Equipe internacional lança primeira suíte de escritório em suaili

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Uma imagem projetada do primeiro processador de textos em suaile em ação. Foto: Louise Berthilson

4 de março de 2005

Segunda-feira, 28 de fevereiro de 2005, foi lançado o Jambo OpenOffice.org, a primeira suite de escritório em suaile, na Universidade de Dar es Salaam, na Tanzânia. A suite de escritório foi traduzida da versão inglesa de OpenOffice.org (OO), uma suite de fonte aberta baseada em outra suíte de escritório conhecida como StarOffice, da Sun Microsystems. O Jambo OpenOffice.org foi traduzido por uma equipe internacional, com suecos e espanhóis, entre os desenvolvedores, e lingüistas da Universidade de Dar es Salaam. A versão liberada segunda-feira incluiu versões para os sistemas operacionais Linux e Windows.

Alberto Escudero-Pascual, líder do projeto, fala durante o lançamento do Jambo OpenOffice. Foto: Louise Berthilson

A suite de escritório tem quatro componentes: um processador de textos, uma planilha eletrônica, um criador de apresentações, e um programa de desenho. O trabalho exigiu que 18 mil cadeias de palavras (strings) inglesas, compostas de uma ou muitas palavras, a maioria sem nenhum equivalente direto em suaile, fossem traduzidas. Como parte do trabalho de tradução, a equipe desenvolveu um glossário de 1.500 palavras técnicas em suaile. A suíte de escritório também inclui um verificador de ortografia com um dicionário léxico de 70.000 palavras.

O suaile não é a única língua africana para a qual OpenOffice está a ser traduzido. Segundo Ethan Zuckerman, do Harvard University's Berkman Center for Internet and Society (Centro Berkman para Internet e Sociedade da Universidade de Harvard), o OpenOffice está em processo de tradução para outras nove línguas oficiais da África do Sul por Translate.org.za. A mesma organização também apóia esforços de tradução para liberar o programa na língua Rwandan Kinyarwanda e Hausa, uma língua muito falada na Nigéria.

Filmagens durante o anúncio e demonstração. Foto: Louise Berthilson

O suaile é falado por aproximadamente 55 milhões de pessoas no mundo inteiro, predominantemente em países da África Oriental, entre eles a Tanzânia e o Quênia.

Entrevista com o coordenador de projeto

Respostas de Alberto Escudero-Pascual, líder do projeto de tradução, a perguntas do wikijornalista Pingswept , no dia 3 de março de 2005.

Pingswept — 100% da suíte foi traduzida para suaile agora?

Escudero — A suite contém mais de 99 % das palavras em suaile. Aquelas que são deixadas em inglês (menos de 100 palavras entre 18 mil) serão traduzidas na próxima versão. Sim, esta versão é totalmente funcional em suaile.

Pingswept — O que gente que somente fala em suaile fazia antes de ser lançada a versão de segunda-feira, quando precisava de um processador de textos? Existe alguma outra alternativa?

Escudero — Nenhuma alternativa. Esta é a primeira versão que algum dia foi lançada de um processador de textos em suaile.

Pingswept — Qual é o grau de utilização que você espera para a suíte? Que tipo de infraestrutura em informática existe no Leste da África?

Escudero — "Espero" que o programa seja instalado em todas as escolas primárias do país. Também espero que o programa seja instalado na maior parte das universidades e faculdades. Temos recebido opiniões positivas deles, todavia isto é uma decisão "bastante política" que está fora de meu (nosso) controle.

Nas escolas secundárias, o inglês é obrigatório, portanto, talvez elas não queiram instalá-lo.

Quanto à África Oriental, ufa! É como perguntar sobre como é a infraestutura em informática na Europa inteira:-D Se você pensar em conectividade, tudo é feito por cadeia de satélites VSAT. A maior parte das redes locais em Dar são baseadas em IEEE 802.11b. Ela é cara para a maior parte das regiões. Todavia já existe uma Internet eXchange em Dar es Salaam onde os ISPs trabalham juntos. As coisas irão sempre melhorar. O programa foi colocado na Internet exchange.

O programa vai se propagar lentamente, mas estou seguro que se espalhará.

Pingswept — O que vem depois? Quantos palavras precisam ser traduzidas numa pequena distribuição Linux, como Knoppix?

Escudero — A equipe tanzaniana começará a traduzir a documentação de treinamento do OO , e em seguida trabalhará com o Firefox. Um desktop Linux poderia vir no ano que vem. Não tenho nenhuma idéia sobre o que teríamos que fazer para traduzir o Knoppix. De qualquer forma, as prioridades devem ser primeiro obter um par de boas ferramentas como OpenOffice e Firefox e criar montes e montes de material de treinamento em suaile.

Pingswept — Como as futuras versões serão compiladas depois de você retornar à Suécia?

Escudero — Desenvolvi uma versão quase automática para atualizar JambOO 1.1.3 em Kiswahili. O UDSM tem o acesso a um dos servidores de construção. Espero uma versão de JambOO, talvez 1.1.4, com todas as correções de bugs, em seis meses. O passo seguinte é migrar para OO 2.0. Não tenho nenhuma idéia clara de como isto acontecerá.

Pingswept — Seria através de uma cópia do Visual Studio em Dar es Salaam?

Escudero — Não. A versão Win32 foi desenvolvida inteiramente na Suécia e na Espanha, durante o Natal de 2004. O novo sistema de construção não precisa do Visual Studio para atualizar as strings suaile.

Pingswept — Como o projeto foi financiado? Como as pessoas podem contribuir para este projeto, ou projetos semelhantes no futuro?

Escudero — A SIDA (Swedish International Cooperation Agency, ou Agência de Cooperação Internacional Sueca) financiou a Universidade de Dar es Salaam e o Instituto da Pesquisa de Kiswahili durante um ano inteiro. A minha companhia IT+46 também foi financiada pela SIDA para apoiar este projeto tecnicamente.

IT+46 contribuiu com 50 % do seu horário de trabalho sem qualquer custo adicional para o projeto.

Pingswept — Quais são os planos para IT +46?

Escudero — O nosso plano foi ficar na Tanzânia só por seis meses e passar toda a tecnologia e treinamento para a universidade, visto que desejamos que eles continuem com o desenvolvimento por si mesmos. Agora, estamos tentando encontrar projetos semelhantes que precisam de ajuda técnica. Há muitas línguas lá fora, afinal.

Fontes

Cobertura do lançamento Linux em dezembro:

Sobre a doação do Visual Studio para a construção da versão Windows, algumas semanas atrás:

Blog sobre palestra em Arusha:

Entrevista com Escudero em outubro de 2004:

Informação geral:

Cobertura antiga pela mídia:

Histórias relacionadas da atuação da Microsoft na África: