Catalunha realiza referendo sobre independência, apesar ser declarada inconstitucional e a repressão policial pela Espanha

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Os eleitores dum colégio eleitoral na Catalunha.

1 de outubro de 2017

Hoje, os cidadãos catalães decidem em um referendo se "independizam" ou não da Espanha nas 2315 zonas eleitorais. No domingo, às nove horas, foi aberta oficialmente os locais para o referendo sobre a independência da Catalunha. Com este referendo, a Catalunha quer se tornar um Estado independente. Milhares de separatistas votaram em massa nos locais de votação. Cinco milhões serão elegíveis para as eleições, quando perguntados: "Você quer a Catalunha seja um Estado independente sob a forma de República?".

Longas filas para os locais de votação.

Mas essa situação não é contemplada pelo Tribunal Constitucional espanhol, que o considerou inconstitucional por violar a legislação espanhola e proibiu o governo de Catalunha realizar este referendo de independência. Os juízes formam a decisão com a indivisibilidade legalmente ancorada do Estado espanhol. O governo central espanhol sediado em Madri (sob respaldo do Tribunal Constitucional) se opõe à secessão, por considerar a convocação do referendo ilegal.

Pessoa ferida no olho após reação policial na rua Sardenya em Barcelona.
Foto: Foto de Robert Bonet para eldiario.es, através da Wikimedia Commons.

O governo espanhol liderado pelo primeiro-ministro Mariano Rajoy considera que nenhum referendo ocorreu hoje. Rajoy mandou enviar 26 mil policiais espanhóis para a Catalunha para impedir que o povo catalão votasse, como resposta à violação constituicional. As unidades de polícia locais não conseguiram fechar todas as zonas eleitorais, apesar dos locais de votação serem tomados por policiais, onde quer que esteja não poderia ser possível. Antes do início da votação, o Tribunal Superior de Justiça da Catalunha ordenou à polícia local, os Mozos de Escuadra, sequestrar e fechar os locais de votação, mas essa ordem foi desobedecida pela mencionada força de segurança.

Carles Puigdemont i Casamajó (imagem de arquivo)

Em alguns locais de votação, as unidades de polícia federal enviadas de Madri (os guardas civis e a polícia da Espanha) recorreram ao uso da violência ao atacarem indiscriminadamente os eleitores para impedir que votem pacificamente, com uso de cacetes, balas de borracha, apreender o material de votação (como sequestro e confisco de urnas eleitorais) e impedindo a entrada nos lugares de votação, em alguns casos, provocando várias pessoas feridas ou detidas.

Em outra escola de Barcelona, os agentes federais sequestraram as urnas, forçando os bares e a porta de entrada ao complexo educacional e exerceram violência sobre os presidentes da mesa para apanhar as urnas e as cédulas eleitorais, os policiais que levaram às autoridades da mesa o material das mãos. Também na mesma cidade, a polícia disparou balas de borracha contra a multidão. Os agentes acabaram de tomar as urnas, mas foram detidos pelos manifestantes.

Durante as acções em Barcelona e diversas cidades, a Guarda Civil e o Corpo Nacional de Polícia anunciaram terem apreendido 10 milhões de cédulas. A prefeita de Barcelona, Ada Colau, chamou Rajoy de "primeiro ministro preguisoso". Ela pediu ao governo espanhol que recorde todas as policiais: "As acções da polícia contra cidadãos pacíficos devem parar", escreveu ela no Twitter.

O primeiro-ministro da Catalunha, Carles Puigdemont i Casamajó, autorizou horas antes que os cidadãos catalães pudessem votar em qualquer colégio antes de um checagem no sistema eleitoral informático que ainda não havia votado ainda e se apresentou a emitir seu voto em Cornellá del Terri. Teve que fazê-lo porque o lugar original onde ele deveria votar (em um corredor de esportes em Gerona esta manhã às 9hs30min) foi fechado pela Guarda Civil que formou um cordão em seu ingresso para impedir que ingressarem pessoas nesse lugar, ele foi transferido para outro local e já votou lá.

O serviço de polícia catalão Mossos d'Esquadra permaneceu surpreendentemente ausente e não concordou com os ataques da Guardia Civil. Alguns corpos de Mossos d'Esquadra protegiam os cidadãos catalães de uma possível invasão da Guarda Civil nas cabines de votações. Além disso, às vezes ocorreu choque entre as duas forças policiais. Surgiu bagunça entre o povo catalão e seus serviços regionais.

Muitos sistemas TI e sites relevantes na Catalunha foram iniciados na região catalã. O governo catalão anunciou que os eleitores poderiam imprimir sua conta e ir a qualquer mesa de voto, se os votos não fossem permitidos em outros lugares. No entanto, o acesso à Internet foi interrompido por ordem judicial, o que obriga os presidentes de mesa anotarem à mão, o nome do sufrágio. Isso traz possibilita que uma pessoa vote várias vezes em diferentes centros de votação, o que poderá prejudicar a credibilidade do resultado do escrutinio (contagem).

A contagem começou às 20 horas locais, quando a maioria dos locais de votações foram encerradas. Devido ao progresso extremamente caótico, há por enquanto, muito pouco claro sobre o número de votos emitidos. De acordo com o governo catalão, o número de vítimas feridas nos confrontos entre civis e militares catalãs e espanhóis passou para mais de 800. No entanto, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol, só 11 (onze) agentes ficaram feridos.

Tanto a Human Rights Watch quanto a Amnistia Internacional expressaram suas oposições à violência usada pela polícia espanhola. Presidente do Parlamento Europeu, Guy Verhofstadt: "Não quero interferir na política interna da Espanha, mas o que aconteceu na Catalunha no domingo, eu desaprovo fortemente". Já o antigo seleccionador do Barcelona FC, Pep Guardiola, que declarou a favor do referendo:

Desta vez é sobre democracia.

Pep Guardiola

Na véspera do referendo, no sábado (30 de Setembro), os opositores da divisão e os favoráveis estiveram protestando em toda a Espanha. Em frente à prefeitura de Madri, havia milhares de pessoas contra a votação. Eles cantaram: "Separatistas, Terroristas!" e "Viva España!", exigiram a prisão de Carles Puigdemont, primeiro-ministro catalão e membros do Partit Demòcrata Europeu Català (PDC). O Ministério dos Negócios Estrangeiros emitiu aviso para os turistas na região catalã devem, em particular, evitar o encontro das multidões no fim de semana.

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