Covid-19: 30 dias depois do início da vacinação, imunização segue lenta no Brasil; das doses disponíveis, pouco mais de 40% foram aplicadas

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18 de fevereiro de 2021

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Com a distribuição das vacinas covid-19 tendo iniciado oficialmente no dia 18 de janeiro passado, um dia após a Anvisa anunciar a liberação para uso emergencial das vacinas CoronaVac e ChAdOx1, e com muitos governadores tendo pessoalmente ido a São Paulo para retirar as primeiras cargas ainda naquela dia, a ansiedade de algumas autoridades, no entanto, parece ter se restringido a isto, já que apesar do Ministério da Saúde (MS) ter distribuído mais de 11.800.000 doses dos imunizantes, apenas 4.583.000 foram aplicadas efetivamente, o que significa pouco mais de 40%. Os dados são do Localiza SUS (acesse aqui).

Já de acordo com o Consórcio dos Veículos de Imprensa, divulgados na seção Bem Estar do G1, 5.505.049 de doses foram aplicadas.

Discrepância entre municípios

Em várias cidades, como nas capitais Salvador, Rio de Janeiro e Cuiabá, as vacinas já acabaram, enquanto em outras, como Porto Alegre, há vacinas e pouca procura. "A manhã de quinta-feira (18) teve baixo movimento nos postos de saúde de Porto Alegre para a vacinação contra o coronavírus. Pouco depois das 8h, a GZH esteve no Centro de Saúde Modelo, nos postos Santa Marta e Santa Cecília e, em todas as unidades, não havia ninguém esperando", reportou a Gaúcha ZH no início desta tarde.

A discrepância entre as vacinações acontece, segundo especialistas, porque não houve uma coordenação do MS com as Secretarias Estaduais e Municipais. Sem um programa pronto, em muitos estados os governadores delegaram aos municípios os programas de vacinação, desde que obedecendo à ordem dos grupos prioritários, que começou com os profissionais de saúde - em alguns locais, por exemplo, municípios optaram por vacinar até os profissionais que não trabalham na linha de frente, atendendo em consultórios privados, o que gerou diversas críticas - e depois os idosos, por faixas etárias.

Alguns também optaram por guardar imunizantes para aplicar a segunda dose da vacina para que a imunização fique completa. Por isto, boa parte das vacinas pode não ter sido ainda aplicada.

Descontente com a situação, a Frente Nacional de Prefeitos emitiu uma nota no dia 16 passado onde chamou a atuação do MS de "equívoco". "A entidade exige resposta do Governo Federal para um cronograma de prazos e metas para a imunização", dizia parte do comunicado.

Falta de vacinas

Outro problema que atrapalha a agilidade na vacinação é a falta de vacinas. O Butantan e a Fiocruz devem entregar milhões de novas doses nas próximas semanas, mas ainda assim os estados e cidades não sabem exatamente quantas doses podem ter disponíveis em março, em abril e assim sucessivamente. E esta, segundo os especialistas, é outra falha que pode ser creditada ao MS.

Para a Rede Brasil Atual o infectologista Hélio Bacha, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e doutor pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), disse: "eu imaginava que isso pudesse ocorrer. Nada foi feito para que tivéssemos vacina. Houve uma política deliberada de se esperar que a própria doença imunizasse por efeito de rebanho. É claro que isso não ocorreu, e então ficamos numa desvantagem perante o mundo muito grande."

Gonzalo Vecina Neto, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e fundador e primeiro presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), repetiu hoje para a BBC o que já vem falando há semanas: que o Brasil tem condições de vacinar milhões de pessoas por dia, por semana e por mês.

"Temos hoje 38 mil unidades básicas de saúde com pelo menos uma sala de vacinação com geladeira especializada em módulos, que conserva a temperaturas de 2 a 8 graus. Na pior das hipóteses, se consegue vacinar 10 pessoas por hora. Se vacinarmos 10 pessoas por hora, num dia de trabalho de 8 horas, dá 80 vacinas. Então, eu tenho condição teórica de vacinar 3 milhões de pessoas por dia útil. Isso para 20 dias úteis, tenho condições de vacinar, em um mês, sem fazer muito esforço, 60 milhões de pessoas", explicou para a publicação.

Segundo o MS, o país deve receber, até o final do ano, 364,9 milhões de doses de vacinas adquiridas junto ao Butatan, à Fiocruz e com o consórcio internacional Covax Facility, ligado à Organização Mundial da Saúde (OMS).

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