COVID-19: governo brasileiro cria estratégias para evitar a divulgação de dados negativos

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6 de junho de 2020

O governo brasileiro adotou diversas medidas esta semana, quando houve três recordes de mortes diárias e quando o país assumiu o 3º lugar no ranking de mortes da JHU, para atrasar ou evitar a divulgação - ao menos antes dos telejornais noturnos diários - do número diário de óbitos: a primeira medida foi não divulgar os dados em "Últimas notícias" no website do Ministério da Saúde (MS), a segunda, divulgar os dados somente pelas 22 horas da noite, e ontem, para finalizar, divulgar a notícia no website do MS somente às 22h52 e tirar do ar o site especial sobre a pandemia, o Covid Brasil, que aparece com o aviso "Portal em manutenção" até agora, às 10 horas da manhã de sábado.

O website Portal da Transparência também havia "saído do ar" durante a noite, segundo comentários de internautas no Twitter, mas na manhã deste sábado, ao menos, está funcionando normalmente.

As críticas às medidas não se fizeram esperar e o assunto virou tópico-tendência (topic trend) no Twitter. Um usuário da rede social, o professor e jornalista Lucas Rohan, escreveu:

"Ações dos militares do governo contra o coronavírus:

- Impedir divulgação de mortes suspeitas pelo Registro Civil

- Ignorar dados de estados para reduzir o total diário

- Atrasar dados para fugir de telejornais da noite

- Tirar do ar o portal Covid Brasil

- Recontagem de mortes"

Desde que o militar por formação Eduardo Pazuello assumiu a chefia do MS, além da rápida aprovação do chamado "Protocolo da Cloroquina", o tratamento dado às informações sobre o coronavírus no Brasil vinha sofrendo alterações na tentativa de mostrar a pandemia mais "positivamente". A primeira delas foi não anunciar o número de novos casos e mortes no título, mas sim escrever estes dados apenas no final do texto. O MS, também passou a não transmitir um boletim diário no Facebook e a divulgar a notícia diária com as atualização no website da pasta cada vez mais tarde.

Todas as medidas adotadas pelo MS têm aval do presidente Jair Bolsonaro, que costuma minimizar a pandemia, tendo já a chamado de "gripezinha", e que insistia na aprovação do "Protocolo da Cloroquina", medicamento que defende como cura para a COVID, dado que, no entanto, é contestado por associações médicas brasileiras e até a OMS, que continua fazendo testes com a substância.

O presidente brasileiro também sempre se mostrou contra o isolamento e distanciamento social, na tentativa de proteger a Economia, estratégia que ontem foi criticada pelo presidente americano Donald Trump, de quem é aliado. Trump disse ontem à tarde que se tivesse adotado a estratégia do governo brasileiro, os Estados Unidos já poderiam ter 2,5 milhões de óbitos por COVID.

Segundo o MS ontem, o Brasil teve entre os dia 04 e 05 de junho 30.830 novos casos confirmados de COVID e 1.005 novos casos fatais.

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