Morreu na Coreia do Sul, Sun Myung Moon, o Reverendo Moon e fundador da Igreja da Unificação

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Sun Myung Moon e a esposa Hak Ja Han.
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2 de setembro de 2012

Seul, Coreia do Sul — Morreu na madrugada de 3 de setembro (hoje no horário Ocidental) aos 92 anos de idade em Seul (capital sul-coreana), Sun Myung Moon, fundador da Igreja da Unificação na qual se transformou em império multi-milionário e conhecido em casamentos em massa nas décadas de 70 e 80.

Informada pelos porta-vozes do reverendo, ele morreu na madrugada de segunda-feira e o anúncio da morte foi feito pela agência sul-coreana Yonhap, confirmado por outro porta-voz do reverendo à AFP, informações confirmadas por seus porta-vozes. Moon, que tinha sido hospitalizado no mês passado depois de sofrer complicações em decorrência de uma pneumonia, faleceu passadas às 2 horas de local de segunda-feira.

O reverendo Moon tinha sido transferido na semana passada do hospital St. Mary de Seul, aonde deu entrada em meados de agosto em terapia intensiva, para centro médico pertencente à Igreja da Unificação, no leste da capital sul-coreana. Na sexta-feira (31 de agosto), a igreja havia informado que seu fundador sofria do problema crítico nos órgãos vitais, que determinaram seu ingresso em terapia intensiva. Mas no sábado (1º de setembro) a situação de Moon piorou: os médicos informaram que ele tinha entrado "um estado irreversível de sua condição".

Um dos porta-voz que anunciou a morte, afirmou que mesmo com problemas de saúde, manteve os trabalhos. "Estava esgotado nos últimos meses, pois apesar de sua idade, viajou todos os meses aos Estados Unidos", explicou o porta-voz da Igreja da Unificação, confirmando a notícia da morte do reverendo.

Biografia

Sun Myung Moon nasceu em 1920 em família de agricultores na região que atualmente faz parte do território da Coreia do Norte. Em 1936, aos 16 anos, afirma que teve visão com Jesus Cristo pedindo que completasse a missão interrompida pela crucificação: "Com a idade de 16 anos teve uma visão na qual Jesus lhe apareceu, enquanto orava na montanha, numa manhã do domingo de Páscoa. Jesus explicou-lhe que, originalmente Deus O tinha enviado para salvar todos os homens, mas que a sua missão na Terra tinha ficado incompleta devido aos seus contemporâneos não O terem recebido. De agora em diante era a ele, Sun Myung Moon, que incumbia para completar a sua missão inacabada.", descreveu no site da organização.

Quando o comunismo chegou à Coreia do Norte em 1945, foi preso por diversas vezes por pregar nova religião. Por insistir nas pregações, foi preso em 1948, desta vez foi torturado e mandado para um campo de trabalhos forçados por pregar nova religião. Só foi solto em 1950, quando os guardas norte-coreanos fugiram com o avanço das forças americanas durante a Guerra da Coreia, onde foi para Coreia do Sul.

Depois de vagar pela cidade sul-coreana de Busan (no sul) como refugiado de guerra, ele construiu a primeira igreja nesta região, usando caixas de rações militares, após se conveter à Igreja Presbíteriana. No entanto, foi rejeitado tanto pela Igreja Presbíteriana e outras pelas igrejas protestantes sul-coreanas, Moon fundou em 1954 sua própria congregação, a Igreja da Unificação e deixou de ser presbíteriano.

A Igreja da Unificação teve crescimento durante a década de 60. Em 1971, Moon emigrou para os Estados Unidos, que durante os anos 70 e 80 fica conhecido internacionalmente pelas cerimônias de casamento que reúnem milhares de casais, inclusive por serem de países e religiões diferentes, que foi copiada por diversas Igrejas Cristãs. Moon explicou em biografia publicada em 2009, realização de casamentos coletivos era fundamental à propagação de seus propósitos. "Casamentos entre pessoas de diferentes países e culturas são a maneira mais rápida de se conseguir um mundo ideal de paz. As pessoas devem se casar (...) com aqueles que consideram seus inimigos.", disse.

Ao mesmo tempo, essa igreja liderada pelo Moon, ampliou fora das pregações, com vasto império econômico abrange os setores da construção, da educação, da alimentação, da engenharia e da imprensa. A organização possui, entre outros, o jornal Washington Times (Estados Unidos) Segye Times (Coreia do Sul) e a agência UPI (Estados Unidos). Curiosamente, algumas igrejas protestantes do mundo também copiaram como adiquirir os meios de comunicações para ampliarem vasto império midiático.

Ao longo da vida, o reverendo Moon cultivou boas relações com os ex-presidentes americanos Richard Nixon, Ronald Reagan e George W. Bush. Já foi preso e processado nos Estados Unidos pelos crimes financeiros nos anos 80, foi condenado em 1984 a 18 meses de prisão por evasão de impostos e conspiração, mas passou 13 meses e solto em 1985.

Em 1991, Moon se reuniu com o então líder norte-coreano Kim Il-Sung em Pyongyang. Fez negócios com a Coreia do Norte, através da empresa associada à igreja, Pyeonghwa Motors (Motores da Paz), que desde 1999 se dedica à construção de automóveis no norte da península.

Uma das maiores cerimônias de casamento foi a realizada no Estádio Jamsil de Seul em 1992, quando 30 mil casais contraíram núpcias de forma simultânea diante do reverendo.

O movimento de Moon também adquiriu uma grande publicidade internacional em 2001 por causa da dura batalha na imprensa que manteve com a Igreja Católica, por causa do famoso caso do bispo africano Emmanuel Milingo, que se casou pelo rito "moonie". Milingo tinha tido problemas com a hierarquia católica devido a suas atividades como exorcista, curandeiro e cantor, foi ameaçado com a excomunhão e finalmente mostrou seu arrependimento perante o João Paulo II, no que na realidade foi contemplado como uma queda-de-braço da Igreja da Unificação com o Vaticano.

Atualmente, a organização reivindica pregar em 200 países para três milhões de seguidores que se referem a Moon como "o verdadeiro pai" e o consideram "o único Messias da história humana", é uma das maiores e mais controversas comunidades religiosas do mundo, sendo considerada seita em vários países, pois seus ensinamentos são baseados na Bíblia (mas com novas interpretações), são considerados heréticos por algumas organizações cristãs.

"A visão de Deus de Moon é essencialmente coreana, combinando xamanismo e padrões familiares confucianos ao modelo cristão. (...) Seu Deus é o pai misericordioso que sofre em uma agonia solitária em um mundo de crianças más.", escreveu Michael Breen em seu livro, "The Koreans".

O reverendo deixou a esposa Hak Ja Han, 14 filhos e mais de 40 netos. Uns dos filhos trabalham em seu império é o Hyung Jin Moon, o caçula dos homens, que o sucedeu em 2008, então com 28 anos, à fente do movimento.

Fontes