Polícia brasileira investiga supostas doações ao PT de membros da quadrilha do desmatamento

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Brasil • 5 de junho de 2005

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Segundo o jornal brasileiro O Estado de São Paulo, a Polícia Federal brasileira está a investigar supostas doações de dinheiro realizadas por supostos membros da quadrilha que promovia desmatamento ilegal no estado brasileiro do Mato Grosso.

A Polícia Federal realizou recentemente uma megaoperação com mais de 400 agentes de polícia e várias pessoas foram presas. A operação policial ficou conhecida como "Operação Curupira" e entre os suspeitos detidos estão funcionários do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (IBAMA) que vendiam ilegalmente licenças de desmatamento.

Um dos suspeitos, o ex-gerente-executivo do IBAMA em Mato Grosso e geógrafo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Hugo José Werle contribuiu com R$ 5 mil para a campanha de 2002 de Alexandre César, candidato (derrotado) do Partido dos Trabalhadores (PT) à prefeitura de Cuiabá e presidente regional do partido. Werle é filiado ao PT.

O Ministério Público Federal investiga no mínimo três empresas que supostamente fizeram doações para o candidato a prefeito de Cuiabá: Diagem do Brasil Mineração (doou R$ 30 mil), Solar Madeiras Especiais (R$ 15 mil) e Cimifran Indústria e Comércio de Madeira (R$ 5 mil).

Os acusados negam que estejam envolvidos num esquema de corrupção. Todavia, gravações efetuadas de conversas dos acusados realizadas pela polícia com autorização judicial desmentem-nos. A revista Veja deixou em seu website documentos sobre o caso, com trechos das gravações.

Numa das gravações da polícia pode-se ouvir o seguinte diálogo entre os funcionários do IBAMA[1]:

Elvis: o Wilson me passou o seu telefone, que teria sido feito um depósito no valor de 1300 reais na minha conta, da questão de um fiscal. Eu gostaria de um recibo disso aí, que não apareceu na conta.

Zé Carlos: ... não foi depositado, será?

Elvis: Não, não foi não. Eu tenho um extrato aí que eu fui no banco agora, que inclusive no dia o Wilson falou ‘pode dar o cheque pro cara, que ele tá depositando” e eu paguei o cara, rapaz. Faz tempo.

Zé Carlos: Você pagou o cara?
Elvis: É, eu dei o cheque pro fiscal meu, à vista. Antes do Natal.

O PT do Mato Grosso emitiu a seguinte nota sobre o caso:

O PT de Mato Grosso, diante do fato de que entre os acusados há filiados indicados para cargos comissionados pelo partido no Estado, reafirma seu compromisso com a preservação da ética na política e na administração pública e, caso sejam comprovadas as acusações, não se furtará em aplicar aos envolvidos as medidas estatutárias cabíveis.

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Fontes