Suspeitas de "armação" do Hizbollah pairam sobre incidente em Qana

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2 de agosto de 2006

No domingo (30 Jul), depois de um ataque israelense um prédio de três andares em Qana ruiu e causou a morte de 56 pessoas, entre elas 37 crianças, disseram autoridades libanesas. Surgem agoram dúvidas sobre até que ponto a tragédia ocorrida em Qana foi real ou falseada por simpatizantes do Hizbollah para forçar a comunidade internacional a pressionar Israel a suspender os seus ataques. Este caso está sob forte discussão principalmente na comunidade weblog.

O ataque contra o vilarejo de Qana ocorreu entre a meia-noite e a madrugada do domingo. As Forças de Defesa de Israel justificaram o ataque dizendo que mais de 150 foguetes foram disparados a partir de Qana nos últimos dias.

Cerca de oito horas depois, o edifício ruiu e ele teria soterrado os seus moradores. A diferença de tempo entre o ataque israelense e o desabamento do prédio levantou uma suspeita. Uma hipótese que pode explicar essa diferença de tempo é que o prédio ficou abalado depois das explosões das bombas e levou algumas horas até perder a sua sustentação.

Todavia, o General Amir Eshel, da Força Aérea Israelense, levanta dúvidas até para o caso de esta última hipótese ser verdadeira: "É difícil acreditar que eles [as vítimas] esperaram oito horas antes de evacuar o prédio."

Os civis não só permaneceram no prédio como foram encontrados dormindo, é a conclusão de quem observa os corpos apresentados como sendo das supostas vítimas do desabamento. As Forças de Defesa de Israel levantaram a hipótese de que o próprio Hizbollah poderia ter causado a explosão do prédio 8 horas mais tarde.

O incidente em Qana foi bastante explorado pelo Hizbollah e simpatizantes para pressionar por um cessar-fogo e recuo das Forças de Defesa de Israel. O Irã acusou os EUA e Israel e chamou o incidente de "crimes contra a humanidade", além de criticar o Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O Ministro das Relações Exteriores do Irã disse: "Os EUA e os apoiadores do regime sionista são indubitavelmente reponsáveis por esta catástrofe terrorista selvagem".

A notícia inflamou os ânimos, minou o apoio de Israel e dos EUA entre os árabes e foi explorada pelo Hizbollah, por iranianos e sírios. Na segunda-feira (31), os principais websites árabes de notícia como a Al Jazira colocavam fotos das vítimas sendo resgatadas dos destroços do edifício. Num jornal da Arábia Saudita, o Arab News, a manchete era: "Israel massacra crianças".

O incidente também estimulou violentos protestos contra instalações das Nações Unidas na Faixa de Gaza e no Líbano. Já no domingo, em Beirute, aos gritos de "Nasrallah [líder do Hizbollah], nosso amado, destrua, destrua Tel Aviv" manifestantes foram até a sede das Nações Unidas na cidade, onde quebraram janelas e queimaram uma bandeira da organização. Na Faixa de Gaza, manifestantes apedrejaram as instalações do Coordenador Especial das Nações Unidas (UNSCO).

Quem é o sujeito do capacete verde?

Uma questão que tem sido muito debatida é a aparente e suposta inconsistência de algumas fotografias divulgadas pela imprensa mundial.

No weblog EU Referendum, o autor discorre sobre um suposto integrante da defesa civil ou da Cruz Vermelha que aparece em quase todas as fotos divulgadas pela imprensa, em diversos locais e situações, em instantes de tempo diferentes. O misterioso sujeito foi apelidado de "sujeito do capacete verde" porque em todas as fotos sempre aparece com um capacete dessa cor além dos óculos e da blusa de sinalização.

O weblog EU Referendum recorda uma fotografia tirada em 18 de abril de 1996 em que aparece o mesmo sujeito de capacete verde segurando uma vítima de um ataque israelense. Em tom sarcástico o autor pergunta: "O Hizbollah por acaso não tem outra pessoa para que a mídia possa fotografar?"

Segundo o weblog Confederate Yankee, a fotografia onde a Cruz Vermelha aparece ao lado de corpos de aparentes vítimas do bombardeio foi tirada apenas uma hora depois do incidente e os corpos das vítimas já apresentam rigor mortis característico de quem morreu há 12 ou 24 horas.

O weblog EU Referendum disse que quase todas as fotos divulgadas pela mídia mostram sempre as mesmas duas pessoas, em situações diferentes, em vários locais do Líbano. Uma delas é o sujeito do capacete verde e outra é um homem barbudo.

Segundo os weblogs, em diversas fotografias, de diversos ângulos da Reuters e da Associated Press, aparece o mesmo homem segurando uma criança, com uma discrepância de 4 horas entre os instantes em que teriam sido tiradas as fotografias.

Os weblogs argumentam que nas fotografias as pessoas que trabalham no resgate aparecem com uma roupa diferente a cada vez apesar de parecer transportar o que parece ser a mesma vítima.

O weblog Israel Insider levanta ainda a seguinte questão: "Apesar de o Hizbollah alegar que os civis não poderiam ter fugido por causa do bombardeio de estradas e pontes feitos por Israel, os jornalistas e equipes de resgate da vizinha Tyre não tiveram nenhum problema em chegar até lá".

O website cristão libanês Libanoscopie acusa o Hizbollah de montar falsos incidentes com o objetivo de estimular os protestos e pedidos para um cessar-fogo, principalmente depois que o governo libanês começou a dar sinais de que estaria disposto a livrar-se da milícia radical. O weblog pergunta se o incidente em Qana não teria sido por acaso um "plano maquiavélico do Hizbollah".

O uso da mídia como arma de guerra não é algo novo. Na Guerra do Vietnã o governo americano retirou-se do conflito, apesar de estar bem mais preparado do que o adversário por causa da pressão de grupos pacifistas.

Alguns weblogs perguntam se o incidente em Qana não seria um caso de "Hezbollywood" e aludem a "Pallywood", um documentário de curta metragem de 2005 feito por um americano que expõe o que seria o esforço de alguns palestinos em forjar cenas para a imprensa com o intuito de apresentar Israel como um "vilão" e assim conquistar apoio para grupos islâmicos radicais.

Independente das conclusões que se possa tirar do incidente em Qana, não parece restar dúvidas de que o Hizbollah e o governo libanês tentam ao máximo exibir as vítimas da guerra para forçar um recuo dos israelenses.

Israel, por sua vez, procura mostrar que faz de tudo para tirar os civis da linha de tiro, o que é difícil face ao facto de o Hizbollah esconder-se em bairros libaneses e usar civis como escudo.

As fotos

Algumas das polêmicas fotografias segundo os weblogs:

  1. The Guardian: Barbudo com camiseta branca carrega uma criança escoltado pelo capacete verde [1]. Legenda: Um homem grita por ajuda enquanto carrega o corpo de uma jovem garota depois dos ataques aéreos de Israel no sul do Líbano no vilarejo de Qana.
  2. The Telegraph: O que parece ser o mesmo barbudo com camiseta branca de (1) carrega sozinho o que parece ser a mesma criança, mas num local diferente. [2]. Legenda: O corpo de uma criança morta num ataque aéreo israelense: políticos israelenses culparam somente os terroristas que permaneceram na área.
  3. Arab News: O capacete verde resgata uma criança [3]. Legenda: Criança morta, uma vítima do terror judeu, é levada de um edifício destruído em Qana no domingo.
  4. Reuters: O capacete verde observa um trator limpar os escombros de um ataque. Segundo a Reuters a foto foi tirada em outra cidade libanesa: Sreefa [4]. Legenda: um trabalhador de resgate libanês assiste aos tratores limparem os destroços de um edifício destruído por um ataque aéreo israelense em Sreefa, 18 milhas ao sul da cidade portuária de Tyre. 31 de julho de 2006 (Zohra Bensemra/Reuters).
  5. Segundo este weblog, a mesma criança suposta vítima do ataque israelense foi carregada para cima e para baixo e exibida para as câmaras dos fotógrafos das 8h até as 16h.

Multimídia

Referências

Blogs

Outros

Fontes