Brasil: morre 10ª vítima intoxicada por cervejas produzidas pela Backer

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18 de julho de 2020

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Morreu ontem (18) mais uma vítima de intoxicação por dietilenoglicol, após o consumo de cervejas produzidas pela Cervejaria Backer de Minas Gerais. Marco Aurélio Gonçalves Cotta tinha 65 anos e estava internado em Belo Horizonte há seis meses, tendo passado os últimos 40 dias em coma. Seu caso era irreversível.

Dias antes, no dia 15, outra vítima havia morrido. José Osvaldo de Faria, de 66 anos, ficou internado por mais de 500 dias no Hospital Madre Teresa, em Belo Horizonte.

Cotta é a décima (10ª) vítima fatal no Caso Backer.


O Caso Backer

A Cervejaria Backer ficou famosa no Brasil em janeiro de 2020, quando pessoas faleceram e foram internadas em estado grave após consumirem cervejas da marca, especialmente com os rótulos Belorizontina e Capixaba. Investigações posteriores indicaram que vários lotes de outros tipos de cervejas da marca estavam contaminados com monoetilenoglicol e dietilenoglicol, duas substâncias extremamente tóxicas, que provocam danos ao sistema nervoso e aos rins.

As primeiras vítimas deram entrada em hospitais de Belo Horizonte e região entre os dias 27 de dezembro de 2019 e 05 de janeiro de 2020, com sintomas de intoxicação, tendo o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs-Minas) recebido a primeira notificação no dia 30 de dezembro, conforme nota oficial, que dizia: "diversas hipóteses sobre a provável origem dos casos de síndrome nefroneural estão circulando pelas redes sociais. A SES-MG esclarece, no entanto, que nenhuma dessas foi comprovada pelas investigações".

Já no dia 06 de janeiro, o Cievs anunciou em nota a internação de ao menos sete pacientes em Minas Gerais e uma força-tarefa foi montada. Os sintomas apresentados pelas pessoas internadas eram: dor abdominal, náuseas, vômitos, insuficiência renal aguda de rápida evolução (até 72 horas) e alterações neurológicas centrais e periféricas.

Foi após a morte do primeiro paciente, Paschoal Dermatini Filho, em 07 de janeiro, que a filha deste, Camila, que é farmacêutica, começou a investigar o assunto. Ela entrou em contato com os familiares de pessoas internadas com sintomas parecidos ao da doença do pai e chegou à substância tóxica: dietilenoglicol. Segundo o delegado designado para acompanhar o caso, a pesquisa de Camila foi crucial para as investigações.

A Backer nega que comprasse dietilenoglicol, mas sim monoetilenoglicol, que segundo especialistas, pode se transformar em dietilenoglicol em condições adequadas para reações químicas.

Onze pessoas foram indiciadas em junho no Caso Backer, incluindo uma testemunha, responsáveis técnicos e os donos da empresa.

O dietilenoglicol

O dietilenoglicol, também denominado DEG ou éter de glicol, é um composto orgânico de fórmula química C4H10O3 (dispostos como HO-CH2-CH2-O-CH2-CH2-OH). É um líquido claro, higroscópico e sem odor, que se mistura com água, solventes polares tais como os álcoois e éter.

É tóxico para animais e seres humanos, podendo ser letal.

É usado nas cervejarias, assim como o monoetilenoglicol, em tubos de resfriamento durante o processo de fabricação das bebidas.


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