disse que o encontro com o deputado ocorreu, contudo, se ele chorou, ninguém percebeu. Lula disse que depois que foi avisado pelo deputado pediu explicações a seus auxiliares e solicitou uma investigação, a qual não confirmou a denúncia, alegou.

Lula disse que não acredita na existência do mensalão. Para Lula o que houve foram práticas irregulares praticadas por algumas pessoas do seu partido, o Partido dos Trabalhadores (PT). Lula ainda insinuou que durante o Governo Fernado Henrique Cardoso houve práticas suspeitas de serem mensalão, mas que nada pôde ser provado.

Sobre o mensalão Lula disse: "Eu tenho certeza que não teve". E acrescentou: "Isso me cheira a folclore dentro do Congresso Nacional".

Para Lula Roberto Jefferson foi cassado porque não conseguiu provar a existência do mensalão. O Presidente disse que os deputados irão ser cassados por outros motivos, mas não por causa do mensalão, o qual chamou de fantasia. Lula declarou que Roberto Jefferson prestou um desserviço à nação brasileira. "Ele [Jefferson] motivou suspeições sobre todo mundo, sem provas. As denúncias só devem ser feitas se tiverem provas", disse Lula.

O Presidente explicou suas declarações feitas no pronunciamento à nação, quando disse que foi traído: "Me senti traído porque eu sei o quanto eu lutei por este partido. Alguns companheiros tiveram um comportamento que não se coadunava com o do PT. O dinheiro fácil nunca fez bem para ninguém na história da humanidade. Por isso eu acho que eu fui traído". Lula evitou citar nomes de pessoas que teriam se aproveitado de sua confiança.

Sobre a possibilidade de os partidos da oposição, entre eles o Partido da Frente Liberal (PFL), de entrarem com pedido de impeachment, Lula disse que o PFL não tem autoridade política para fazer isso.

O Presidente criticou as acusações que são feitas contra integrantes do seu Governo e declarou: "Eu só acho que as denúncias devem ser feitas se tiverem provas."

Lula defendeu o ex-Ministro José Dirceu e perguntou: "Qual é a prova que existe contra o José Dirceu?" "Eu sou defensor dele porque não sei qual é a acusação contra o José Dirceu. A tese original era de dinheiro público nas contas do PT e até agora não tem comprovação. Não posso dar essas denúncias como verdade, porque estaria cometendo uma injustiça", afirmou Lula.

E acrescentou: "Até agora, não vi nenhuma prova que mostre que o José Dirceu possa ser cassado". O Presidente deu a entender que não acredita que José Dirceu possa ser absolvido pelos parlamentares e declarou que seu ex-Ministro será cassado "por uma decisão política do Congresso Nacional".

O Presidente do Brasil comentou a denúncia feita há uma semana sobre o suposto financiamento de Cuba para sua campanha eleitoral em 2002. "Eu não posso acreditar que Cuba tenha passado dinheiro para campanhas eleitorais. Eu sei o 'miserê' que Cuba vive", disse Lula.

Quando perguntado sobre o caso do prefeito assassinado Celso Daniel, Lula disse que esta é uma história que aparece próxima das eleições. Para Lula, o caso já foi investigado, está encerrado e não há nenhum envolvimento de integrantes do Partido dos Trabalhadores. "A Polícia Civil de São Paulo e a Polícia Federal deram o crime como caso comum. Eu acho engraçado que, toda vez que chega perto de ano eleitoral, tentam transformar a vítima em algoz", disse o Presidente.

Sobre as declarações do publicitário Duda Mendonça -Duda disse para a CPI dos Correios que foi pago com dinheiro depositado em contas no exterior- Lula negou-se a comentar e disse que o publicitário é que deve dar explicações.

Quando perguntado sobre os recursos irregulares (caixa dois) usados na sua campanha à Presidência em 2002, Lula respondeu com uma pergunta: "E você acredita nisso?". Lula disse que o dinheiro irregular pode ter sido usado nas campanhas para prefeito, mas não na campanha para Presidente.

Lula disse que "nunca trabalhou tanto" desde que se tornou Presidente e justificou suas viagens internacionais. Segundo o Presidente, elas contribuíram para melhorar o desempenho da balança comercial. Lula também defendeu a compra do avião presidencial e ressaltou que ele é um bem pertencente à instituição da Presidência da República: "Esse país tem que se respeitar. Espero que a vinda do presidente George Bush tenha dado nova visão aos hipócritas. O avião não é meu. É do presidente da República".

Lula disse que ainda não sabe se será candidato à re-eleição para Presidente. Ele disse que será candidato se estiver convencido que pode fazer um bom governo: "Não decidi se vou sair candidato. Eu, em tese, sempre fui contrário a reeleição. Só vou sair candidato se tiver certeza de que terei um segundo mandato melhor que o primeiro. Acho que a reeleição não é um bom instituto".

Ontem o Programa Roda Viva da TV Cultura comemorou seus 19 anos ininterruptos no ar. Participaram do programa alguns dos antigos apresentadores: Rodolfo Konder, jornalista; Matinas Suzuki, diretor da rede de jornais Bom Dia; Roseli Tardeli, diretora-executiva da Agência de Notícias da AIDS e Heródoto Barbeiro, editor chefe e apresentador do jornal da TV Cultura e da rádio CBN.

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