Ex-amante do Rei Juan Carlos da Espanha envolve Casa Real em mais escândalos

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21 de agosto de 2020

A situação da Casa Real da Espanha (Casa de S.M. el Rey em espanhol) é cada vez mais dramática. Não bastasse a fuga do país do Rei Juan Carlos - que está nas Arábias - para evitar correr o risco de ser processado por corrupção, sua ex-amante Corinna Larsen concedeu uma entrevista exclusiva para a BBC espanhola onde contou detalhes sobre a atuação do serviço secreto espanhol (CNI) contra ela com o conhecimento da Casa del Rey.

Segundo Corinna, esta perseguição começou depois do Caso Botsuana em 2012 - o então rei, presidente de honra da ONG de defesa da vida animal WWF, caçava elefantes em Botsuana quando caiu e quebrou o quadril. Levado às pressas para a Espanha, as fotos vazadas pela imprensa mostraram que ele estava com Corinna durante a viagem para a África - quando o CNI começou a vigiá-la supostamente para protegê-la da imprensa. Ela relatou que o serviço invadiu seu apartamento em Mônaco e que recebeu diversas ameaças de morte anônimas, algumas delas fazendo referência às circunstâncias da morte da Princesa Diana.

Esta também foi a primeira vez que Corinna falou e admitiu publicamente a relação extraconjugal com Juan Carlos. E a história não para por aí: ela disse para a BBC que o rei teve várias outras amantes e que havia sido apaixonado por ela. Detalhou que a relação dos dois chegou ao fim logo após ele a pedir em casamento em 2009, quando ele havia revelado que, além dela e da esposa, a Rainha Sofia, tinha outra mulher. "Fiquei devastada, porque não esperava por isto", disse.

Outra de suas revelações polêmicas é que o rei lhe havia doado 76 milhões de dólares como um pedido de desculpas pelo acosso que sofreu e também como forma de presenteá-la, já que não poderia nomeá-la em testamento. "Creio que o fez para demonstrar o quanto signifiquei para ele", disse à BBC.

Juan Carlos saiu escondido do país no início deste mês, quando investigações sobre sua fortuna secreta de 100 milhões de dólares foram intensificadas pela Justiça espanhola e da Suíça, onde ele mantinha algumas contas.

Indignação no país

Entre os anos de 2012 e 2014, no auge do Caso Botsuana, a monarquia espanhola havia perdido muito prestígio, com a aprovação do então rei estando abaixo dos 50%. Este foi, segundo analistas, um dos motivos da abdicação de Juan Carlos.

Depois de vazarem os detalhes do dinheiro secreto de Juan Carlos em março passado, a monarquia voltou a estar "em xeque" e milhares de espanhóis pedem que os 100 milhões de dólares ilegais sejam doados ao sistema de saúde, que passa por uma grave crise devido a pandemia de Covid-19 - a Espanha é um dos países mais afetados. Além disto, o atual monarca, o Rei Felipe, também vê seu reinado ser atingido: recebeu, em abril passado, apenas 4,8 pontos de aprovação, numa escala de 0 a 10, a mais baixa em vários anos. Para fins comparativos, em janeiro de 2018 sua média de aprovação havia sido de 7,3.

Os escândalos recentes da realeza espanhola

  • 2011: no final deste ano, Iñaki Urdangarin e sua esposa, a Infanta Cristina, filha de Juan Carlos, começam a ser investigados por corrupção, no depois chamado Caso Nóos;
  • 2012: o Rei Juan Carlos caça elefantes em Botsuana, quando cai e quebra o quadril - o que fez a imprensa esmiuçar suas ações, vazando fotos do rei com Corinna durante esta viagem;
  • 2014: Inãki e Cristina são imputados no Caso Nóos, sendo os primeiros membros da Família Real espanhola a serem acusados de um crime;
  • 2014: pressionado pelos escândalos, Juan Carlos abdica do trono;
  • 2017: Cristina é absolvida no Caso Nóos e Iñaki, condenado à prisão;
  • 2018: Inãki, depois de recorrer da sentença, passa a cumprir a pena de prisão, se tornando o primeiro membro da Família Real espanhola a ser preso;
  • 2020: Juan Carlos sai secretamente da Espanha em 03 de agosto. Dias depois uma foto é vazada pela imprensa, mostrando sua chegada nos Emirados Árabes. A Casa Real confirmou seu paradeiro em 17 de agosto. Antes o Governo havia dito que o local não seria revelado.

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