Piñera faz mudanças em seu gabinete enquanto os chilenos antecipam mais protestos

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O presidente chileno, Sebastián Piñera, removeu esta segunda-feira os seus ministros do Interior e Fazenda como parte de um ajuste a seu gabinete do governo.
Foto: Governo do Chile.

Agência VOA

28 de outubro de 2019

O presidente chileno, Sebastián Piñera, removeu esta segunda-feira seus ministros do Interior e Fazenda como parte de um ajuste ao seu gabinete do governo, diante a ameaça de novos protestos e em meio à maior crise no país desde o retorno à democracia há quase três décadas. Piñera e os manifestantes concordam que as mudanças no Gabinete não acalmarão os protestos, mas o presidente continua tomando medidas para acalmar os ânimos e encontrar uma saída para os problemas.

No cargo do Interior, Piñera nomeou Gonzalo Blumel em substituição de Andrés Chadwick, que foi o maior alvo de críticas durante as manifestações, que deixaram pelo menos 17 mortos e milhares de detidos. Enquanto isso, no Ministério da Fazenda, o governante designou o professor Ignacio Briones para sustituir Felipe Larraín. A porta-voz Cecilia Pérez, também forte alvo de críticas, foi transferida para o Ministério dos Esportes. Em seu posto entrará a governadora metropolitana de Santiago, Karla Rubilar.

A crise detonada por um aumento no transporte subterrâneo, que tem deixado pelo menos 17 mortos e milhares de detidos, levou Piñera a pedir perdão e empreender algumas iniciativas, como aumento das aposentadorias e congelar almento de transporte e eletricidade. Na sexta-feira, as ruas de Santiagochegaram com mais de um milhão de pessoas na capital e em outras cidades importantes do país, na manifestação social maior que já vista no país, segundo vários historiadores.

Um novo protesto reuniu no domingo mais de 15 mil pessoas no parque O’Higgins da capital, onde os chilenos disseram que o aumento no preço da passagem de metrô foi só a faísca que fez explodir anos de frustração com a forma em que os governos têm atuado para tornar o país uma das principais economias da América Latina. «Que veja o que diz o povo, que escute. Algo a ser feito. Não tem anunciado nada de concreto ainda. Isso não termina, isto vai ser seguido», afirmou Jorge Sepúlveda, um motorista de caminhão de 33 anos.

Nas redes sociais se multiplicam nesta segunda-feira pedimos a diferentes mobilizações durante a semana, incluindo uma na tarde de terça-feira em frente ao palácio de gobierno de La Moneda. Também nesta segunda-feira, uma missão enviada pela Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a ex-presidenta chilena Michelle Bachelet, iniciou uma visita ao país para conhecer sobre as denúncias de abusos das forças de segurança durante os dias que regiu o estado de emergência, que foi levantado no domingo.

Enquanto isso, os chilenos querem muitas mudanças e tem na mira a Constituição de 1980, escrita sob a ditadura militar de Augusto Pinochet, a qual criou bases legais para a economia de mercado com a que opera o país. Eles reclamam que a Constituição permite a privatização de todos os aspectos da vida por mais de 30 anos.

Visto de longe, o Chile é considerado um país com uma história de sucesso, com presidentes eleitos democraticamente tanto de direita como de esquerda, uma política de livre mercado que têm potenciado o crescimento, um declínio na pobreza e um dos níveis mais altos no Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, que mede a expectativa de vida, os níveis educacionais e a renda per capita. No entanto, as coisas não parecem tão boas por dentro. Um relatório da ONU de 2017 observou que o 1% mais rico da população acumula 33% da riqueza do país, o que fez do Chile umas das nações mais desiguais da OCDE, ligeiramente pior que o México.

Fontes[editar]