Seis Países Árabes rompem relações diplomáticas com Catar

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Doha, a capital do Catar.
Foto: StellarD.

Agência Brasil

5 de junho de 2017

De ontem à noite (domingo, 4) até manhã de hoje (segunda, 5), seis Países Árabes (Arábia Saudita, Egito, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Iêmen e Libia) romperam relações diplomáticas com o Catar, ao qual acusam de criar instabilidade no Oriente Médio e norte da África, inclusive apoiar e promover organizações terroristas.

Localização do Catar na Península Arábica.

Alguns Países Árabes fazem parte do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), criada após os eventos da Primavera Árabe: Catar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Arábia Saudita, Kuwait e Omã. Só Catar, Kuwait e Omã mantém ótimas relações com o Irã, pois o restante mantêm relações tensas com o país persa.

A tensão começou a subir, aconteceu há duas semanas, quando na mídia estatal catari, Al Jazeera, apareceu umas declarações do emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Zani, nas que criticava fortemente a Arabia Saudita. Estas declarações foram sinalizadas pelo governo do Catar como falsas e sua publicação é resultado de "um desavergonhado crime cibernético".

Os países do Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Bahrein) de imediato fecharam qualquer acesso terrestre, marítimo e aéreo com Catar proibindo à empresa aérea estatal, Qatar Airways, utilizar o espaço aéreo destes países ou fechada a qualquer pessoa ou veículo cruzar a fronteira entre Arábia Saudita e Catar. Foi dada 48 horas aos diplomatas e 14 días aos cidadãos cataris respectivamente para abandonarem Bahrein.

Porém, as verdadeiras razões segundo os governos que romperam relações diplomáticas, são os supostos vínculos de Doha com grupos extremistas e dar apoio às milicias, os mesmos apoiados pelo Irã, grande inimigo regional da Arabia Saudita.

Rompimentos[editar]

O governo de Bahrein foi o primero a cortar as relações diplomáticas com Catar. O país árabe decidiu romper relações porque o Catar "financia o terrorismo", que está associado com o Irã, informou a agência oficial barenita BNA.

Da mesma forma que o Bahrein, os Emirados Árabes Unidos (EAU) decidiu romper relações porque o Catar financia grupos terroristas. EAU reiteraram o seu compromisso e apoio aos países do Golfo e acusaram o Catar de "minar a segurança e a estabilidade da região, bem como de descumprir os compromissos e acordos internacionais", segundo a agência oficial de notícias WAM.

Da mesma forma dos vizinhos, a Arábia Saudita decidiu romper relações. "O governo do Reino (saudita) decidiu romper relações diplomáticas e consulares com o Estado do Catar e fechar todos os portos terrestres, marítimos e aéreos" para meios de transporte de nacionalidade catariana, segundo a agência oficial saudita, SPA.

No Egito, seguindo a mesma acusação dos árabes, o país acusou o emirado do Catar de "apoiar as operações terroristas no Sinai e de intervir nos assuntos internos do país e dos países da região, de modo a ameaçar a segurança nacional árabe e favorecer as diferenças dentro das sociedades árabes".

Na manhã de hoje, foram a vez do Iêmen (no Oriente Médio) e a Líbia (norte da África) a romperem relações diplomáticas com o Catar. Os governos dos países (que são reconhecidos internacionalmente) estão em guerras civis desde 2014 (após atravessarem três anos de instabilidade após a Primavera Árabe em 2011), acusam o Catar de apoiar grupos terroristas e rebeldes que controlam partes desses países.

O Governo do Iêmem enfrenta grupos Houtri (grupo religioso que segue islamismo xiita, acusado ser apoiado pelo Irã, na qual nega esse apoio) que controla a capital Sanaa e oeste do país, a Al Caeda e o Estado Islâmico (ambos considerados grupos terroristas que seguem o islamismo sunita) que controlam o centro do país e algumas áreas litorâneas.

O Governo da Líbia instalado no leste enfrenta dois grupos: os islâmicos líbios sunitas (acusados de serem apoiados por Catar, na qual nega esse apoio) que controla a capital Trípoli e oeste do país; o Estado Islâmico que chegou a controlar costa litorânea no norte do país e algumas cidades isoladas no leste, aproveitando a desordem do país, até serem derrotados na batalha de Sirte, mas que continua atuando em áreas isoladas.

Reações[editar]

Irã[editar]

O governo iraniano afirmou hoje (5) que a única forma de solucionar a crise entre Catar e outros países árabes é mediante "um diálogo transparente e franco". Em comunicado, o Ministério de Exteriores iraniano indicou que "a atual ruptura entre Catar e várias nações árabes não beneficia nenhum país do Oriente Médio".

"Os vizinhos do Irã devem resolver este assunto por meios políticos e pacíficos", disse o porta-voz de Exteriores iraniano, Bahram Qasemi. Ele expressou a preocupação do Executivo em Teerã com aumento da tensão na região e disse ter esperanças de que as diferenças sejam resolvidas "o mais rápido possível".

"A República Islâmica do Irã faz um apelo a todos os países vizinhos que participam da atual disputa para que estudem as amargas experiências da região", acrescentou Qasemi, citando como problemas do Oriente Médio o terrorismo e a ocupação israelense da Palestina.

Ele pediu para que os países em questão se abstenham de "reações emocionais" e mostrem "prudência e contenção para aliviar a crise. A manutenção da soberania nacional e a integridade territorial dos Estados independentes, a não ingerência nos seus assuntos internos e o respeito às fronteiras internacionais reconhecidas (...) devem ser respeitado por todas as partes", destacou.

Arábia Saudita[editar]

Arábia Saudita decidiu fechar o escritório da rede de televisão catariana Al Jazeera no país e revogar sua licença, horas depois que o reino ter cortado as relações diplomáticas com o Catar.

A agência estatal de notícias saudita SPA informou que o Ministério de Cultura e Informação do país além de fechar a sucursal também retirou a permissão para a emissora operar na Arábia Saudita.

A medida foi tomada, segundo as autoridades sauditas, porque a Al Jazeera "promoveu planos de grupos terroristas e apoiou os rebeldes houthis no Iêmen", explicou a agência.

Além disso, o governo saudita responsabilizou a rede de TV do Catar por tentar romper sua unidade nacional e agir contra a soberania do reino.

Egito[editar]

O Egito que cortou as relações diplomáticas, adotou medidas contra Al Jazeera em 2013, ao fechar o escritório local da emissora e desde então, perseguia os funcionários da emissora por seu apoio à Irmandade Muçulmana.

Na época, Catar foi acusado de apoiar grupos terroristas, entre eles a própria Irmandade Muçulmana, que governou o Egito em 2012 e 2013, quando foi derrubado em Golpe de Estado por militares, em meio aos caos político e social.

Desde então, passou a enfrentar ataques terroristas praticados pela Irmandade Muçulmana e agora pelo Estado Islâmico, apesar da grande repressão governamental.

Iêmen[editar]

O governo iemenita, mesmo deposto em 2014, é apoiado internacionalmente e tem apoio militar dos países árabes liderada pela Arábia Saudita para derrotar e expulsar três grupos rebeldes, que recentemente, passaram a atacar e controlar o território saudita, provocando rumores de que os sauditas tendo dificuldades na guerra no país vizinho, na qual sempre negou.

Líbia[editar]

Já o governo líbio instalado Tobruk (leste da Líbia) desde 2014, além de ser apoiado internacionalmente, tem apoio militar dos países árabes e europeus, contra o governo coligado a grupos islâmicos instalados em Trípoli (oeste do país), que os dois grupos chegaram recentemente acordo sobre a divisão do poder, já que o território líbio enfrenta ameaças do Estado Islâmico (que luta contra os dois lados da guerra) debilitado após derrotas seguidas e o país onde saem a maioria dos refugiados árabes e africanos.

Fontes[editar]

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