Piloto brasileiro confirma viagem relatada na suposta "Operação Cuba"

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5 de novembro de 2005

Brasil

O piloto Alécio Fongaro declarou que levou o avião Seneca prefixo PT-RSX de Brasília até Campinas. O avião foi citado na matéria "Campanha de Lula recebeu dinheiro de Cuba", da edição número 1929, de 2 de novembro de 2005, da revista brasileira Veja. A matéria fala sobre uma suposta remessa de dólares vindos de Cuba para o comitê eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), em São Paulo.

Em entrevista para a Folha de S. Paulo e para a revista Veja, o piloto Alécio Fongaro disse que transportou três caixas de papelão lacradas parecidas com caixas de bebida, de Brasília até Campinas. Fongaro declarou para a Folha: "Fui eu mesmo. E o que esse rapaz [Poleto] está falando confere".

Segundo Fongaro em 31 de julho de 2002 ele pilotou um avião Seneca de prefixo PT-RSX de Brasília até Campinas, transportando três caixas de papelão lacradas.

Ele disse que não sabia o conteúdo das caixas. "Elas estavam lacradas com fita adesiva e pareciam caixas de bebida, mas eu não vi o conteúdo", declarou a Veja.

O piloto declarou que foi contratado pelo empresário José Roberto Colnaghi, amigo do Ministro da Fazenda Antonio Palocci para levar um passageiro de Brasília até Campinas.

Fongaro conta que em 31 de julho de 2002 o avião partiu de Penápolis (São Paulo), somente com ele, e chegou em Brasília por volta do meio-dia.

Na capital federal, segundo Fongaro, o economista Vladimir Poleto chegou numa van, carregando três caixas de papelão lacradas. As caixas foram colocadas no avião. Duas foram colocadas atrás da poltrona de Poleto e uma terceira na frente, perto dos seus pés.

O avião voou para São Paulo mas, segundo o piloto, por causa do mal tempo foi obrigado a pousar em Campinas, no aeroporto de Viracopos. Depois do pouso, Poleto desceu do avião. Retornou minutos depois e pediu a Fongaro para decolar novamente e pousar no aeroporto dos Amarais, também em Campinas.

No aeroporto dos Amarais, segundo Fongaro, as caixas foram apanhadas por Ralf Barquete, que chegou num automóvel Omega preto blindado dirigido por Éder Eustáquio Soares Macedo e alugado do empresário Roberto Carlos Kurzweil.

Em entrevista para a Folha de S. Paulo o piloto Alécio Fongaro declarou: "É uma coisa chata. Fiquei indignado de carregar dinheiro. É uma coisa estranha. Agora, vou ter de passar por isso."

A rota do avião

Segundo Veja, a rota do avião citado como transportador dos dólares cubanos é a seguinte:

31 de julho de 2002

12h20 - o avião Seneca prefixo PT-RSX pilotado por Alécio Fongaro e carregando caixas de papelão lacradas decola de Brasilía com destino ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O mal tempo obriga o avião a pousar no aeroporto de Viracopos, em Campinas.

17h00 - atendendo a um pedido de Vladimir Poleto, o avião decola de Viracopos e pousa no aeroporto dos Amarais, também em Campinas. Neste local são desembarcadas as caixas de papelão.

1 de agosto de 2002

10h 25 – O Seneca decola em direcção ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Fim da missão.

De acordo com a revista, a rota especificada está descrita nos registros do Departamento de Aeronáutica Civil (DAC).

A suposta Operação Cuba

Segundo a reportagem da Revista Veja, edição número 1929, datada como 2 de novembro de 2005, o comitê eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva recebeu 3 ou 1,4 milhões de dólares.

  1. O dinheiro teria vindo de Cuba e chegado a Brasília para ficar sob os cuidados do cubano Sérgio Cervantes, que já trabalhou na embaixada cubana no Brasil. Cervantes é dirigente do Partido Comunista Cubano (PCC), conhecido do Partido dos Trabalhadores e do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Em 23 de outubro, por exemplo, Cervantes assistiu ao 11º Congresso Nacional do PCdoB na condição de delegado do PCC.
  2. O dinheiro foi transportado de Brasília a Campinas num avião Seneca de propriedade do empresário Roberto Colnaghi e pilotado por Alécio Fongaro. O dinheiro foi guardado dentro de três caixas de bebidas: duas caixas de uísque Johnnie Walker, uma do tipo Red Label e outra de Black Label, e uma terceira caixa do rum cubano Havana Club.
  3. Em Campinas, Ralf Barquete, ex-auxiliar do atual Ministro da Fazenda Antonio Palocci quando este era prefeito de Ribeirão Preto, recebeu o dinheiro.
  4. O dinheiro foi transportado numa automóvel Omega preto dirigido por Éder Eustáquio Soares Macedo até São Paulo. Na capital paulista, o dinheiro foi levado até o comitê de Lula na Vila Mariana e entregue para o tesoureiro do partido Delúbio Soares.

Sabe-se que:

  • A denúncia foi feita pelos ex-assessores de Antonio Palocci: Rogério Tadeu Buratti e Vladimir Poleto. Ralf Barquete, citado como a pessoa que supostamente recebeu a remessa em Campinas e foi com ela até São Paulo, morreu de câncer em 8 de junho de 2004.
  • Sérgio Cervantes, citado como a pessoa responsável pela entrega do dinheiro, deixou o Brasil dois dias depois de a matéria ter sido publicada, sem comentar oficialmente o teor da reportagem.
  • O motorista do automóvel Omega preto, Éder Eustáquio Soares Macedo, disse a Veja que fez a viagem. No momento ele não fala com a imprensa e provavelmente deve se manifestar somente perante uma Comissão Parlamentar de Inquérito.
  • O empresário Roberto Carlos Kurzweil confirmou que alugou um automóvel Omega preto blindado para o Partido dos Trabalhadores.
  • O piloto Alécio Fongaro declarou que levou o avião Seneca prefixo PT-RSX de Brasília até Campinas transportando três caixas de papelão lacradas e que Ralf Barquete recebeu a remessa em Campinas.
  • O vôo de Brasília até Campinas foi registrado pelo Departamento de Aviação Civil (DAC).
  • O empresário Roberto Colnaghi, disse que emprestou seu avião Seneca em 31 de julho de 2002, porém alega que não sabia para que seria usado.
  • A embaixada de Cuba e a direcção do Partido dos Trabalhadores (PT) negam a denúncia. O PT ameaça processar a revista.

Depoimento de Poleto foi marcado para a próxima semana

A Comissão Parlamentar de Inquérito dos Bingos marcou para terça-feira (8) o depoimentos do economista Vladimir Poleto.

Poleto, que trabalhou para Antonio Palocci durante sua gestão na Prefeitura de Ribeirão Preto, é suspeito de praticar tráfico de influência junto ao Governo para beneficar empresas. Além de fazer perguntas relacionadas a isto, os parlamentares irão questionar o economista sobre as informações publicadas por Veja, relacionadas à suposta "Operação Cuba".

Para o mesmo dia está agendado também o depoimento do deputado federal Jamil Murad (Partido Comunista do Brasil-São Paulo). Murad, que é médico, acompanhou a autópsia do cadáver do prefeito Celso Daniel, seqüestrado e morto em janeiro de 2002.

Ver também

Fontes