Procurador alega que quadrilha foi montada para manter Partido dos Trabalhadores no poder

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12 de abril de 2006

Brasil

Foi tornado público nesta terça-feira (11) o relatório da Procuradoria Geral da República (PGR) sobre as denúncias de corrupção no governo brasileiro. As conclusões do procurador-geral são gravíssimas e abalam principalmente a credibilidade do Congresso Nacional e do Poder Executivo.

O Procurador-Geral da República, Antonio Fernando Souza, concluiu que as investigações do Ministério Público Federal confirmam a existência de um complexo esquema para negociar apoio político e pagar dívidas do partido do governo (Partido dos Trabalhadores) e dos seus aliados.

Tal esquema, conforme revelado no relatório, teve como embrião o "financiamento da campanha política do candidato ao Governo do Estado de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB), encontrando-se sob apuração no inquérito 2280 perante o STF".

O relatório, que foi enviado 30 de março para o Supremo Tribunal Federal, denuncia formalmente 40 pessoas, entre elas dois ex-ministros, deputados e ex-deputados federais, o ex-tesoureiro e o ex-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), empresários e diretores de bancos. Segundo o documento, essas pessoas teriam trabalhado nos moldes de uma quadrilha ou organização criminosa, com a finalidade de manter o Partido dos Trabalhadores (PT) no poder.

Diz o relatório: "O conjunto probatório produzido no âmbito do presente inquérito demonstra a existência de uma sofisticada organização criminosa, dividida em setores de atuação, que se estruturou profissionalmente para a prática de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, gestão fraudulenta, além das mais diversas formas de fraude".

E acrescenta:

"Com efeito, todos os graves delitos que serão imputados aos denunciados ao longo da presente peça têm início com a vitória eleitoral de 2002 do Partido dos Trabalhadores no plano nacional e tiveram por objetivo principal, no que concerne ao núcleo integrado por José Dirceu, Delúbio Soares, Sílvio Pereira e José Genoíno, garantir a continuidade do projeto de poder do Partido dos Trabalhadores, mediante a compra de suporte político de outros Partidos Políticos e do financiamento futuro e pretérito (pagamento de dívidas) das suas próprias campanhas eleitorais."

O relatório divide o que chama de organização criminosa em três núcleos: um núcleo político-partidário, outro publicitário e um núcleo financeiro.

O núcleo principal seria o político-partidário e teria como participantes: o ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, o ex-secretário-geral do PT, Silvio Pereira, e o ex-presidente do PT, José Genoíno.

O segundo núcleo seria composto pelo empresário do ramo publicitário Marcos Valério de Souza e seus sócios nas agências de publicidade SMP&B e DNA Propaganda. Este grupo receberia vantagens indevidas de integrantes do governo federal e de contratos com órgãos públicos. Em troca, Valério usaria suas empresas e contratos de publicidade com empresas privadas para garantir o repasse ilegal de dinheiro para os políticos.

O terceiro núcleo da organização seria formado pela diretoria do Banco Rural que, em troca de vantagens indevidas, facilitaria as operações de lavagem de dinheiro.

O relatório da Procuradoria-Geral confirma o relatório final da CPI dos Correios aprovado semana passada.

Ver também

Fontes