Facção criminosa faz onda de ataques contra autoridades no Estado de São Paulo

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São Paulo, onda de crimes violentissimos nos ultimos dias

15 de maio de 2006

São Paulo

A organização criminosa conhecida como Primeiro Comando da Capital (PCC) promove uma onda de ataques contra autoridades policiais do Estado de São Paulo.

Desde a noite de sexta-feira (12) já foram mais de 290 ataques contra policiais em todo o estado. Os mais violentos teriam ocorrido entre a madrugada de sábado e manhã de domingo (14). Rebeliões em penitenciárias e centros de detenção provisória completam o cenário de violência.

O número parcial de mortos, atualizado a todo momento, foi mais de 150. Mais de 200 pessoas ficaram reféns em presídios da capital.

Há informação de que entre a noite de sábado e a madrugada de domingo houve pelo menos 10 novos ataques.

Os ataques atingiram delegacias, postos policiais, viaturas da polícia militar e polícia civil, residências e carros de políciais fora de serviço (um policial foi morto quando dirigia a lotação de seu pai, enquanto estava fora de serviço) não escaparam de serem alvos, e até um quartel de bombeiros na região da Luz da cidade de São Paulo foi atacado logo na primeira noite.

No final da noite de domingo os bandidos atacaram uma agência bancária, ateando fogo ao lançar sobre ela bombas incendiárias caseiras.

Segundo os jornais, morreram pelo menos 36 pessoas, entre agentes penitenciários, guardas, policiais e presos. Desde sexta-feira, 25 unidades prisionais estão dominadas por presidiários rebelados, em 24 municípios. Há cerca de 174 reféns, entre os quais muitos parentes de presos detidos durante a hora da visita nas penitenciárias.

Uma hipótese para essa onda de ataques é que ela seria uma represália do PCC contra a decisão do governo de São Paulo em ter ordenado o isolamento de líderes da organização criminosa. Os badidos foram removidos para uma delegacia especial em decisão motivada pela suspeita de estarem organizando uma rebelião nos presídios do estado.

A onda de ataques, que permanece acontecendo por 2 noites seguidas foi notícia de destaque internacional.

A situação também está crítica em colégios e faculdades da região. Estabelecimentos de ensino renomados como a Universidade de São Paulo (USP), Colégio Integral, UniFMU, FEI, Colégio Rio Branco, dentre outros, cancelaram as aulas para esta semana.

Ataques no Estado de São Paulo

Os ataques ocorreram praticamente em todo o estado de São Paulo: capital e interior. Ônibus foram queimados, postos policiais e agências bancárias sofreram ataques. Policiais foram fuzilados.

Além dos ataques, a boataria trouxe mais confusão e intranqüilidade para a população. A polícia teve seu trabalho prejudicado porque em algumas situações era acionada para atender falsas emergências. Alguns marginais não necessariamente ligados ao PCC aproveitaram o clima de pavor para praticar atos de vandalismo.

A seguir a descrição da situação em algumas cidades.

São Paulo (capital)

Na capital, devido aos ataques, grande parte das linhas de ônibus pararam de operar na segunda-feira (15). Como consequência, foi cancelado o rodízio de carros dos dias 15 e 16.

Telefonemas anônimas alertaram para a existência de bombas no Aeroporto Internacional de Congonhas, na tarde de segunda-feira. O saguão principal do aeroporto foi evacuado, interditado e vasculhado pelo esquadrão anti-bombas que não encontrou nenhum artefato explosivo.

Universidades e escolas suspenderam as aulas na segunda-feira em função dos ataques.

Americana

Em Americana houve tumulto no centro da cidade por volta das 14 horas assim que ouviu-se sons que foram confundidos com disparos de armas de fogo. Segundo informou-se depois, foram na realidade explosões de bombinhas de festa junina.

Quase todo o comércio e os bancos fecharam suas portas. O centro, sempre cheio em dias úteis, ficou vazio às 15h da segunda-feira.

Pelo menos uma agência do Banco do Brasil no bairro São Vito foi atingida por tiros na madrugada de segunda-feira.

Um policial militar residente em Santa Bárbara d'Oeste foi executado na divisa com Americana (ver Santa Bárbara).

A Câmara Municipal e a Prefeitura tiveram movimentação abaixo do esperado.

As empresas de transporte público Viação Cidade de Americana e a Princesa Tecelã tiraram alguns ônibus de circulação sob a justificativa de que o movimento estava fraco e os veículos estavam a vagar vazios.

Houve motim no Centro de Detenção Provisória.

Duas bases da Guarda Municipal foram atacadas. Por volta das 22h50 de domingo uma bomba explodiu na base da Guarda no Parque da Liberdade. O corpo de bombeiros foi chamado para combater o incêndio. Outra base localizada no bairro São Sebastião, na Praia Azul foi alvejada por tiros.

Barretos

O Fórum de Barretos e outras repartições públicas fecharam mais cedo na segunda-feira. A escola Sesi e a FEB suspenderam suas atividades no período noturno. As escolas estaduais mantiveram as aulas. Ônibus de tranporte de estudantes universitários não circularam.

Grupo de Operações Especiais da Seccional de Barretos conseguiu controlar uma rebelião na cadeia de Viradouro no final da manhã.

Bauru

Em Bauru Escolas e universidades suspenderam suas atividades na segunda-feira. As ruas da cidade ficaram desertas.

Campinas

Em Campinas o Fórum da Vila Mimosa foi atacado com granadas.

Há informações que a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCamp) sofreu ameaças de ataques.

Colégios e universidades cancelaram as aulas, entre eles: a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCamp), Unicamp e Unip, o Colégio Integral e as escolas estaduais.

Algumas entidades disseram que o principal motivo das suspensões era a falta de transporte público.

Noticiou-se que foram queimados cerca de 47 ônibus.

Franca

Ônibus foram queimados em Franca.

Houve rebelião na cadeia pública. O carcereiro e outras 257 pessoas, incluindo mulheres e crianças (familiares que faziam visita aos presos) viraram reféns dos presos durante cerca de 23 horas.

Hortolândia

Houve rebelião na penitenciária de Hortolândia.

Um policial militar foi baleado durante a madrugada de segunda-feira e encontra-se em estado grave no hospital. Um agente penitenciário teve seu carro alvejado por tiros.

Jaboticabal

Quatro policiais foram executados por bandidos em Jaboticabal.

O delegado de polícia Adelson Taroko foi dominado enquanto negociava com presos da cadeia de Jaboticabal. Os detentos enrolaram o delegado num colchão e depois atearam fogo. O delegado está internado em estado grave no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto com cerca de 80% do corpo queimado [1]. Dois presos foram baleados e outros quatro sofreram queimaduras.

Limeira

Em Limeira houve uma série de ataques e ônibus queimados. Na segunda-feira, o comércio fechou as portas por volta das 15h.

Pelo menos quatro ônibus foram incendiados. O sistema de transporte de ônibus ficou paralisado a partir das 14 horas de segunda.

Marília

Um ônibus foi incendiado em Marília, uma base da Polícia Militar foi atacada e um carro da polícia foi alvejado por tiros na noite de domingo.[2]

Uma rebelião na Penitenciária de Marília foi encerrada na segunda-feira às 17h.[3]

Nova Odessa

O Fórum de Nova Odessa foi fechado na tarde de segunda-feira por causa de uma ameaça de bomba não confirmada. Por recomendação do Tribunal de Justiça muitos fórums da região fecharam mais cedo, como por exemplo: em Santa Bárbara d'Oeste, Sumaré e Americana.

Paulínia

Em Paulínia uma escola de ensino fundamental foi incendida e um ônibus coletivo foi esvaziado por bandidos e logo em seguida incendiado.

Piracicaba

Uma base da Polícia Militar em Piracicaba foi atacada com granadas e bombas incendiárias.

Três agências bancárias foram atacadas no final de semana[4].

Houve rebelião num centro de detenção provisória.

Ribeirão Preto

Em Ribeirão Preto foram reportados ataques a bancos e delegacias na madrugada do dia 15 de maio.

Sábado de madrugada o agente penitenciário Alexandre Luís Lima foi assassinado com 20 tiros quando saía do trabalho extra que fazia em um motel da Vila Mariana.

Um bombeiro de 26 anos levou sete tiros, cinco nas costas, enquanto assistia a um show musical no domingo. Também no domingo, o policial reformado Joaquim dos Reis foi assassinado por volta das 19 horas, no bairro Ipiranga [5].

Um policial florestal foi executado por vários tiros quando saía da casa da namorada, no bairro Geraldo Correia de Carvalho, por volta da 1 hora de domingo.

Na segunda-feira houve pânico e correria na cidade. O comércio fechou as portas [6].

Santa Bárbara D'Oeste

Em Santa Bárbara d'Oeste início da madrugada de sábado, um policial militar de 28 anos foi executado com cerca de 10 tiros perto da Avenida da Amizade, bairro Cândido Bertine, em Santa Bárbara.

A Viação Barbarense (Viba), responsável pela maior parte do transporte da cidade, recolheu todos os ônibus a por volta das 20 horas da segunda-feira.

Uma agência da Caixa Econômica Federal no Jardim Pérola foi atacada por tiros durante o final de semana.

Serra Negra

Na cidade de Serra Negra, os 74 presos da Cadeia Municipal se rebelaram, sem fazer nenhum refém. A rebelião começou por volta das 18h do domingo e terminou terça-feira (16) de manhã.[7]

Sumaré

Os prédios da Prefeitura e Câmara Municipal de Sumaréforam evacuados por volta das 15 horas. As ruas próximas ao Fórum e à Câmara foram interditadas pela Polícia Militar.

A base da Guarda Municipal do Jardim Dall'Orto foi praticamento toda destruída num ataque no sábado à noite.

Outros estados

Houve rebeliões em penitenciárias do Mato Grosso do Sul. Em Campo Grande, um preso foi decapitado durante um dos motins. De cima da caixa d'água do presídio os detentos fixaram bandeiras do PCC e exibiram a cabeça da vítima.

Em Poços de Caldas, Minas Gerais, um posto da Guarda Municipal e um prédio usado pela Polícia Militar foram alvejados na noite de domingo por tiros disparados por quatro homens em duas motocicletas.

Em Pernambuco a Polícia Civil prendeu sete supostos integrantes do PCC, quando se preparavam para incendiar quatro ônibus [1].

Em Mato Grosso, a polícia identificou movimento suspeito dos detentos e conseguiu evitar rebeliões.

Em Santa Catarina, o policiamento foi reforçado e a segurança nos presídios incrementada depois que foi interceptado um telefonema de integrantes do PCC presos no Mato Grosso do Sul.

Ver também

Repercussão internacional

Várias agências de notícias fora do Brasil noticiaram os ataques do PCC. Exemplos:

Reportagem original
Esta notícia contém reportagem original de um Wikicolaborador. Veja a página de discussão para mais detalhes.

Referências

  1. Suspeitos de integrar o PCC são presos em PE, Folha de S. Paulo, 16 de maio de 2006.