Encontro de gerações marca caminhada brasileira no tênis de mesa

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Agência Brasil

23 de agosto de 2019

O cronograma dos Jogos Parapan-Americanos de Lima pôs lado a lado, nessa quinta-feira (22), o mais experiente e a caçula da equipe brasileira. Na mesa 8, o potiguar Ecildo Lopes de Oliveira, de 56 anos, abriu a oitava participação em Parapans, perdendo para o chileno Cristian González, por 3 sets a 1. A paulista Lethícia Rodrigues Lacerda, de apenas 16 anos, foi superada pela maior experiência da também brasileira Jennyfer Parinos e, na mesa 4, perdeu por 3 sets a 1.

Durante as partidas, os atletas não se falaram, mas durante os treinos a troca de experiências e dicas é constante. "É necessária muita força de vontade e determinação para enfrentar as adversárias mais experientes. É difícil? Claro que sim. Mas tem de ir para cima e esperar para ver o que acontece. Sempre digo isso para ela. A Lethícia está aqui com a gente e sabemos que o nível é bastante forte, mais ainda porque a classe dela, que é a 8, não está aqui para que possa jogar de igual para igual. É seguir batalhando, não tem jeito", afirmou Ecildo, ouro por equipes no Parapan de 2007.

A jovem Lethícia destacou a diversidade da equipe nacional. "Somos um time que tem muitas variações de classe, pessoas de várias regiões do país. Convivo com todos eles. Em alguns momentos do treino, o pessoal sempre chega para conversar. Recebo várias orientações, desde posicionamento até a forma de segurar a raquete".

Diferença de idade

Quando Ecildo, que joga na classe 4, começou no paradesporto, Lethícia nem era nascida. Um acidente de carro em 1988 colocou o potiguar na rota do tênis de mesa. "Eu trabalhava com prospecção mineral na Venezuela e acabei batendo em uma rocha. Por muito pouco não morri. Acabei tendo de amputar uma perna na Venezuela e, depois de cinco dias, a outra em Brasília. Poucos meses depois, já estava no paradesporto. E agora gostaria muito de conseguir o título aqui para me aposentar, no ano que vem, lá em Tóquio.

Com limitações no movimento das pernas, Lethícia já faturou o ouro nos Jogos Parapan-Americanos de Jovens em 2017, em São Paulo. Ela começou no esporte aos 7 anos. "Sou uma pessoa muito ativa e quando comecei no tênis de mesa, foi praticamente amor à primeira vista". Nos Jogos Parapan-Americanos ela é a única atleta da classe 8 e está competindo ao lado de atletas da classe 10 e duas medalhistas paralímpicas brasileiras da classe 9 - Danielle Rauen e Jennyfer Parinos. Nos esportes adaptados, quanto maior a numeração da classe, menor a deficiência. “Na próxima, venho mais preparada e, com certeza, vai dar tudo certo”, disse Lethícia.

Influência da família

“A minha família é especial. Estou em casa com três mulheres - duas filhas e minha esposa. Uma de minhas filhas chegou a participar de competições comigo até bem pouco tempo, mas, em função do estudo, teve de sair. Chegamos a representar a AABB lá no Rio Grande do Norte em várias competições. A outra filha ficou fora do Brasil por um tempo, mas agora voltou e sempre que tem um tempinho pega a raquete e está junto comigo. Meu dia é esse: o tênis de mesa e a família", disse Ecildo, que mora atualmente em Natal.

A proximidade da família de Lethícia com o esporte é maior ainda. A mãe, Jane Karla, é bicampeã dos Jogos Parapan-Americanos de 2007 e 2001 no tênis de mesa. E ouro em Toronto, em 2015, no tiro com arco. “Eu sempre via aquilo e achava muito legal até que um dia bateu a vontade de tentar. Está sendo especial demais até agora”.

Como o tiro com arco não faz parte do programa dos Jogos de Lima, Jane Karla ficou em Portugal, onde a família mora, e se comunica com a filha por mensagens eletrônicas. "Ela queria muito estar aqui. Mãe e filhas juntas no meu primeiro Parapan seria lindo. Mas a gente se fala direto, ela me manda mensagens toda hora. Com certeza, minha mãe está aqui com o coração".

Lá em Portugal, quem comanda os treinos de Lethícia é o padrasto Joachin Gogel. "Tenho uma equipe muito boa lá. Posso pegar uma diversidade bem maior de jogo durante a preparação para as competições". Ela não perde, no entanto, a chance de bater bola com a mãe medalhista. “Às vezes, bato uma bolinha com ela, principalmente agora, no fim dos treinamentos para o Parapan. Eu chamava e ela ia. Acho que minha mãe pôde matar um pouco da saudade do tênis de mesa”.

Equipe brasileira

O Brasil tem a terceira maior delegação de tênis de mesa no Peru - 30 atletas. Em 2015, o esporte voltou com 31 medalhas, um desempenho histórico.

Fonte

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