COVID-19: Declaração distorcida da OMS serviu para desqualificar isolamento

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16 de junho de 2020

Na última semana, uma representante da Organização Mundial da Saúde, a epidemiologista Maria Van Kerkhove, declarou que a transmissão do coronavírus Sars-CoV-2 por pessoas que não manifestam sintomas “é muito rara”, com base em estudos de Singapura, país que tem adotado rigoroso rastreamento de contatos. No dia seguinte, a representante da OMS voltou a se pronunciar e reconheceu que alguns modelos estimam uma taxa de transmissão de 40% no caso de pacientes assintomáticos.

O colunista Paulo Saldiva compartilha que, na realidade, os artigos utilizados como base da declaração indicam o contrário: “Mesmo antes do desenvolvimento de sintomas as pessoas que desenvolvem a doença clínica COVID-19, cerca de dois a três dias antes, já eliminam vírus em quantidade suficiente para contaminar pessoas a seu redor, e recomendam então testagem em massa para que se contenha a epidemia, porque se você só for isolar essa pessoa depois que ela tiver sintomas, você não vai conseguir evitar a transmissão que ela possivelmente causou dois a três dias antes dos sintomas aparecerem”.

Outro caso que pode levar ao equívoco são as pessoas que desenvolvem anticorpos da doença. Dependendo do país, a taxa de anticorpos pode variar, mas o que não se sabe é se essas pessoas que não desenvolveram a doença ao longo do curso natural da infecção pela COVID poderiam ter contaminado outras pessoas. Para o colunista, o equívoco pode ter sido uma estratégia para desvalidar o isolamento: “O que era uma discussão de uma sutileza técnica passou a ser um tempo em que a ignorância tem uma força epidêmica e foi interpretado por ignorância ou por interesses políticos ou econômicos”.

Ouça toda fala de Saldiva em Download do áudio

Fonte

Domínio Público Esta notícia é uma transcrição parcial ou total do Jornal da Universidade de São Paulo.
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