Sistema de Estimativa de Emissão de Gases será replicado pelo Peru

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10 de dezembro de 2014

Peru

A metodologia do Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa (Seeg), aplicado no Brasil pelo Observatório do Clima - rede brasileira de organizações não governamentais e movimentos sociais que atuam na agenda de mudanças climáticas no país - será replicado pelo Peru. O anúncio foi feito esta semana, durante a 20ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (COP-20), que ocorre desde o último dia 1º em Lima, capital peruana, e se estenderá até o próximo dia 12.

O governo do Peru vai utilizar as planilhas criadas pelo Seeg, aplicando os dados referentes às emissões naquele país, em substituição aos dados brasileiros. O Seeg foi apresentado em evento paralelo à COP-20 e revelou que o Brasil emitiu, no ano passado, 1,57 bilhão de toneladas de gás carbônico, o mais alto índice desde 2008, com aumento de 7,8% em relação a 2012.

Falando hoje (10) à Agência Brasil, o coordenador geral do Observatório do Clima, André Ferretti, destacou que o Seeg disponibiliza dados importantes sobre as emissões de gases de efeito estufa (GEEs) no Brasil, desde 2012, o que possibilita que a sociedade tenha condições de discutir o tema e propor alternativas e soluções. “As pessoas podem, inclusive, cruzar os dados e fazer as análises que achar mais interessantes”.

Ele admitiu que existe a possibilidade de o sistema vir a ser adotado por países da América Latina e de outros continentes. “O Peru está sendo o primeiro país a replicar o Seeg e nos próximos dias vai disponibilizar os dados das estimativas do país para 2013. Isso estará disponível no site www.seeg.eco.br. Estamos também conversando com pessoas e instituições de outros países, como Índia e Indonésia. Sempre há muito interesse de instituições de outros países em elaborar algo semelhante”, ressaltou.

Ferretti observou, porém, que além da vontade de fazer isso, são necessários recursos para custear a busca das informações e sua inserção nas planilhas criadas pelo Seeg. “O sistema já está desenvolvido, mas é preciso coletar os dados e inserir nas planilhas”, disse ele, e informou que já há, inclusive, governos estaduais do Brasil interessados em aplicar o sistema para todos os municípios. Caso do governo do Amazonas, citou.

Segundo Ferretti, o Seeg é um instrumento importante para estimular a elaboração de novas políticas públicas ou o aperfeiçoamento de políticas existentes, que podem gerar redução de emissões. “A importância do Seeg é muito na linha da democracia e da transparência, porque ele gera informações de qualidade, com defasagem de tempo muito curta. Tem menos de um ano de defasagem das informações, alimentando todos os setores da sociedade com dados que podem ser usados para vários fins, inclusive análises que podem permitir a implementação rápida de políticas que ajudem o país a caminhar para uma sociedade de baixo carbono, que é o que todos esperamos”, acescentou.

O coordenador do Observatório do Clima não vê, entretanto, perspectiva de mudanças nas tendências de emissões de gases de efeito estufa nos próximos anos. “Elas devem continuar crescendo no Brasil e no mundo, como vem acontecendo nos últimos anos”. A expectativa, sustentou, é que o mundo consiga sair da COP-21 - em Paris, França, em dezembro de 2015 - com um novo acordo global do clima, cuja entrada em vigor está prevista para janeiro de 2021. “Não vai ser fácil”, disse ele, devido à existência ainda de “muitas lacunas e divergências que predominam em alguns países que participam da COP-20”.

Ferretti criticou o fato de muitos países ainda pensarem “no próprio umbigo” e não no interesse comum, no sentido de avaliarem apenas o que vão perder ou ganhar com o novo acordo que substituirá o Protocolo de Quioto. “É preciso uma mudança de paradigma”, defendeu. “Que isso mude em Paris, no ano que vem, e que os chefes de Estado liderem as suas equipes - diplomatas e técnicas - para buscar entendimento global que estimule toda e qualquer instituição, país, pessoa, empresa a reduzir as emissões.”

No caso do Brasil, em especial, o coordenador do Observatório do Clima salientou que há muita coisa que pode ser feita para reduzir as emissões. “O Brasil tem perdido um pouco o bonde, aumentando o consumo de combustíveis fósseis na geração de energia e no setor de transporte, tem deixado o desmatamento voltar a crescer na Amazônia e tem deixado de investir em fontes de energia mais sustentáveis como a eólica (geração a partir dos ventos) e a solar”, apontou.

Ele sustentou a necessidade de a sociedade mundial pressionar seus governos pela redução das emissões, porque é a sociedade que sofre no dia a dia as consequências das mudanças climáticas. Ele espera que 2015 seja um ano de mais pressão para que se chegue a um acordo global.

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