Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, é acusado de estrupo

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Ortega em uma reunião com o ministro das relações exteriores do Equador em 2013.

1 de novembro de 2017

Uma mulher de idade adulta fez uma grave acusação contra o presidente de seu país, Nicarágua, Daniel Ortega Saavedra. "Sou uma vítima de Daniel Ortega", disse por telefone Elvia Junieth Flores Castillo, de 28 anos, que agregou que é uma "injustiça" o que o levou a romper o silêncio durante uma conferência de imprensa em Miami, que ofereceu quatro de seus oito irmãos para denunciar o caso.

Além disso, disse que o presidente manteve seu cativeiro na Nicarágua. Elvia Junieth Flores afirma "ser a principal vítima do abuso do poder" do presidente Daniel Ortega, por supostamente tê-la submetida aos assédios sexuais desde os 15 anos. Além disso, contou entre lágrimas, o presidente a tem cativa em seu país "com limitada liberdade de movimento".

Tenho a mesma situação que tem meu irmão. Ele está em uma prisão e eu estou em uma casa.

Foi o que mencionou por telefone Elvia Junieth, que afirmou não ter mais relação com o chefe de Estado.

Os irmãos de Junieth também disseram que seu mencionado irmão, que se chama Santos Sebastián Flores Castillo, foi preso "injustamente" por ter defendido sua irmã. Sujey Flores, uma das consanguíneas de Elvia Junieth que ofereceu a conferência de imprensa, expressou que esta situação enluta a sua família há mais de 10 anos e portanto, seus irmãos têm procurado "refúgio" nos Estados Unidos. Uma fonte disse ao jornal Las Américas, que após a publicação da investigação realizada por essa mídia, a jovem foi presumivelmente forçada a uma segunda gravidez; no entanto, Elvia Junieth não queria falar sobre isso para proteger suas filhas.

Inação ante denúncias

"Que tipo de presidente pode ser este com essas aberrações?", perguntou-se Sujey depois de indicar que Daniel Ortega imputou a Flores Castillo "um suposto crime" por ter denunciado na Nicarágua os abuso sexual que diz Elvia Junieth. Segundo Sujey Flores, ela e seu irmão Santos denunciaram verbalmente esse fato diante de organizações que defendem os direitos humanos --- quando aprendeu por Elvia Junieth sobre o assédio que sofria. ---- cuando se enteraron por Elvia Junieth los vejámenes que sufría.

Toda a família tem sido vítimas de chantagem. Todos fomos vítimas de prisões arbitrárias, seqüestros, despejos e confisco de bens.

Declarações de Santos Sebastián Flores Castillo, que também, da Nicarágua, pôde participar na conferência de imprensa.

A mãe dos irmãos Flores já havia feito as mesmas acusações em 2015 através de uma entrevista publicada no jornal Las Américas, de Miami. E justamente uma fonte diz ao jornal que após a publicação, a garota foi presuntamente obrigada a uma segunda gravidez; no entanto, Elvia Junieth não quis falar sobre isso para proteger as suas filhas.

Minha menina foi abusada e estuprada pelo presidente Daniel Ortega, que destruiu a vida da minha filha.

Mãe dos irmãos Flores.

Os irmãos alegaram ter denunciado "ad nauseum" --- "hasta la saciedad" --- o que relataram hoje à imprensa em Miami, porém afirmam não ter respostas consistentes. Sua maior preocupação é pela situação de Santos Sebastián Flores, ao que, disseram, "estão matando lentamente, com tratamento desumano e sem o direito a visitas, nem sair para o pátio". Em outro momento de suas declarações, mencionou algo que pode ser relacionado a esta questão: "O poder na Nicarágua é totalmente centralizado. O poder executivo usa o judiciário para reprimir e calar vozes", disse Elvia Juneth, fazendo pausas de vários segundos à hora de falar. Os irmãos Flores Castillo responsabilizam Ortega e sua esposa, Rosario Murillo, de que poderá acontecer com eles e pediram "cessar o abuso de poder contra a nossa família".

Sobre Ortega

Daniel Ortega, que ocupou o mais alto cargo no país em duas ocasiões consecutivas desde 1979, quando derrubou o ditador Anastasio Somoza, até 1990, e novamente a partir de 2007, ano desde qual havia ganhado três eleições consecutivas, duas delas manchadas por denúncias de fraude da oposição, é o fundador e ainda líder da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), antiga organização armada, embora mantém até agora, sua posição política de esquerda. Ortega Saavedra, de 71 anos e natural da cidade de La Libertad, é indicado por organizações que defendem a democracia e os direitos humanos, de governar de forma autoritária, restringir a liberdade de expressão e de imprensa, controlar os poderes do Estado em que na teoria, deveriam está independentes, perseguir e/ou reprimir a dissidência, entre outros. Embora ele e seu partido tenham sempre negado tais acusações.

Outros dados relevantes de sua vida foi sua reclusão em prisão por sete anos pelo roubo de um banco, tendo só 15 anos no momento da sua entrada. Durante sua prisão, ele foi severamente torturado. Após sua libertação, foi deportado para Cuba durante o regime de Fidel Castro, país na qual foi treinado militarmente, preparação que depois lhe serviria para derrubar a ditadura de Somoza. Desde o presente ano, sua esposa Rosario Murillo é também sua vice-presidenta, além da porta-voz oficial do governo.

Além disso, queixas como a de Elvia Junieth não são novas. A filha adotiva do casal Ortega-Murilo, Zoilamérica Narváez, em 1998, publicou um relatório de 48 páginas em que descreve como, segundo ela, havia sido abusada sexual e sistemática por Ortega desde 1979, quando tinha 11 anos, até 1990. O então líder guerrilheiro e sua esposa negaram as acusações. O caso não poderia prosseguir nos tribunais nicaraguenses porque, porque, o agora mandatário, tinha, como membro do Parlamento, imunidade para não ser acusado, e considerou-se que havia excedido o prazo de prescrição de cinco anos para acusações de abuso sexual e estrupo. Narváez apresentou uma denúncia diante à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos, que foi declarada admissível em 15 de outubro de 2001. Em 4 de Março de 2002, o governo nicaraguense aceitou a recomendação da Comissão de uma solução amistosa.

Para 2006, Ortega seguiu negando as acusações, mas Narváez não as retirou.

Fontes

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