Espanha anuncia que perdoará dívida da Bolívia em troca da implantação de programas educativos

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5 de janeiro de 2006

Depois da visita do Presidente eleito da Bolívia, Evo Morales, a Madrid, o Governo espanhol anunciou nesta quarta-feira (4) que a Espanha perdoará a maior parte dos mais de 100 milhões de euros da dívida externa boliviana em troca da implantação de programas educativos.

Na Espanha, o futuro mandatário dos bolivianos fez questão de lembrar as propostas que fez durante sua candidatura: recuperar o controle dos recursos naturais de seu país com o fim de aumentar os rendimentos e reinvesti-los em programas agrícolas, sector que dá emprego à maior parte da população.

Morales iniciou sua visita com uma reunião com Miguel Ángel Moratinos, ministro das Relações Exteriores, com quem tratou o tema dos investimentos ibéricos no país sul-americano. O chanceler espanhol disse que apóia o "fortalecimento da estabilidade política, econômica e social" da Bolívia e que seu país tem "vontade e disposição" para "intensificar as relações bilaterais em âmbitos de interesse mútuo", com ênfase no fortalecimento da segurança jurídica e da negociação como fórmula ideal para resolver eventuais controvérsias. Por sua vez, Morales se mostrou disposto a estimular os investimentos espanhóis em seu país, tanto públicos como privadas.

Ao meio-dia, Morales almoçou com alguns empresários, incluído o presidente da companhia hispano-argentina Repsol YPF, Antonio Brufau. A petroleira é a principal investidora espanhola na Bolívia. O líder indígena fez questão de dizer que os recursos pertencem "ao povo boliviano e é o Estado quem tem que os administrar", mas reconheceu a "experiência" das companhias espanholas. "A Bolívia precisa de sócios, não de patrões", disse Morales depois de fazer questão de dizer que a Bolívia "vai exercer seu direito de propriedade sobre seus recursos naturais", ainda que "isso não signifique confiscar, desapropriar, nem expulsar as empresas (...) que respeitem as leis".

Mais tarde, Morales se reuniu com o Presidente do Governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, de quem Morales reconheceu a "sensibilidade" com os problemas da América Latina. O Governo espanhol também anunciou um plano de cooperação agrícola, principalmente para mecanizar e instalar projetos de irrigação.

Morales, que vinha de visita ao Presidente Hugo Chávez, em Caracas, prosseguirá seu giro pela França e Bélgica. No fim de semana deverá ir para a África do Sul para reunir-se com Nelson Mandela, depois passará pela China e terminará sua viagem internacional no Brasil, na sexta-feira da próxima senama, quando encontrar-se-á com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Morales oficialmente tomará posse de seu cargo no dia 22 de janeiro.

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