Italiana libertada acusa os EUA

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9 de março de 2005

A jornalista italiana Giuliana Sgrena que foi libertada no início deste mês pela organização Jihad Islâmica, sugeriu que não foi nenhum acidente o fato de os soldados dos Estados Unidos da América terem atirado no seu carro. O incidente causou ferimentos não graves na jornalista e resultou na morte de um oficial do serviço de inteligência italiana que a acompanhava.

O jornal London Observer reportou:

Sgrena disse a colegas que o veículo não viajava em alta velocidade e já tinha passado por vários pontos de verificação em seu caminho em direção ao aeroporto. Os americanos dirigiram um facho de luz na direção do carro e logo depois começaram a atirar entre 300 e 400 balas de um veículo blindado. Antes de pedir imediatamente por ajuda para os italianos feridos, o primeiro movimento dos soldados foi confiscar as armas e telefones móveis deles, além de eles serem impedidos depois de entrar em contato com Roma por mais de uma hora.

Os militares norte-americanos refutam essa declaração e argumentam que se o fato narrado pela jornalista tivesse ocorrido da forma como ela descreveu, o carro teria sido totalmente destruído.

A Associated Press e o canal de televisão italiano RAI TGI disponibilizaram imagens do carro após o alegado ataque:[1], [2]. As imagens mostram um automóvel bem pouco danificado.

Sgrena disse ainda durante uma entrevista para o canal italiano La7:

O fato de os norte-americanos não desejarem negociar a libertação de reféns é conhecido. O fato de eles fazerem de tudo para prevenir a adoção desta prática para salvar as vidas das pessoas mantidas reféns, também todo mundo sabe. Logo, eu não vejo porque eu não haveria de ser um alvo.

Os militares dos EUA não negam ter disparado contra o carro da jornalista. Eles explicaram o acontecimento através do seguinte comunicado:

Por volta de 21:00 [18:00 GMT], uma patrulha em Bagdá ocidental observou o veículo que se aproximava em direção ao seu ponto de verificação e tentou avisar o motorista para parar através de sinais feitos com as mãos e braços, acendendo luzes brancas, e disparando tiros de aviso na frente do carro. Como o motorista não parou, os soldados atiraram na parte do motor, o que parou o veículo, matando um e ferindo outros dois.

Já ocorreram no passado ataques de carro-bomba suicida contra patrulhas americanas. Em 4 de dezembro de 2004, por exemplo, dois veículos cheios de explosivos detonaram próximo a um posto de inspecção nas redondezas da Zona Verde, em Bagdá, e provocou a morte de 16 pessoas e feriu dezenas de outras. No dia 13 de dezembro, outro carro explodiu em Bagdá, perto de um posto de verificação e matou 13 pessoas.

Sgrena foi mantida prisoneira durante um mês pelos rebeldes iraquianos. Ela trabalha para o jornal comunista italiano Il Manifesto, fundado pela antiga líder da Juventude Comunista Luciana Castellina. Tanto o jornal, critico e ferrenho opositor do governo dos EUA, quanto a jornalista se opuseram abertamente desde o início às operações norte-americanas no Iraque.

Ver também

Fontes