No Brasil, defensores de Lula ressucitam discurso "do golpe das elites"

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19 de agosto de 2007

Brasil

Representantes do governo, do partido governista Partido dos Trabalhadores (PT), aliados e militância regiram à incipiente onda de impopularidade contra o Presidente Luis Inácio Lula da Silva e seu partido com a tese de que os protestos e a insatisfação de setores da sociedade brasileira seriam algum "plano orquestrado por setores da elite conservadora de direita". Militantes do partido, sindicalistas e até jornalistas com história de colaboração com o PT, PCdoB e outras legendas de esquerda adotaram o discurso do "golpe das elites".

Durante os momentos mais difíceis para o governo brasileiro durante a crise que se originou com o escândalo do mensalão, o discurso do "golpe das elites" foi usado várias vezes, de maneira semelhante como ocorre agora, para se contrapor às denúncias de corrupção que na época se abateram contra integrantes do partido governista. O acirramento da crise fez surgir em alguns momentos comentários sobre a hipótese de impeachment do Presidente brasileiro. Como nenhuma liderança dos partidos de oposição recorreu a este último recurso, e ao invés disso esses partidos preferiram limitar e controlar a crise, a ameaça de impedimento foi afastada assim como o discurso do "golpe", agora ressucitado.

O jornalista Paulo Henrique Amorim disse em seu blog no dia 06/08/07: "Faz parte da ideologia da elite branca (e separatista, no caso de São Paulo), que se expressa na mídia conservadora (e golpista), explicar a popularidade do Presidente Lula com a circunstância de a maioria dos brasileiros ser pobre e ignorante". E acrescentou: "Os abastados, a classe média emergente, os fregueses da Daslu, os letrados, os cultos, os ex-alunos e professores da USP não gostam do Lula".[1]

Paradoxalmente, no mesmo blog do jornalista foi publicado no dia 30/07/2007 um artigo da Professora da Universidade de São Paulo (USP) Marilena Chauí onde ela declara: "No plano político, a invenção da crise aérea simplesmente é mais um episódio do fato da mídia e certos setores oposicionistas não admitirem a legitimidade da reeleição de Lula, vista como ofensa pessoal à competência técnica e política da auto-denominada elite brasileira".[2]

A mesma professora da USP já dissera em 2006 em referência à crise do Mensalão: "a avaliação ética dos governos não possui critérios próprios de uma ética pública, e se torna a avaliação moralista das virtudes e vícios dos governantes. Isso atribuiu a corrupção ao mau caráter dos dirigentes e não ao problema das instituições públicas". [3]

O articulista Kennedy Alencar, do jornal de grande circulação Folha de S. Paulo e apontado como "golpista", escreveu em 25/08/2006 o artigo: "Lula faz um bom governo", onde disse: "Lula tem feito um bom governo. O Brasil não virou uma maravilha em quatro anos. Mas os mais pobres realmente foram beneficiados pelo controle ainda mais rigoroso da inflação e por políticas de descompressão social. A principal promessa de 2002 foi cumprida." [4]

Hélio Schwartsman, também da Folha, escreveu em 31/10/2002, durante a iminente vitória de Lula para o seu primeiro mandato: "Lula, até onde sei, também possui a notável qualidade de ser, como seu antecessor, o presidente Fernando Henrique Cardoso, um homem correto e digno. Isso é importante e faz diferença." Na época, o articulista da Folha ainda comparou a vitória de Lula à "vitória contra um preconceito". [5]

Durante a crise da Mensalão, vários artistas e intelectuais declararam apoio ao Presidente brasileiro. Lula teve encontro com professores universitários, artistas, escritores e intelectuais que declararam publicamente o seu apoio ao Presidente. Segundo a Folha de S. Paulo, durante a última, eleição professores universitários e intelectuais fizeram um abaixo-assinado com pelo menos 213 assinaturas de apoio à candidatura de Lula.[6]

Outro professor universitário, o pesquisador, jornalista e sociólogo da Universidade de Brasília (UNB) Venício Artur de Lima organizou o livro :"A Mídia nas Eleições de 2006" onde alega que os "jornalistas brasileiros estão contra Lula". Lima é pesquisador sênior Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da UnB e lançou o seu livro pela Editora Fundação Perseu Abramo, ligada historicamente ao partido governistas Partido dos Trabalhadores.

De acordo com o blog do jornalista Paulo Henrique Amorim:" Segundo Venício de Lima, no caso dos articulistas dos principais jornais e revistas brasileiras, a proporção de colunas favoráveis ao candidato Alckmin [candidato oposicionista derrotado na última eleição] em relação às colunas desfavoráveis ao candidato Lula é de quatro para um". [7]

A UNE (União Nacional dos Estudantes), que se diz representar os estudantes brasileiros e que é formada por vários universitários participou em 2006 de manifestações a favor do Presidente Luis Inácio Lula da Silva.

Entre os partidos políticos, a ex-senadora e liderança do partido de esquerda PSOL Heloisa Helena é a pessoa que há tempos realiza as críticas mais contundentes contra o PT e o Presidente Lula. Helena foi expulsa do PT em 2003 aparentemente porque não concordava com as decisões do partido e por pregar abertamente soluções mais radicais e mais à esquerda. Paradoxalmente, Helena declara que é Lula quem "defende os ricos e elite". "Ele fala aos pobres, mas de fato governa para o capital financeiro e para os banqueiros brasileiros", disse Helena que também já chamou Lula de "bandido" e de se "lambuzar quando chegou ao poder, arrancando aplausos entusiasmados dos estudantes".

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Fontes