Secretária de publicitário citado por Jefferson fala para revista sobre quem pagava o mensalão, mas depois volta atrás

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16 de junho de 2005

Brasil

Fernanda Karina Ramos Somaggio, ex-secretária direta do publicitário Marcos Valério de Souza em entrevista para a revista brasileira Isto É - Dinheiro contou sobre como supostamente era feito o pagamento do mensalão. Dias depois, em depoimento para a Polícia Federal, voltou atrás e negou a entrevista feita para a revista.

O publicitário brasileiro Marcos Valério foi acusado pelo deputado Roberto Jefferson de participar do esquema de distribuição de dinheiro para partidos políticos e para o mensalão, durante seu [Roberto Jefferson depõe para parlamentares brasileiros|depoimento] para o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, nesta última terça-feira. Valério é um dos donos da agência de publicidade de Minas Gerais, SMP&B.

Karina trabalhou como secretária de Valério de abril de 2003 a janeiro de 2004. Segundo a entrevista publicada pela revista Isto É - Dinheiro, Karina anotou em sua agenda todos os encontros entre o publicitário e integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT), entre eles, o tesoureiro do partido Delúbio Soares. Karina disse que o nome do tesoureiro do PT, Delúbio Soares, aparece em sua agenda escrito diversas vezes.

A Isto É - Dinheiro disse que entrevistou Karina no dia 2 de setembro de 2004 (a revista conta que guardou a fita da entrevista e continuou a investigar, em busca de mais provas para poder publicar a história com segurança) e nesta semana após as revelações do deputado Roberto Jefferson.

Segundo a reportagem da revista, Karina é de classe média, mora em Belo Horizonte, tem uma filha e disse que resolveu falar para a revista motivada por patriotismo. Segundo a revista, ela disse: "Quero que o Brasil melhore". A Isto É - Dinheiro disse que a secretária votou no Partido dos Trabalhadores em todas as eleições: “Sempre fui petista”, teria dito Karina.

Segundo o que está publicado na revista Isto É - Dinheiro, Karina tem rancor pelo ex-chefe Marcos Valério, que está a mover um processo na justiça do estado de Minas Gerais contra ela, acusando-a de chantagem. Segundo a entrevista publicada da secretária, prejudicar Marcos é também uma das motivações para fazer a denúncia.

A entrevista da secretária

A seguir estão descritas algumas partes da entrevista concedida pela secretária para a revista Isto É - Dinheiro.

Segundo a Isto É - Dinheiro, Fernanda Karina Ramos Somaggio, que foi secretária direta do publicitário Marcos Valério de Souza disse que o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, ajudava a transferir dinheiro da empresa de Valério, a SMP&B, para o governo, fazendo a intermediação dos negócios. Segundo a entrevista publicada na revista, a secretária disse que Valério tinha um departamento financeiro para cuidar especialmente disso. Para fazer as negociações, a SMP&B mantinha uma conta no Banco do Brasil na parte de esportes através de uma tal de Multiaction.

Ao ser indagada se sabia se havia pagamento de propinas a agentes do governo, a secretária disse, segundo a revista, que viu sair muito dinheiro sair da empresa. Ela disse que viu sair R$ 100 mil em dinheiro para o irmão do Anderson Adauto, quando ele era ministro dos Transportes, no final de 2003.

A secretária disse que Marcos Valério dava muitas festas para funcionários do Banco do Brasil. Quando indagada pela revista, se Marcos Valério oferecia jatos particulares para funcionários do Banco do Brasil, a secretária respondeu que Marcos Valério só usava o jato do Banco Rural, assim como o tesoureiro do PT, Delúbio Soares.

A revista Isto É - Dinheiro perguntou a razão para o Banco Rural oferecer jatos para Marcos Valério. Karina respondeu que o Banco Rural tem problemas com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o banco Banestado. Ela disse o ex-presidente do banco, José Augusto Dumont, que morreu num acidente automobilísitico, estava a ser investigado. Karina contou que o deputado José Mentor (PT-SP) que era responsável pela CPI e Delúbio Soares andavam sempre com José Augusto Dumont. Karina disse que José Mentor era um dos principais contatos.

Ela disse que nunca tinha ouvido falar do mensalão mas que acompanhava as saídas de dinheiro do Banco Rural, às vezes, R$ 50 mil, R$ 30 mil, às vezes mais.

A secretária disse que já viu um garoto que trabalhava na empresa buscar R$ 1 milhão do Banco Rural. Ela afirmou, segundo a revista, que participa também o Banco do Brasil, e que ele é o responsável pela parte mais ilícita de todas as negociações.

A secretária Fernanda Karina Ramos Somaggio, segundo a revista Isto É - Dinheiro, disse que o publicitário Marcos Valério se encontrava com a cúpula do PT em qualquer lugar: Brasília, São Paulo, Belo Horizonte.

Karina disse, segundo a revista, que Marcos Valério foi o responsável pela campanha do deputado João Paulo Cunha para a Câmara dos Deputados do Brasil.

A secretária disse que a empresa para a qual trabalhava tinha muitas contas com empresas do governo, entre elas a da Empresa Brasileira dos Correios e Telégrafos. Ela disse que todas as concorrências eram "jogos de cartas marcadas", onde já se sabia de antemão quem iria vencer.

A secretária disse que ocorreu o pagamento de R$ 150 mil para o ex-ministro das Comunicações, durante o governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso, dividido em duas contas. Ela disse que irregularidades ocorrem desde o governo passado. Em entrevista para jornalistas, o ex-ministro admitiu ter recebido o pagamento, contudo contou que tratava-se de uma negociação normal e legal entre o governo e a empresa.

A secretária disse, segundo a revista, que havia superfaturamento nos contratos e que vinha dinheiro de empresas estatais do governo.

Karina disse que tem anotado em sua agenda todos os encontros com os integrantes do PT, com data e hora marcada. Ela disse que os encontros ocorriam em hotéis, de forma escondida. Ela mencionou os como alguns dos locais dos encontros: o hotel Blue Tree, em Brasília, e os hotéis L´Hotel e Sofitel, em São Paulo.

Karina disse que no dia 22 de julho de 2003, houve um encontro na sede do Partido dos Trabalhadores em Brasília entre o publicitário Marcos Valério, o tesoureiro do PT Delúbio Soares e José Augusto Dumont, ex-presidente do Banco Rural. Ela também disse que às 16 horas, ocorreu um encontro no hotel Blue Tree de Brasília entre Delúbio Soares, Marcos Valério e um dos sócios da empresa Opportunity, Carlos Rodenburg.

Karina disse que o atual ministro do governo José Dirceu e o senhor Sílvio Pereira se encontravam com Marcos Valério. Ela disse que Marcos Valério tinha comunicação direta com o ministro José Dirceu. Depois de Delúbio Soares e José Dirceu, segundo o que disse a secretária de acordo com a revista, os outros contatos no governo eram o deputado José Mentor, Sílvio Pereira e o deputado João Paulo Cunha.

Quando perguntada sobre como era o ex-chefe Marcos Valério, Karina respondeu que ele acha que o dinheiro pode tudo. Ela contou que Marcos Valério diz que no momento é do PT, mas que ele já foi do PMDB, de tudo, e que ele "dança conforme a música para ganhar dinheiro."

Segundo a revista Isto É - Dinheiro, Fernanda Karina Ramos Somaggio contou que teme não conseguir mais emprego e que os outros sócios da empresa SMP&B têm influência política em Belo Horizonte. Ela disse que foi ameaçada por telefone e que Marcos Valério entrou em seu email.

Secretária nega o que contou à revista

De acordo com informação da Agência Brasil, o advogado de Fernanda Karina Ramos Somaggio, o senhor Leonardo Macedo Poli, disse que ela negou diversas informações publicadas pela revista Isto É - Dinheiro, durante depoimento na Polícia Federal de Belo Horizonte, quarta-feira, 15 de junho.

O advogado teria dito: "Fernanda assegurou que nunca viu sair malas com dinheiro da empresa SMP&B, onde ela trabalhava".

O Banco do Brasil emitiu uma nota em que afirma que as declarações da secretária Fernanda Karina Ramos Somaggio, publicadas em entrevista na revista Isto É - Dinheiro são "desrespeitosas e caluniosas".

Parte da nota do Banco do Brasil (BB) diz:

O Banco do Brasil dispõe de Código de Ética e de rígidas Normas de Conduta que orientam o comportamento dos funcionários no relacionamento com os diversos públicos, entre eles os fornecedores e prestadores de serviços.

O BB realizou processo licitatório público, concluído em setembro de 2003, que resultou na contratação de três agências de publicidade. As empresas vencedoras foram D + Brasil Comunicação Total S/A, DNA Propaganda Ltda e Ogilvy Brasil Comunicação. O processo atendeu integralmente à Lei de Licitações (n. 8.666/93), estando os documentos pertinentes à disposição dos órgãos competentes.

Mesmo entendendo serem inconsistentes as declarações divulgadas na entrevista, o Conselho Diretor do BB determinou às áreas competentes a apuração dos fatos. Caso identificada postura incompatível com que se exige dos profissionais do Banco do Brasil ou verificado o descumprimento de suas normas internas, o BB adotará as providências administrativas necessárias.

A Diretoria Jurídica do Banco do Brasil está adotando as medidas judiciais cabíveis relativamente às declarações contidas na entrevista.

Segundo a Agência Brasil, a Comissão de Sindicância da Corregedoria Geral da Câmara dos Deputados convocou a secretária Fernanda Karina Ramos Somaggio para depor.

Ver também

Fontes