Donald Trump é eleito o novo presidente dos EUA

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Donald Trump.
Foto: Stemoc.

Agência Brasil

Agência VOA

Vitória do republicano Donald Trump surpreendeu o mundo, ao derrotar democrata Hillary Clinton, que contava além do apoio do presidente Barack Obama, como também fora dos Estados Unidos, os artistas e famosos americanos e até partidos de esquerda.

9 de novembro de 2016

O candidato do Partido Republicano, Donald Trump, surpreendeu o mundo nas primeiras horas da manhã (hora da Costa Leste americana) de hoje, ao derrotar a candidata do Partido Democrata, Hillary Clinton, na eleição presidencial dos Estados Unidos na terça-feira (8) encerrando oito anos de governo democrata de Barack Obama.

Donald Trump alcançou os 276 votos de delegados do Colégio Eleitoral na madrugada de hoje, seis a mais do que era necessário (270), depois de uma acirrada disputa com a candidata Hillary Clinton. Trump assegurou maioria em Estados-pêndulo (os chamados swing states em inglês) como a Flórida, Carolina do Norte, Ohio e a Pensilvânia (nos quais as eleições presidenciais costumam ser decididas), como também surpreendeu ganhando outros que eram considerados fortemente democratas como Michigan, Pennsilvânia e Wisconsin.

Nem o voto hispano, com participação tão forte nesta eleição, nem o voto afro-estadounidense (ou afro-americano) ou o voto das mulheres que as pesquisas davam abrumadoramente favorável para os democratas, foi suficiente para compensar o grande número de votantes brancos, especialmente nas zonas rurais, que saíram a votar na última hora e abraçaram o lema de Trump: “Façamos Estados Unidos grande outra vez”.

Logo após o encerramento das votações, a diferença entre Donald Trump e Hillary Clinton já aparecia muito pequena, indicando que as expectativas dos democratas de derrotar facilmente Donald Trump estavam assentadas em bases fora da realidade. A tendência de vitória do republicano ficou mais acentuada às 23h30min de ontem (8), quando o candidato foi declarado vencedor na Flórida. Só aí Trump garantiu 29 votos a seu favor no colégio eleitoral.

Depois disso, quando os votos computados na Carolina do Norte e em Ohio indicavam vitória de Donald Trump, os assessores da campanha de Hillay Clinton começaram a ficar alarmados com a iminente derrota. Toda a estratégia que eles montaram para ganhar em Ohio, que fica na região Centro-Leste dos Estados Unidos, e mais os estados do Sul, fracassou. Ohio é um estado "oscilante", que sempre indica o vencedor das eleições norte-americanas. Restava porém a Pensilvânia, que fica na região Centro-Atlântico. Mas lá também Hillary perdeu e com isso, desmoronou o que restava de estratégia eleitoral dela.

Trump obteve os votos necessários para conquistar um mandato de quatro anos. Ele assumirá o cargo em 20 de janeiro, quando Barack Obama, maior cabo eleitoral de Hillary, encerra seu mandato. Rico empresário do setor imobiliário e ex-apresentador de reality show, Trump capitalizou uma onda de revolta contra Washington para derrotar Hillary, cujo currículo no establishment inclui as funções de primeira-dama, senadora e secretária de Estado dos EUA.

Trump, que apareceu ao lado da família diante de apoiantes empolgados no salão de um hotel de Nova Iorque, disse ser hora de curar as divisões provocadas pela campanha e encontrar o meio termo. A candidata democrata Hillary Clinton disse que ligou para Trump e deu os parabéns pela vitória. A informação foi confirmada por ele, em seu primeiro pronunciamento como presidente eleito. Ele louvou Hillary pelo seu serviço e disse ter recebido uma ligação da rival cumprimentando-o pela vitória.

Vitorioso numa corrida acirrada, na qual as pesquisas de opinião de voto previam um triunfo de Hillary, Trump conquistou o apoio ávido de uma base cujo cerne é formado por trabalhadores brancos sem diploma universitário prometendo ser "o maior Presidente criador de empregos que Deus já criou". "É hora de nos juntarmos como um povo unido", disse o magnata. "Serei Presidente de todos os americanos". Trump já havia classificado sua adversária de "desonesta" repetidamente durante a campanha agressiva de ambos.

No seu discurso de vitória, ele disse que tem um grande plano econômico, que irá duplicar o crescimento econômico dos EUA e conduzir o país num projeto de renovação. Pouco antes do discurso do republicano, o chefe de campanha de Hillary, John Podesta, pediu para aos apoiantes presentes no evento da democrata em Nova Iorque a irem para casa. "Não teremos mais nada para dizer hoje à noite", disse, após ficar atônito com a surpreendente derrota que era dada certa por meios de comunicações.

Reações

Temerosos de que uma vitória de Trump possa causar incertezas econômicas e globais, os investidores mantinham distância de ativos de risco, como as ações, e o dólar norte-americano caía. No pregão overnight, os futuros do índice S&P 500 recuaram 5 por cento e atingiram os chamados níveis de limite mínimo, indicando que não se permitiria que eles fossem negociados abaixo disso até o horário normal do mercado de ações dos EUA nesta quarta-feira. Os mercados financeiros internacionais desabaram em todo o mundo com a notícia da vitória de Donald Trump. O índice Nikkei do Japão caiu mais de 800 pontos, ou seja quase 5%, já no fim do dia. O índice da bolsa de Hong Kong perdeu 650 pontos, ou 2,8%.

Algumas emissoras de televisão nos Estados Unidos mostraram a população mexicana, em praças públicas, acompanhando com preocupação e tristeza a evolução da contagem de votos e já pressentindo a vitória de Donald Trump. O México foi um dos principais alvos dos ataques de Trump ao longo da campanha. Em agosto de 2015, ele defendeu a construção de um muro na fronteira com o México, financiado pelo governo mexicano, para evitar a entrada nos Estados Unidos de imigrantes ilegais e traficantes.

Em setembro de 2016, na tentativa de fazer uma política de boa vizinhança, o presidente do México, Enrique Peña Nieto, convidou o candidato Donald Trump para visitar o país. Trump aceitou o convite e se comportou como chefe de nação e não como candidato, ocupando o centro das atenções do cerimonial mexicano e colocando Peña Nieto em segundo plano. A visita de Trump acabou sendo um constrangimento para o presidente mexicano, que recebeu muitas críticas da oposição.

Enquanto isso, o peso mexicano (que já apresentava um comportamento frágil quando o candidato republicano subiu nas pesquisas durante a campanha) agora caiu para um mínimo de oito anos atrás (2008), início da Crise Internacional, de acordo com a agência de notícias Bloomberg. As aplicações financeiras estão se transferindo para o ouro. O peso mexicano está em queda livre.

Biografia

Nascido em 14 de junho de 1946 no bairro nova-iorquino do Queens, Trump é o quarto dos cinco filhos de Fred Trump, um construtor de origem alemã, e Mary MacLeod, uma dona de casa de procedência escocesa. Casou-se em 2005 com Melania Trump. Antes disso, ele foi casado e se divorciou de Maria Trump e Ivana Trump. Com Melania, tem um filho chamado Barron. Com Maria, a filha Tiffany, com quem se reconciliou recentemente, depois de um relacionamento conturbado. Com Ivana, ele tem três filhos, Eric, Ivanka e Donald, que ocupam funções de comando em suas empresas.

Fred Trump morreu aos 93 anos, em 1999, deixando para Donald uma fortuna de US$ 250 milhões. Porém, os biógrafos consideram que Donald Trump já era milionário 20 anos antes, quando iniciou a compra de vários edifícios em Nova York. Essa foi uma fase ascendente da vida do empresário porque ele comprou, em 1983, um antigo prédio que depois se transformou no Trump Tower, e também o Trump Plaza, e vários cassinos em Atlantic City, no estado de Nova Jersey.

Histórico

A vitória de Trump encerra uma das campanhas mais polarizadas da história recente dos Estados Unidos. A campanha foi marcada por acusações mútuas, envolvendo a vida pessoal dos candidatos e atingiu o auge em setembro, quando um vídeo-áudio em que aparece só a imagem ônibus dele, gravado em 2005, mostrava o candidato do Partido Republicano usando palavras desrespeitosas para se referir às mulheres. Após o episódio, vários republicanos que o apoiaram, mesmo contragosto, anunciaram a retirada do apoio e alguns doadores chegaram a exigir devolução do dinheiro doado. Já Trump, se defendeu com pedido de desculpas pelo fato declarado há 11 anos atrás e criticou a divulgação do vídeo no momento da corrida presidencial. O resultado eleitoral surpreende porque contraria as últimas pesquisas que mostraram Hillary Clinton com ligeira folga na liderança da corrida eleitoral.

O caminho até diante será difícil. Trump ganha sobre um país politicamente dividido e tenso racialmente. Um país na encruzilhada enquanto a sua composição demográfica, porém para o que Trump havia prometido construir um muro fronteiriço, expulsar a 11 milhões de indocumentados (ou ilegais) e deter a chegada de muçulmanos e refugiados. No entanto, o tal muro já existe desde a época de Bill Clinton, interrompido parcialmente por George Bush, mas reforçado por Obama, que por vez, seu governo bateu recorde de ilegais deportados do que quatro presidentes anteriores.

Existe outras promessas de campanha que foram tomadas como divisivas e que falta ver como se resolverem: desfazer o que se fez durante os anos de Barack Obama em relação ao cuidado da saúde, revisar os tratados de livre comércio e fortalecer o Exército e a posição dos Estados Unidos nos lugares conflitivos do mundo. Seus simpatizantes seguramente continuarão pedindo a ordem de prisão a Hillary Clinton.

A grande vantagem de Trump será que o Partido Republicano manterá o controle da Câmara de Representantes (o Parlamento americano) e o Senado, com eles, poderão eleger um juiz conservador como o membro da Corte Suprema que faz falta. Isto deverá facilitar la governabilidade e acabar o bloqueio que durante los últimos anos paralisou Washington.


Fontes

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