Protestos na Bolívia obrigam Evo Morales a usar aeroporto no Brasil

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28 de agosto de 2008

Guajará-Mirim, Rondônia

O presidente da Bolívia, Evo Morales, viveu uns dos maiores constrangimentos políticos desde que assumiu a presidência em janeiro de 2006: o presidente boliviano foi forçado ontem a utilizar um aeroporto fora do território boliviano, após pedir autorização ao governo brasileiro para que pousasse no município brasileiro de Guajará-Mirim, no estado de Rondônia para fugir de grupos radicais opositores, em um novo episódio do conflito político boliviano, como informam fontes do governo boliviano hoje.

Grupos de choque ligados aos governadores que se opõem ao governo de Evo Morales ocuparam os aeroportos das cidades amazônicas de Riberalta e Guayaramerín no Departamento (Estado) de Beni, a cerca de mil quilômetros de La Paz, capital da Bolívia, impedindo o reabastecimento do helicóptero que Morales usava para voltar a La Paz, segundo as fontes. Os grupos opositores já impediram Morales de chegar a outras três cidades, fazendo a mesma ocupação dos areoportos.

O presidente boliviano, que viajava à região, vizinha ao Brasil, para assinar um contrato de estudo de um grande projeto hidroelétrico, teve que ir por terra até a cidade de Guajará-Mirim, em Rondônia, onde entrou em um avião militar boliviano quase à meia-noite.

A prefeitura de Guajará-Mirim confirmou o vôo. A cidade fica na fronteira com a Bolívia, fica a 347 km de Porto Velho, capital de Rondônia, tem um aeroporto com destacamento da Aeronáutica, pista asfaltada, mas sem torre de controle de vôo.

O incidente impediu que Morales assistisse a uma reunião com municípios rurais, programada para a noite de quarta-feira em La Paz. Na ocasião, o vice-presidente Alvaro García disse apenas que o presidente havia tido "problemas para a coordenação de horários".

O ministro de Hidrocarbonetos e Energia, Carlos Villegas, que acompanhava Morales, declarou hoje na Rádio Erbol:


Foi a melhor solução ir por terra até Guajará-Mirim, porque ali havia um aeroporto que dava todas as seguranças técnicas, com pista asfaltada e iluminação
Carlos Villegas


Os ativistas da região boliviana chegaram inclusive a apedrejar o helicóptero presidencial, mas Morales não estava a bordo no momento, segundo Villegas.

Morales esperou um avião da Força Aérea Boliviana que aterrissou em Guajará-Mirim e o levou de volta a La Paz.

O ministro assegurou que Morales recebeu a autorização das autoridades brasileiras para utilizar esse terminal aéreo por meio do cônsul brasileiro na Bolívia e que retornaram a La Paz quase à meia-noite.

Ontem, os cinco governadores opositores ao Evo Morales, anunciaram que não admitirão, em suas regiões, a realização do referendo sobre o projeto de nova Constituição, que o Governo estuda convocar por decreto. Eles respaldaram apoio também o bloqueio que vários grupos opositores fazem desde segunda-feira nas rotas que ligam à zona leste e sul da Bolívia com Argentina e Paraguai e anunciaram que cada departamento decidirá suas próprias medidas de apoio.


Caso o Governo Nacional [da Bolívia] queira impor este plebiscito ilegal, os cinco departamentos não admitirão a realização em seus territórios.
Mario Cossío, Governador da região do Departamento de Tarija


A decisão foi adotada pelo denominado Conselho Nacional Democrático (Conalde) que reúne os governadores regionais autonomistas de Santa Cruz, Rubén Costas; Tarija, Mario Cossío; Pando, Leopoldo Fernández; de Beni, Ernesto Suárez; de Chuquisaca, Savina Cuéllar.

Cuéllar não participou da reunião, mas aprova as decisões adotadas hoje por seus colegas na localidade de Villamontes (sul), epicentro de um bloqueio de rotas em uma região rica em gás, segundo disse à imprensa Cossío, porta-voz do grupo.

Os governadores oposicionistas pediram também que a Igreja Católica boliviana e a Organização dos Estados Americanos (OEA) atuem como mediadores a fim de impedir que o presidente Evo Morales ponha em andamento um processo para sancionar definitivamente uma nova Constituição à qual se opõem.

A Bolívia atravessa uma grave crise política entre o governo e a oposição desde 2006, agravada em dezaembro de 2007, quando o Parlamento boliviano de governista aprovou a constituição sem a presença dos partidos de oposição, e também após o referendo que manteve o cargo de Morales, graças aos votos dos indigenistas e pobres, que representam cerca de 70% da população boliviana.

No referendo revogatório de mandatos, feito no dia 10 de agosto, Morales manteve o cargo, com mais de 67 por cento dos votos.


Fontes