Lula disse que Venezuela tem democracia em excesso

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Lula: "Ninguém pode acusar aquele país de não ter democracia". Foto: Wilson Dias/ABr.

2 de outubro de 2005

Brasil

Para o Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, a Venezuela tem "democracia em excesso".

Lula disse em seu discurso na cerimônia de assinatura de atos entre Brasil e Venezuela na quinta-feira (29): "Eu não sei se a América Latina teve um presidente com as experiências democráticas colocadas em prática na Venezuela. Um presidente que ganha as eleições, faz uma Constituição e propõe um referendo para ele mesmo; faz um referendo e ganha as eleições outra vez. Ninguém pode acusar aquele país de não ter democracia. Poder-se-ia até dizer que tem excesso."

Estavam presentes à solenidade o Presidente da Venezuela Hugo Chávez, o ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Ali Rodriguez, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, e outros convidados.

Lula lembrou que o apoio dado pelo Brasil a Chávez foi importante nos seus momentos difíceis: “Mas, de qualquer forma, este homem, que apanhou como pouca gente apanhou, e o Brasil teve um papel importante, ajudando, conversando, dialogando, este homem, hoje, se transforma num companheiro da maior importância".

O Presidente brasileiro enalteceu a importância de Chávez no cenário político Sul-Americano, e disse que o governante venezuelano "não [é] um companheiro do Lula ou um companheiro do Brasil, mas um companheiro da integração".

Chavez e Lula: elogio à integração. Foto: Wilson Dias/ABr.

Lula e Chávez reuniram-se em Brasília, na quinta (29) e sexta-feira (30) passadas. Os dois governantes discutiram e assinaram acordos entre Brasil e Venezuela. Um dos acordos foi para a construção de uma refinaria no estado brasileiro de Pernambuco. Os dois Presidentes também participaram na sexta-feira da primeira reunião da Comunidade Sul-Americana de Nações (Casa).

Hugo Chávez disse que o Brasil e a Venezuela estão a adotar acções concretas para se integrarem. "Esses acordos assinados hoje, do meu ponto de vista, contribuem para a criação de novos modelos e para ir debilitando os mecanismos de exploração dos povos sul-americanos. É necessário difundir o alcance desses acordos que nós estamos firmando", disse Chávez.

Chávez usou o escritor cubano José Martí para fazer uma crítica aos países contrários à integração: "É tempo de nos colocarmos juntos e firmes como as árvores, para agüentarmos juntos o gigante das sete léguas, que pisa, domina e explora. Soprem os ventos internos aqui ou lá; ou as tormentas. Que soprem, pois a cada dia estaremos mais juntos como as árvores, dando vida nova à América do Sul".


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