Brasil: contaminações de cervejas da Backer foram muito mais extensas, aponta relatório do Mapa

Origem: Wikinotícias, a fonte de notícias livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

7 de agosto de 2020

Email Facebook Twitter WhatsApp Telegram

O relatório final do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) sobre as contaminações de diversos lotes de cerveja produzidos pela Cervejaria Backer pela substância tóxica dietilenoglicol (DEG), emitido há três dias, no dia 04 de agosto de 2020, contradisse algumas informações anteriores, demonstrando, por exemplo, que as contaminações começaram muito antes do final de 2019 e que aconteceram, neste tempo, em mais de um tanque.

Segundo o Mapa: "o relatório confirma a ocorrência de contaminações desde janeiro de 2019, afastando a possibilidade deste ser um evento isolado no histórico de produção da cervejaria. (...) As apurações fiscais indicaram que a cervejaria Backer adotou práticas irresponsáveis ao utilizar líquidos refrigerantes tóxicos de forma deliberada em seu estabelecimento, utilizando-os em detrimento de alternativas atóxicas, como propilenoglicol e álcool etílico potável. As contaminações por MEG e DEG não estão restritas a lotes que passaram pelo tanque JB 10, ocorrendo também em cervejas elaboradas anteriormente à instalação deste tanque na cervejaria".

"A empresa também possui diversas falhas e lacunas em seus sistemas de controle e gestão internos, apresentando informações incompletas nos relatórios de produção e controles de rastreabilidade ineficientes", enfatizou o órgão.

O Caso Backer

A Cervejaria Backer ficou famosa no Brasil em janeiro de 2020, quando pessoas faleceram e foram internadas em estado grave após consumirem cervejas da marca, especialmente com os rótulos Belorizontina e Capixaba. Investigações posteriores indicaram que vários lotes de outros tipos de cervejas da marca estavam contaminados com monoetilenoglicol (MEG) e dietilenoglicol (DEG), duas substâncias extremamente tóxicas, que provocam danos ao sistema nervoso e aos rins.

As primeiras vítimas deram entrada em hospitais de Belo Horizonte e região entre os dias 27 de dezembro de 2019 e 05 de janeiro de 2020, com sintomas de intoxicação, tendo o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs-Minas) recebido a primeira notificação no dia 30 de dezembro. Já no dia 06 de janeiro de 2020, o Cievs anunciou em nota a internação de ao menos sete pacientes em Minas Gerais e uma força-tarefa foi montada. Os sintomas apresentados pelas pessoas internadas eram: dor abdominal, náuseas, vômitos, insuficiência renal aguda de rápida evolução (até 72 horas) e alterações neurológicas centrais e periféricas.

Foi após a morte do primeiro paciente, Paschoal Dermatini Filho, em 07 de janeiro, que a filha deste, Camila, que é farmacêutica, começou a investigar o assunto. Ela entrou em contato com os familiares de pessoas internadas com sintomas parecidos ao da doença do pai e chegou às cervejas Backer e à substância tóxica, o DEG. Segundo o delegado responsável pelo caso, a pesquisa de Camila foi crucial para as investigações.

A Backer sempre negou que comprasse dietilenoglicol, mas sim MEG, que segundo especialistas, pode se transformar em DEG em condições adequadas para reações químicas.

Onze pessoas foram indiciadas em junho no Caso Backer, incluindo uma testemunha, responsáveis técnicos e os donos da empresa.

Até agora, dez (10) pessoas morreram comprovadamente por terem consumido cervejas contaminadas da Backer, enquanto várias continuam internadas. Outras, que já tiveram alta, tratam sequelas neurológicas.

Notícias Relacionadas

Fontes

Compartilhe
essa notícia:
Email Facebook Twitter WhatsApp Telegram LinkedIn Reddit