Ministro do Interior de Angola critica eurodeputada Ana Gomes

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Angola.

Agência VOA

JMPLA e Jornal de Angola acusam Gomes de ingerência nos assuntos do país.

30 de julho de 2015

O ministro do Interior angolano, Ângelo Veiga Tavares, criticou nesta quinta-feira, 30, a presença da eurodeputada portuguesa Ana Maria Rosa Martins Gomes em Angola, na esteira do que disse ontem a Juventude do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e hoje o editorial do jornal oficial.

Em declarações à RNA a partir de Madrid (capital da Espanha), onde se encontra a participar numa conferência sobre terrorismo, Tavares considerou "bastante irresponsáveis" as pessoas que "sem conhecerem o pendor do processo vêm fazendo algumas declarações, algumas delas irresponsáveis, outras, se calhar, inocentes, por desconhecerem os meandros do processo".

"Nós acompanhamos, embora estando distante, a visita da eurodeputada Ana Gomes, mas há em Portugal um ilustre prisioneiro, que assumiu publicamente que está numa condição política [o ex-primeiro-ministro José Sócrates, que governou o país ibérico entre 2005 a 2011], e nos acompanhamentos que temos estado a fazer não vimos nenhum alarido, nem sequer visitas dessa figura, para constatar ou verificar se esse prisioneiro que se diz político está nessa situação como tal", criticou.

O ministro acrescentou que a situação não causa "grande admiração nem preocupação" ao Governo angolano, porque são conhecidas essas figuras que "já num passado distante, antes mesmo da guerra tinham definido claramente o seu posicionamento e nunca esconderam o seu ódio visceral". Na entrevista, o ministro do Interior reiterou não haver presos políticos em Angola.

Ontem, a JMPLA acusou Ana Gomes de estar a fomentar os protestos e hoje, no editorial, o Jornal de Angola, oficial, escreveu que “ignorando que o nosso país saiu há pouco tempo de uma longa guerra e que a um preço alto em vidas humanas fez a paz e a reconciliação, a eurodeputada socialista Ana Gomes deslocou-se mesmo a Angola e, numa atitude arrogante e provocatória, tem estado a interferir em assuntos do foro único do poder judicial angolano e dos órgãos de soberania nacionais”.

Ana Gomes tem sido alvo, nos últimos dias, de várias referências críticas públicas por parte de políticos ligados ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder desde 1975, devido às posições adotadas, nomeadamente sobre a defesa dos direitos humanos e liberdade de expressão no país.

A eurodeputada, segundo relato feito pelos órgãos de comunicação estatais angolanos, foi recebida na quarta-feira, 29, pelo ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa.

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