Polícia brasileira prende políticos durante a chamada Operação Navalha

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23 de maio de 2007

Brasil — A Polícia Federal prendeu na semana passada 48 pessoas acusadas de participarem de fraudes em licitações de obras públicas.Entre os presos estão um ex-governador, um assessor de ministro, um deputado distrital, um ex deputado-federal, prefeitos e empresários.As investigações promovidas pela PF começaram em novembro do ano passado.

Operação:

A operação foi deflagrada em nove estados do país: Alagoas, Bahia, Sergipe, Pernambuco, Piauí, Maranhão, Goiás, Mato Grosso, São Paulo e no Distrito Federal.

Acusados:

Acompanhe abaixo os acusados da máfia de desviar verbas de obras públicas dentre elas o PAC (Programa de Aceleração do Crsecimento).Dentre os presos estão parentes do atual governador do Maranhão, Jackson Lago; os prefeitos das cidades de Sinop,MT e Camaçari,BA além do deputado distrital Pedro Passos e o assessor do Ministério de Minas e Energia Silas Rondeau:

Presos na Bahia:

Humberto Rios de Oliveira - funcionário da Gautama

Florêncio Brito Vieira - funcionário da Gautama

Gil Jacó Carvalho Santos – diretor-financeiro da Gautama

Jorge E. dos S. Barreto - engenheiro da Gautama

Iran César de Araújo Filho – secretário de Obras de Camaçari (BA)

Edílio Pereira Neto – assessor da Secretaria de Obras de Camaçari (BA)

Everaldo José de Siqueira Alves – subsecretário de Obras de Camaçari (BA)

Luiz Carlos Caetano – prefeito de Camaçari (BA)

José Edson Vasconcelos Fontenelle - empresário

Presos em Alagoas:

Abelardo Sampaio Lopes Filho – engenheiro e diretor da construtora Gautama

Adeilson Teixeira Bezerra – secretário de Infra-Estrutura de Alagoas

Denisson de Luna Tenório - subsecretário de Infra-Estrutura de Alagoas

José Vieira Crispim – diretor de Obras da Secretaria de Infra-Estrutura de Alagoas

Enéas de Alencastro Neto – representante do Governo de Alagoas em Brasília

Marcio Fidelson Menezes Gomes – diretor do Detran de Alagoas

Presos no Piauí:

Dimas Soares de Veras – funcionário e irmão do dono da Gautama

João Manoel Soares Barros - funcionário da Gautama

Jorge Targa Juni – presidente da Companhia Energética do Piauí (Cesipa)

Presos no Maranhão:

José Reinaldo Tavares – ex-governador do Maranhão

Vicente Vasconcelos Coni - diretor da Gautama no Maranhão

Sebastião José Pinheiro Franco - fiscal de Obras do Maranhão

José de Ribamar Ribeiro Hortegal - servidor da Secretaria de Infra-Estrutura do Maranhão

Ney Barros Bello - secretário de Infra-Estrutura do Maranhão

Já estavam presos em Brasília:

Rosevaldo Pereira Melo – suposto lobista da Gautama

Bolivar Ribeiro Saback – funcionário da Gautama

Tereza Freire Lima – funcionária da Gautama

Maria de Fátima Palmeira – diretora comercial da Gautama

Henrique Garcia de Araújo – administra uma fazenda do Grupo Gautama

Ernani Soares Gomes Filho – servidor do Ministério do Planejamento

Roberto Figueiredo Guimarães – Consultor financeiro do Maranhão

Geraldo Magela Fernandes da Rocha - servidor público no Maranhão e assessor do ex-governador José Reinaldo

Francisco de Paula Lima Júnior - sobrinho do governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT)

Sergio Luiz Pompeu Sá - servidor do Ministério de Minas e Energia

Ivo Almeida Costa – assessor do gabinete do ministro das Minas e Energia

Flávio José Pin – superintendente de produtos de repasse da Caixa Econômica Federal, em Brasília

Pedro Passos Júnior – deputado distrital

Alexandre de Maia Lago – sobrinho do governador do Maranhão, Jackson Lago

Presos em São Paulo :

Jair Pessine – ex-secretário municipal de Desenvolvimento Urbano de Sinop/MT

Zuleido Soares Veras – empresário, dono da construtora Gautama

José Ivan de Carvalho Paixão - ex-deputado federal

Rodolpho de Albuquerque Soares de Veras – filho do dono da Gautama

Flávio Henrique Abdelnur Candelot – funcionário da Gautama

Outros presos envolvidos:

Ricardo Magalhães da Silva - funcionário da Gautama

Flávio Conceição de Oliveira Neto – conselheiro do Tribunal de Contas Estadual e ex-chefe da Casa Civil do governo João Alves Filho

João Alves Neto – empresário

Nilson Aparecido Leitão – prefeito de Sinop (MT).

Acusações:

Os presos são acusados de fraude em licitações públicas, corrupção, tráfico de influência, superfaturamento de obras e desvio de dinheiro.

Funcionamento da quadrilha

Segundo a Polícia Federal, a quadrilha se dividia em três níveis:

1º nível - superestrutura do sistema:

No topo estava a construtora Gautama. A empresa direcionava editais para fraudar licitações em obras públicas.A empresa criada por Zuleido Veras em 1992, cresceu muito nos últimos anos. O nome da companhia surgiu em homenagem a Sidarta Gautama, o Buda e também por causa da religião do empresário acusado de ser o topo da quadrilha.

2º nível - Auxiliares e intermediários:

Segundo a PF, essa parte do bando composta por 11 pessoas(Segundo a ministra responsável pelos processos contra a quadrilha do STJ,Superior Tribunal de Justiça, Eliana Calmon) ficava responsável em entrar em contrato com políticos e empresários.Estes também ficariam responsavéis por pagar a propina.

3º nível - Autoridades e ex-autoridades , a base da quadrilha:

São os responsavéis de auxiliar a quadrilha.Supostamente recebiam 'presentinhos' como carros de luxo em troca de favores com o grupo.

Repercussões nacionais e internacionais:

Cenário nacional:

No cenário nacional, a repercussão foi chocante principalmente em Brasília.Autoridades federais chegaram a defender os colegas como o Ministro Silas Rondeau que foi citado como um dos colaboradores da quadrilha.Também foi citado o nome do governador baiano Jacques Wagner,ele teria usado uma lancha do sócio-diretor da Gautama; Zuleido Veras.O congresso ficou agitado e pensa em abrir CPI que já teria até nome:CPI do Vento Cortante já que envolveria investigações da Operação Furacão e da Operação Navalha.

Cenário Internacional:

O escândalo despertou a atenção de muitos jornais internacionais como o Finacial Times, o The new York Times e o La Nacion.

O envolvimento do ministro Silas Rondeau:

A qudrilha presa pela operação Navalha é acusada de tentar burlar licitações no PAC, no Programa Luz para todos e também no Ministério de Minas e Energia da qual Silas Rondeau era ministro.Reportagens denunciavam o ministro como sendo o mediador da vitória da Gautama nas licitações, além de ter recebido uma propina da quadrilha de 100 mil reais.Além disso, o assesor de gabinete do ministro, Ivo Almeida Costa,foi um dos presos na operação

Pressão e queda do ministro:

Na noite do dia 22 de maio, o ministro pediu demissão do cargo pressionado por políticos e pela imprensa, o ministro teria conversado com o presidente Lula.Cabe agora ao presidente, o anúncio do novo ministro.Hoje o presidente já teria confirmado que o novo ministro será do PMDB.

Acompanhe carta do ministro:

"Como é do conhecimento de Vossa Excelência, estou sendo submetido a um processo que me causou dano pessoal irreparável. A investigação da Polícia Federal, em curso perante o Superior Tribunal de Justiça, não envolve a minha pessoa, até porque como ministro de Estado só seria objeto de investigação no Supremo Tribunal Federal.

A situação em si caracteriza descabidas e injustas inverdades que impõem a mim, neste momento, dedicar-me inteiramente a defender minha honra e minha história de vida, jamais questionadas em vários anos de serviços públicos prestados ao país no desenvolvimento do setor elétrico.

Servi ao governo de Vossa Excelência com a máxima lealdada e correção, seja na presidência de empresas estatais do setor elétrico, seja como ministro de Estado.

À Vossa Excelência sempre serei grato pela confiança e pela oportunidade de trabalhar pela grandeza do nosso país.

Todavia, a injustiça que recaiu sobre a minha pessoa leva-me a solicitar a Vossa Excelência minha exoneração, a fim de melhor proteger minha pessoa, minha família, minha honra, minha história e permitir ao governo que siga com todas as energias voltadas para o crescimento do país, a implementação do PAC e o desenvolvimento do setor energético.

Reafirmo a Vossa Excelência minha total inocência e renovo meus desejos de pleno sucesso na condução dos destinos do Brasil."

Carta de demissão do ministro Silas Rondeau anunciada ontem.Ministério da Comunicação Social.


Fontes