Testemunha levanta dúvidas sobre envolvimento de ex-secretário das Nações Unidas com Saddam Hussein

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15 de julho de 2006

O depoimento de uma testemunha durante o julgamento de um homem de negócios sul-coreano acusado de ter feito trabalhos ilegais para o governo de Saddam Hussein levanta dúvidas sobre o ex-secretário-geral das Nações Unidas (ONU) Boutros Boutros-Ghali.

No dia 30 de junho houve o julgamento de Tongsun Park, 70 anos, homem de negócios sul-coreano. Park enfrenta acusações que podem levá-lo a cumprir até 12 anos na prisão. Ele é acusado pela Promotoria de Nova Iorque de ter trabalhado como um agente do governo iraquiano sob o regime de Saddam Hussein, antes e depois da criação do programa das Nações Unidas Petróleo por Alimentos, na década de 1990.

Segundo os promotores distritais, Saddam Hussein supostamente teria pago 2,5 milhões de dólares em dinheiro vivo para Park subornar autoridades das Nações Unidas, entre elas Boutros Boutros-Ghali, secretário-geral da organização no período 1992-1996. Em troca o sul-coreano seria beneficiado em negócios com o governo iraquiano.

De acordo com os promotores Tongsun Park teve a ajuda de um outro homem de negócios, americano-iraquiano, conhecido como Samir Vicent.

Samir Vicent declarou-se culpado da acusação de que teria trabalhado ilegalmente para o governo de Saddam num acordo com a promotoria a fim de ter uma sentença menor. Segundo a promotoria, Vicent admitiu ter recebido mais de 9 milhões de barris de petróleo entre 1996 e 2003. Também confessou ter sido consultor do regime iraquiano em 1992, além de ter pressionado autoridades do governo americano e das Nações Unidas para que fosse implantado o programa Petróleo por Alimentos e removidas as sanções internacionais contra o Iraque.

Samir Vicent disse ao tribunal durante o julgamento de Park que ele e o coreano estiveram por trás da manipulação do programa Petróleo-por-Alimentos.

Vicent declarou que teria recrutado Tongsun Park em 1992 por causa da sua suposta proximidade com o então secretário-geral da ONU Boutros Boutros-Ghali.

Vicent afirmou para o júri que Park exigiu do governo iraquiano de Saddam 10 milhões de dólares "para cuidar de algumas pessoas" e acrescentou que acredita que uma dessas pessoas seria o secretário-geral Boutros-Ghali.

Samir Vicent também disse para a corte que no mesmo ano em que foi criado o programa Petróleo por Alimentos, o Iraque reservou 15 milhões de dólares e enviou cerca de 3 milhões para Nova Iorque.

Os promotores não podem provar que dinheiro iraquiano chegou até Boutros-Ghali o qual já negou ter sido subornado, além de dizer que nunca se encontrou com Samir Vicent.

Samir Vicent, por sua vez, disse que já esteve com o secretário-geral Boutros-Ghali na sua residência oficial.

Vicent alega ter guardado as anotações das trocas de favores entre o governo iraquiano e o então secretário-geral. Numa dessas notas está descrita uma suposta tentativa de Boutros-Ghali para neutralizar inspetores de armas das Nações Unidas no Iraque. Segundo a anotação, o secretário-geral supostamente disse numa ocasião: "Sempre suspeitei que Ekeus [Rolf Ekeus, chefe dos inspetores de armas da ONU] tinha ligações com os EUA. Ainda não descobri uma forma para neutralizá-lo, mas descobrirei logo". Em resposta o Iraque teria enviado a seguinte mensagem para Boutros-Ghali:"O Iraque aprecia o que foi feito e as negociações futuras serão mais brandas".

O advogado de Tongsun Park disse que seu cliente é apenas um homem comum e negou as acusações do promotor.

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Referências

Fontes