Trump ataca livro de seu ex-assessor Bolton

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19 de junho de 2020

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O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, iniciou um ataque com toda força ontem (18) contra seu ex-conselheiro de segurança nacional John Bolton, depois que Bolton, num livro, chamou o líder dos EUA de comandante-chefe “errático” e “incrivelmente desinformado”.

Trump, em uma série de comentários mordazes no Twitter, chamou o livro de Bolton de “uma compilação de mentiras e histórias inventadas, todas destinadas a me fazer parecer mal. Muitas das afirmações ridículas que ele me atribui nunca foram feitas, pura ficção. Só estou tentando vingá-lo como o cachorro doente que ele é!"

Trump raramente reconheceu erros durante seus três anos e meio de presidência, mas ontem twittou que num ponto no período de 17 meses de Bolton na Casa Branca em 2018 e no ano passado ele "deveria tê-lo demitido naquele momento e ali!" Ele disse que Bolton "estupidamente" fez comentários sobre a Coréia do Norte em um noticiário que complicaram as negociações com o ditador Kim Jong Un.

Ordem judicial é solicitada

A Casa Branca solicitou uma ordem judicial para tentar impedir a publicação do livro, agendada para a próxima semana, alegando que ele contém informações confidenciais sobre a segurança nacional que devem ser mantidas em sigilo, apesar de vários meios de comunicação dos EU já terem obtido cópias antecipadas e, ainda na quarta-feira, terem divulgado parte dos textos publicados no livro.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Kayleigh McEnany, disse ontem que a decisão de Bolton de continuar com o lançamento da obra é "absolutamente terrível" e "desprezível". Ela disse também que é "falsa" o que talvez seja a acusação mais condenatória de Bolton, de que Trump procurou ajuda do líder chinês Xi Jinping em junho de 2019, durante um encontro do G20, para vencer a próximas eleições nacionais, marcadas para novembro deste ano.

Revelações

Bolton, que recebeu um adiantamento de US$ 2 milhões por seu livro, disse que Trump pediu a Xi para que o líder chinês comprasse mais produtos agrícolas dos EUA para ajudá-lo a ganhar mais apoio em estados rurais.

Bolton disse que Trump “surpreendentemente mudou o rumo da conversa para as próximas eleições presidenciais dos EU, aludindo à capacidade econômica da China de afetar a campanha em andamento, implorando a Xi a garantia da vitória. Ele ressaltou a importância dos agricultores e o aumento das compras chinesas de soja e trigo no resultado eleitoral. Eu escrevi as palavras exatas de Trump, mas o processo de revisão pré-publicação do governo decidiu o contrário”.

Baseado no relato de Bolton, o oponente democrata de Trump nas próximas eleições, o ex-vice-presidente Joe Biden, acusou o atual líder dos EU de estar “disposto a trocar nossos valores democráticos mais queridos pela promessa vazia de um acordo comercial frágil, para salvá-lo de sua guerra tarifária desastrosa que causou tanto dano a nossos agricultores, fabricantes e consumidores". "Se essas conversas forem verdadeiras", disse Biden em comunicado, "não é apenas moralmente repugnante. É uma violação do dever sagrado de Donald Trump com o povo americano, de proteger os interesses dos EUA e defender nossos valores".

Com base em suas conversas com Trump e observando-o em reuniões, Bolton alegou que Trump pensava que a Finlândia fazia parte da Rússia e não sabia que a Grã-Bretanha possuía armas nucleares. Bolton disse também que o secretário de Estado Mike Pompeo lhe passou uma nota depreciativa de Trump em termos vulgares no meio de suas conversas com Kim, da Coréia do Norte, durante a cúpula de 2018 em Singapura.

Bolton também escreve que Trump não sabe administrar a Casa Branca e que sempre procura oportunidades de "aparecer na TV".

Fontes

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