Reconstrução de Cabo Delgado custará 300 milhões de dólares

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3 de outubro de 2021

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O primeiro-ministro de Moçambique, Carlos Agostinho do Rosário, anunciou dias atrás que a reconstrução da província de Cabo Delgado vai custar cerca de 300 milhões de dólares. A zona foi terrivelmente afetada por ações terroristas nos últimos meses, obrigando ao deslocamento de milhares de pessoas.

A reconstrução deve durar três anos, segundo o governo, e o Plano de Reconstrução, já aprovado pelo Conselho de Ministros, "prevê garantir a segurança, criar meios de subsistência para a população nas suas zonas de origem, bem como restabelecer as atividades administrativas e comerciais nos distritos afetados pelo terrorismo".

Presidente pede cautela a quem decidir voltar para casa

Dois dias antes do lançamento do Plano, no sábado passado o Presidente da República pediu aos que pretendem voltar a sua aldeia que o façam só após ser dada uma ordem neste sentido, explicando que neste momento ainda acontece o trabalho de limpeza das zonas recuperadas pelas Forças Armadas de Defesa de Moçambique.

Entenda a situação

A província tem o maior e mais rico projeto de gás natural liquefeito da África. Operado pela empresa francesa Total, estima-se que tenha um valor de 60 bilhões de dólares com investimentos de vários países. A população local reclama que viu pouco dessa riqueza ou investimento passar para a comunidade, o que teria motivado o início da insurgência - mais tarde "internacionalizada", ao ganhar apoio do Daesh (Estado Islâmico) - EI).

Desde outubro de 2017, bandos wahhabitas armados, ligados ao Daesh, têm atacado a região de Cabo Delgado, cometendo decapitações em massa. Em agosto de 2020, tomaram a cidade portuária de Mocímboa da Praia. O grupo, por vezes, autointitula-se al-Shabaab (em árabe, 'os jovens' ou 'os rapazes') embora não tenha ligações conhecidas com o grupo somali al-Shabaab, que é afiliado a al-Qaeda, enquanto o grupo de Cabo Delgado é ligado ao rival EI. Eles adotaram o título de Província da África Central do Estado Islâmico (ISCAP), o que também é enganoso, já que Moçambique não faz parte da África Central.

Em março de 2021, o Departamento de Estado dos EUA designou o grupo Ahlu Sunna Wal Jammah (ASWJ) - que opera em Cabo Delgado com a participação de "combatentes estrangeiros" da Tanzânia - como uma franquia do EI e acrescentou-o à sua lista de organizações terroristas estrangeiras. Em março de 2021, o International Crisis Group relatou que, embora o EI tivesse contato com os extremistas de Moçambique e dado algum apoio financeiro a eles, provavelmente não exercia autoridade de comando e controle sobre o grupo.

As Forças Armadas de Moçambique têm combatido os extremistas. Mais de 700 000 civis foram deslocados em razão dos ataques. Em setembro de 2020, insurgentes do EI ocuparam a Ilha Vamizi, no Oceano Índico. Mais de cinquenta pessoas foram decapitadas na província, em abril de 2020, e um número semelhante, em novembro de 2020. Em março de 2021, a ONG Save the Children relatou que os militantes wahhabitas também estavam decapitando crianças.

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