Covid-19: Bolsonaro conversa com Putin sobre compra da vacina Sputnik V

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6 de abril de 2021

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O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, telefonou esta tarde para o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para conversar sobre a vacina Sputnik V, cujo relatório final sobre a fase 3 dos testes clínicos ainda não foi divulgado. A vacina, no entanto, está em uso em diversos países, como na Argentina.

"Os presidentes Putin e Bolsonaro discutiram a aquisição e produção pelo Brasil da Sputnik V", anunciou o Centro Gamaleya no Twitter oficial Sputnik V.

No Brasil, o imunizante será produzido pela empresa farmacêutica União Química, que já tentou diversas vezes a liberação para uso emergencial junto à Anvisa, pedido negado sempre, justo, pela falta de dados. A empresa, inclusive, já está com um lote do imunizante pronto desde o dia 30 de março, reporta o G1.

Pressão empresarial?

No Brasil, a vacina está na mira de empresários que pretendem comprar o imunizante para vacinar familiares e funcionários com o objetivo de manter seus negócios funcionando plenamente, sem o medo dos lockdowns decretados a nível estadual e que obrigam o fechamento de atividades consideradas não essenciais.

Inicialmente, numa lei aprovada há cerca de um mês, a compra só seria permitida se o total das vacinas compradas fosse doada ao SUS até que os grupos prioritários estivessem vacinados, mas por pressão dos empresários, que o Estadão chamou de "forte lobby", o presidente da Câmara, Arthur Lira, pode voltar a debater o assunto no congresso.

Atualmente, nenhuma vacina está sendo vendida no mundo que não seja para governos a fim de dar acesso equitativo aos imunizantes.

Anvisa ignorada?

Segundo o Estadão, também há uma pressão no Congresso para que os imunizantes possam ser comprados sem aprovação da Anvisa, desde que já tenham aprovação de órgãos semelhantes de outros países, estes por sua vez aprovados pela OMS.

A possível decisão de tirar o poder da Anvisa na aprovação da compra das vacinas, no entanto, não agrada a todos. Ao Estadão, o médico, advogado sanitarista e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) Daniel Dourado, disse que "o Estado brasileiro não pode delegar isso a uma autoridade estrangeira. É como se dissesse que a Anvisa não serve para nada, que se autorizou em outro país, é suficiente. É um 'drible da vaca' na Anvisa. Uma solução legislativa é péssima".

Em seu Twitter, Dourado continuou: "além do absurdo da vacinação privada em fila paralela no meio da pandemia, os parlamentares bolsonaristas ainda querem dar um drible da vaca na Anvisa. É inconstitucional. O Estado tem o dever de controlar e fiscalizar medicamentos. Não pode delegar para agência estrangeira" e que "a justificativa de que as vacinas a serem compradas pelas empresas não viriam para o Brasil se não fossem compradas por elas é mentira. As farmacêuticas negociam apenas com governos. O governo não tem a opção de não comprar. Se tem vacina disponível, é obrigação comprar".

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