Comandante do Khmer Vermelho morre aos 82 anos

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21 de julho de 2006

Ta Mok, também conhecido como "Açougueiro", comandante militar do regime do Khmer Vermelho que aterrorizou a população do Camboja nos anos 1970, morreu nesta sexta-feira (21) num hospital militar em Phnom Penh. Ele era um dos réus em julgamento por um tribunal internacional das acusações de genocídio e crimes contra a humanidade cometidos durante o regime do Khmer.

Ta Mok estava preso desde 1999 e foi recentemente transferido ao hospital da prisão porque sofria de pressão alta e tuberculose. O homem de 82 anos entrou em coma há uma semana e morreu nesta sexta de causas naturais, "devido a sua saúde precária e problemas respiratórios," segundo um médico contou para a agência Reuters.

O verdadeiro nome de Ta Mok é desconhecido, mas segundo dizem pode ser: Ek Choeun ou Oeung Choeun. Ele juntou-se ao Khmer Vermelho depois de ter tomado parte dos movimentos de resistência contra os japoneses e os franceses, até ascender ao posto de chefe de pessoal do grupo maoísta. Acredita-se que ele tenha comandado as execuções durante a época do Kampuchea Democrático. Estima-se que aproximadamente 1,7 milhões de pessoas foram torturadas e mortas nos chamados "campos da morte", o que valeu-lhe a alcunha de “açougueiro”. Depois da queda do regime, ele continuou a liderar uma facção, até ser capturado pelas forças cambojanas em 1999.

Com a morte de Ta Mok agora resta só um comandante do Khmer Vermelho vivo para enfrentar o julgamento: Kang Kek Leu ("Duch"), o chefe do centro de interrogatório Tuol Sleng S-21. A maior parte dos outros membros do Khmer que estão vivos está também com saúde precária. O principal líder do Khmer Vermelho, Pol Pot, morreu em 1998 supostamente de causas naturais, sem ter sido julgado.

O facto de restarem poucos líderes do Khmer Vermelho vivos e a maioria estar muito velha levantou a questão sobre a demora em se instaurar um tribunal. Os julgamentos dos réus do antigo regime comunista são conduzidos por um tribunal especial criado pelo Camboja, com o apoio das Nações Unidas.

Um porta-voz do tribunal, Reach Sambath, disse sexta-feira que "uma fonte valiosa de informação" também já faleceu.

Youk Chang, diretor do Centro de Documentação do Camboja, que estuda os crimes cometidos pelo Khmer Vermelho, disse que a morte de Ta Mok foi "ultrajante". "Algumas pessoas podem estar felizes com isto,” ele disse para a AP, “mas não as vítimas que estiveram esperando pela justiça durante um longo tempo,"

Morm Mol, sobrinho de Ta Mok, disse que ficou "triste" com a morte do tio.

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