União Africana manifesta preocupação com xenofobia na China

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18 de abril de 2020

Área de maioria africana em Cantão (abril de 2014)

A União Africana manifestou preocupação com a crescente xenofobia da China em relação a estrangeiros, especialmente negros. As autoridades chinesas negam uma onda de preconceito interracial.

Embora os relatórios oficiais de Pequim relatem uma supressão da epidemia de coronavírus, começaram a surgir registros de que os estrangeiros estão sendo evitados, eles são proibidos de permanecer em locais públicos e também são despejados. O motivo é o medo da possibilidade de uma segunda onda da pandemia de COVID-19.

No mês passado, a China proibiu a entrada para quase todos os estrangeiros. Hoje, funcionários do governo e meios de comunicação estatais enfatizam que a maioria das novas infecções por SARS-CoV-2 são "importadas". No entanto, muitas vezes não é mencionado que muitos dos que chegam ao país são cidadãos chineses voltando para casa.

A cidade de Cantão, caracterizada por uma significativa população africana, tornou-se líder no número de relatos de racismo. Nos últimos dias, a população negra[1] começou a denunciar via Twitter e Facebook que estavam sendo despejados de casas e hotéis, e também eram proibidos de entrar em locais públicos. Ao mesmo tempo, um grupo de apoio africano foi formado na cidade, ajudando-os a encontrar um hotel que concordasse em recebê-los.

Alguns casos de discriminação receberam ressonância significativa. Em particular um vídeo viral mostrando um pôster proibindo negros de entrarem no McDonald's. O caso foi confirmado pela empresa que afirmou que o pôster "não reflete nossos valores inclusivos". Em resposta a uma solicitação do USA Today, o McDonald's também disse que fechou o restaurante em Cantão por "comunicação não autorizada com nossos clientes" e planeja treinar seus gerentes e funcionários "em nossos valores, incluindo o atendimento a todos os membros das comunidades em que trabalhamos".

Além disso, em Pequim e Xangai, os estrangeiros já estão proibidos de acessar várias lojas e academias. "Não aceitamos temporariamente amigos e pessoas estrangeiras com temperaturas acima de 37,3° C", diz a mensagem na porta do cabeleireiro perto do distrito comercial central de Pequim. Respondendo a uma pergunta dos jornalistas do The New York Times, o funcionário do salão afirma que não vê discriminação.

Na terça-feira, o Departamento de Polícia de Cantão e autoridades de saúde pública disseram a repórteres locais que havia um boato na cidade de que "300 mil negros... causaram a segunda onda da epidemia". Os próprios funcionários dizem que esses rumores são falsos.

Os ocorridos já provocaram condenação de autoridades africanas, que os repórteres do The New York Times consideraram "extraordinariamente severos" — observando os estreitos laços econômicos da África com a China. No sábado passado, o ministro das relações exteriores do Gana criticou o "tratamento desumano" dos africanos na China. Ao mesmo tempo, um grupo de dezenas de embaixadores africanos escreveu uma carta ao ministro das relações exteriores da China, condenando o "estigma e discriminação".

Musa Faki Mahamat, Presidente da Comissão da União Africana, chamou o embaixador chinês em 11 de abril, "para expressar nossa maior preocupação com as alegações de maus-tratos a africanos em Cantão". Ele também pediu às autoridades que tomem imediatamente "medidas corretivas". O presidente da Câmara dos Representantes da Nigéria, Femi Gbadzhabiamila, também criticou a "tratamento desumano" que os africanos enfrentaram em sua conversa com o embaixador da China.

Durante a luta contra o coronavírus, o governo chinês atribuiu grande importância à vida e à saúde de cidadãos estrangeiros na China. Todos os estrangeiros são tratados da mesma forma e rejeitamos o tratamento diferenciado.

— Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian

As autoridades chinesas dizem que as medidas de prevenção de surtos se aplicam igualmente a chineses ou não. Um editorial recente do jornal estatal China Daily negou a existência de discriminação contra estrangeiros — ao mesmo tempo em que “alguns estrangeiros preferem negligenciar as regras chinesas”.

Fontes

Notas

  1. Segundo dados oficiais são 15 mil pessoas
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