Rebeldes tuaregues dominam Timbuktu, cidade histórica de Mali

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2 de abril de 2012

Mali — Rebeldes nômades tuaregues armados, com apoio de outros grupos armados (de inspiração árabe, outro de islâmicos e por exilados que lutaram em guerras anteriores na mais recente a Líbia) tomaram ontem o controle da lendária e histórica cidade de Timbuktu, berço do ensino islâmico e onde localiza-se a mais antiga mesquita da cidade (feita de lama) há 700 anos. A cidade era o último importante reduto ao norte dos militares do Mali que depuseram o governo democrático no último dia 21 de março. Aproveitando o caos provocado pelo golpe da semana passada à capital Bamako, os nômades tuaregues assumiram os controles de Kidal e Gao, ambas na sexta-feira e sábado, respectivamentes a 1.300 e 1.200 quilômetros distantes da capital, todas localizadas na África Ocidental.

No mesmo dia da queda de Timbuktu, a junta militar que tomou o poder, o capitão Amadou Sanogo, pressionado tanto pela comunidade internacional como pelo avanço dos rebeldes tuaregues no norte e nordeste do país, anunciou em coletiva de imprensa em Bamaco, que vai estar de acordo com os grandes princípios e que a junta militar vai deixar o poder para o interino. O chefe dos golpistas Sanogo, prometeu restabelecer ainda a ordem constitucional no país, vista como única alternativa para a saída da crise que impõem um regresso à ordem constitucional normal pedida pelos chefes de estados da África Ocidental, a horas de expirar um ultimato lançado pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

Timbuktu[editar]

Os rebeldes tuaregues, que na madrugada do sábado, dia 31 de março, chegaram perto de Gao (capital regional do Norte do Mali) para conquistá-la e ocupá-la na manhã, iniciaram horas depois, o avanço à outra cidade, desta vez a histórica Timbuktu, última da região norte ainda sob controle governamental e fica a 800 quilômetros à nordeste da capital Bamako.

Horas antes, à noite, o chefe da junta militar que tomou o poder em Mali no dia 22 de março havia ordenado ao exército "que não prolongasse os combates" deixando de fato a cidade aberta aos rebeldes, que lançaram a ofensiva pela manhã.

Timbuktu está localizada nas margens do Rio Níger, com população de 50.000 habitantes e está inscrita na lista do patrimônio mundial da UNESCO por ter morumentos e casas centenárias, é a cidade histórica considerada a «pérola do deserto» junto ao Rio Níger.

Na manhã do dia 1º de abril, habitantes contatados por telefone a partir da capital de Bamako, tiros de armas pesadas visaram o campo militar da cidade, abandonado pelos soldados, muitos dos quais despiram os uniformes e deixaram as posições em pontos estratégicos da cidade. "Escutei muitos tiros vindos do sudeste de Tombuktu no domingo pela manhã", disse uma testemunha por telefone à AFP.

Num comunicado publicado pelo site do grupo, o Movimento Nacional de Libertação de Azawad (MNLA), principal integrante da rebelião tuaregue, afirmou que cercou a cidade.

Em meio aos combates, milicianos árabes, da influente comunidade árabe local dos Bérabish, tradicionalmente aliados do poder central face aos tuaregues, tomaram posição nas ruas da cidade, nomeadamente perto do aeroporto. Enquanto isso, rebeldes do MNLA iniciaram a conquista da cidade.

Num outro comunicado publicado pelo site do grupo, os rebeldes do MNLA "tomaram o controle" de anteontem, a cidade de Gao e "puseram fim à ocupação do exército em toda a região" do norte de Mali. "Agora a região de Gao também está sob nosso controle e administração.", afirmou.

No mesmo site, desta vez outro comunicado publicado, o MNLA anunciou que já havia acabado de conquistar a cidade de Timbuktu e com isso "acaba de terminar com a ocupação [do Governo do] Mali" e em toda sua região e atualmente afirma "seu controle e a administração". O grupo busca constituir um território tuaregue independente na região, chamado de Azawad.

De acordo com os habitantes locais, entrevistados por telefene pela AFP, os rebeldes tuaregues entraram Tombuktu, ao meio dia, quase sem combate, após ter negociado com a milícia árabe Bérabish, leal ao governo, que sofreu a deserção da maior parte. Segundo testemunhas, os rebeldes invadiram a cidade armados e com artilharia, que segundo outra testemunha, os invasores foram de casa em casa pedindo as pessoas que se mantivessem calmas.

Nos novos comunicados publicados no mesmo site do grupo, em meio às acusações com vínculos com organizações islâmicas com ligação à rede terrorista Al-Caeda, mais uma vez, o MNLA reafirmou "uma vez mais que não possui vínculos com nenhuma organização islâmica". Outro comunicado, desta vez os rebeldes apelam a comunidade dos países da África Ocidental à prudência, depois da organização ter mobilizado força de dois mil homens junto à fronteira do Mali.

Apesar desse comunicado, sabe-se para o MNLA ganhasse terreno com recentes ofensivas, participaram vários grupos além do próprio MNLA: o grupo islâmico Ansar Dine (do chefe tuaregue Iyad Ag Ghaly) e elementos da Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI). Também participam nessa ofensiva, os ex-mercenários que combateram na Líbia, tanto do lado das forças pró e anti-Kadafi. O Movimento pela Unidade e o Jihad na África do Oeste (MUJAO, dissidência de AQMI), dirigida por malis e mauritânios, também reivindicou sua participação no ataque de Gao.

Bamako[editar]

Numa reviravolta desde o Golpe de Estado na semana passada (22 de março), o capitão e chefe da junta militar, Amadou Haya Sanogo, que assumiu o poder após o golpe e ter dissolvido a constituição de 1992, anunciou em coletiva de imprensa com promessas de eleições e devolução dos direitos constitucionais. Sanogo acrescentou que irá organizar uma convenção nacional para definir um governo de transição, que será responsável por organizar eleições livres e justas.

Ele não deixou claro quando seria tal convenção ou quando seriam realizadas as eleições, tampouco se permaneceria presidente durante a transição. As declarações do chefe da Junta Militar acontece em meio às pressões tanto pela comunidade internacional como pelo avanço dos rebeldes tuaregues no norte e nordeste do país:


Comprometemo-nos a restabelecer a constituição de 25 de fevereiro de 1992, assim como as instituições republicanas. De forma a permitir uma transição nas melhores condições, preservando a a unidade nacional, prometemos abrir discussões, sob a alçada de mediadores, com todos os atores da sociedade civil e enquadradas numa convenção nacional que estabeleça instituições transitórias que conduzam à organização de eleições livres, abertas e democráticas, nas quais não pretendemos participar.
Amadou Haya Sanogo


O fim, sem data marcada, do golpe militar ocorre quando os rebeldes tuaregues afirmam ter tomado a cidade de Tumbuctu, controlando agora a integralidade das principais cidades do norte do país.

África Ocidental[editar]

O chefe da diplomacia do Burkina Faso, Djibrill Bassolé, deslocou-se a Bamako onde se encontrou com o capitão Amadou Sanogo, o chefe da junta: “Se infelizmente a mensagem de paz que enviámos a todas as partes não for ouvida, seremos forçados a procurar o apoio da comunidade internacional para fazer face a toda esta instabilidade.”, disse Bassolé.

Histórico[editar]

Os nômades tuaregues, descendentes dos primeiros fundadores de Timbuktu no século XI e que em 1434 a tomaram de invasores, invadiram a cidade neste domingo armados e com artilharia. Segundo testemunha, os invasores foram de casa em casa pedindo as pessoas que se mantivessem calmas. Os tuaregues já se rebelaram anteriormente, mas nunca haviam conseguido tomar Timbuktu, tampouco as outras grandes cidades do norte de Kidal e Gao.

Antes da queda de Tombuktu, os rebeldes já havia conquistado Gao (cidade de 90 mil habitantes), até então sede do estado maior do exército regular para toda a região norte em 31 de março. Antes da conquista de Gao, os rebeldes já havia conquistado outra cidade tuaregue importante Kidal em 30 de março. As conquistas dessas cidades foram um espaço de 48 horas.

Entre janeiro e fevereiro, os rebeldes iniciaram ofensivas contra o Exército, desta vez com apoio com outros grupos, na qual a união levou o Governo peder terreno no nordeste. O insucesso do Governo do presidente Amadou Toumani Touré, em combater a rebelião tuaregue foi a razão invocada pela junta militar no poder para justificar o golpe de Estado de 22 de março.

O golpe teve condenação internacional, principalmente em países da África Ocidental. A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental ameaçou na quinta-feira (29) o Mali com um embargo diplomático e financeiro na ausência de um regresso à ordem constitucional num prazo máximo de 72 horas, que termina na segunda-feira (2 de abril).

Dias após do golpe, os rebeldes se aproveitaram da desorganização e a divisão das Forças Armadas, quando houve casos de deserção e fuga de militares em cidades malinesas, após o golpe de Estado militar de 22 de março contra o presidente Touré, têm tido um avanço relâmpago.

Fontes[editar]

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