Petrobras: Graça Foster e cinco diretores renunciam ao cargo

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Graça Foster em 2011.

Agência Brasil

4 de fevereiro de 2015

Brasil

A presidenta da Petrobras, Maria das Graças Foster, e cinco diretores da empresa renunciaram ao cargo hoje (4). O Conselho de Administração da companhia se reúne na próxima sexta-feira para a escolha dos novos executivos que ficarão no comando da companhia.

A informação foi confirmada pela Bovespa em comunicado ao mercado. Na solicitação, a Bovespa pede esclarecimentos à Petrobras sobre notícias publicadas na imprensa sobre o fato de que o Palácio do Planalto já havia informado à presidenta da Petrobras, Graça Foster, de que ela seria substituída no cargo.

“Solicitamos esclarecimentos, o mais breve possível, considerando o comportamento das ações no pregão de hoje, diante das informações do afastamento da cúpula da Petrobras”, diz o pedido da Bovespa.

Diante disso, a Petrobras informou, em nota, à Bolsa de Valores de São Paulo: “Em resposta a esta solicitação, a Petrobras informa que seu Conselho de Administração se reunirá na próxima sexta-feira, dia 06.02.2015, para eleger nova Diretoria face à renúncia da Presidente e de cinco Diretores".

Graças Foster

Eleita a quarta mulher mais poderosa do mundo em fevereiro do ano passado pela revista Fortune, em uma lista de 50 mulheres de negócios, a ex-presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster nasceu em Caratinga, Minas Gerais, em 26 de agosto de 1953.

Eleita em fevereiro de 2012 para a presidência da estatal, Graça Foster tem mais de 30 anos de experiência na empresa. Era membro do Conselho de Administração e acumulava a Diretoria da Área de Negócio Internacional da companhia.

Antes de tomar posse, atuou como diretora da Área de Gás e Energia e presidiu a Petrobras Gás (Gaspetro) e a Petrobras Química (Petroquisa). Também foi presidenta e diretora financeira da Petrobras Distribuidora (BR).

Até renunciar ao cargo, na manhã de hoje (4), Graça Foster também presidia os conselhos de Administração da Petrobras Transporte (Transpetro) e da Gaspetro e do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP). É membro ainda dos conselhos de Administração da BR Distribuidora e da Petrobras Biocombustível. Ela exerceu também a função de secretária de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia.

Formada em engenharia química pela Universidade Federal Fluminense em 1978, mestre em engenharia de fluidos e pós-graduada em engenharia nuclear pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Graça Foster cursou MBA pela Fundação Getulio Vargas.

Graça deixa a presidência da maior empresa de energia da América Latina em meio a denúncias de corrupção e superfaturamento, decorrentes da Operação Lava Jato, que foi desencadeada pelo Ministério Público no Paraná e pela Polícia Federal e já levou à prisão diversos diretores da estatal, além de executivos das principais empreiteiras do país.

Ela renunciou ao cargo após a divulgação, com atraso, do balanço financeiro da Petrobras relativo ao terceiro trimestre do ano passado, que estimou em R$ 88 bilhões os prejuízos causados pelo esquema de corrupção.

Graça Foster assumiu o comando da maior empresa do país com a missão de dar prosseguimento ao ritmo de crescimento da estatal e desenvolver os campos de petróleo do pré-sal, na Bacia de Santos.

A Petrobras também trocará o comando de cinco diretorias, mas os nomes ainda não foram confirmados pela estatal. A Petrobras conta atualmente com sete diretores, incluído o novo diretor nomeado para a área de Governança e Conformidade, João Adalberto Elek Júnior, que deve continuar no cargo. Último diretor nomeado na administração de Graça Foster, Elek Júnior tem a missão de controlar as operações e os projetos da companhia, aumentar a transparência dos contratos de licitações e tornar mais eficaz a controle de gastos.

O diretor da Área Financeira e de Relações com Investidores na Petrobras, Almir Barbassa, que está no cargo desde 2005, foi gerente executivo de Finanças de 1999 a 2005 e atuou como gerente financeiro da subsidiária Petrobras América, em Houston, por três anos. Barbassa foi também diretor financeiro da Braspetro, braço internacional da Petrobras, de 1993 até 1999, e presidiu a Petrobras International Finance, a Petrobras Finance e a Petrobras Netherlands BV, que cuidam das atividades financeiras internacionais da companhia. Ele é membro do Conselho de Administração da Braskem desde 2010.

José Miranda Formigli é diretor da Área de Exploração e Produção (a de maior orçamento da empresa) desde 2012. Em 2008, foi nomeado gerente executivo da área criada para o planejamento e desenvolvimento das descobertas do pré-sal. Formigli ocupou funções gerenciais nas áreas de completação de poços, engenharia submarina, produção da Bacia de Campos, Ativo de Produção de Marlim, Serviços Especializados de E&P e Engenharia de Produção de E&P. Ele entrou na Petrobras em 1983 e fez o curso de formação em engenharia de petróleo. É também membro do Conselho de Administração da Gaspetro.

Com mais de 30 anos na empresa, José Alcides Santoro Martins é diretor da Área de Gás e Energia desde 2012. Também presidente da Gaspetro, foi gerente executivo na BR Distribuidora e diretor de Petróleo, Gás e Biocombustíveis da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

A área de Abastecimento e Refino é ocupada por José Carlos Cosenza desde 2012. Cosenza, que também teve o nome envolvido na Operação Lavo Jato, tem mais de 30 anos de companhia e, antes de assumir a Diretoria de Abastecimento, foi gerente executivo de Refino.

José Antonio de Figueiredo tomou posse como diretor de Engenharia, Tecnologia e Materiais em 2012. Ele é engenheiro, formado pela UFRJ em 1978 e ingressou na Petrobras um ano depois. Na companhia, exerceu diversas funções gerenciais, entre as quais a de gerente executivo de E&P Sul-Sudeste e gerente executivo de Serviços de E&P.

Presidente da Petrobras de 2003 a 2005, José Eduardo Dutra estava na Diretoria Corporativa e de Serviços desde 2012. Ele fez parte do Conselho de Administração da companhia e da Petrobras Distribuidora. e foi também foi presidente da Petrobras Distribuidora e exerceu a atividade de geólogo na Petromisa e na companhia Vale.

Reações

A renúncia da Graça Foster, repercutiu diferentemente entre parlamentares da oposição e da base de apoio ao governo na Câmara dos Deputados. Para os oposicionistas, a saída de Graça, que ficou três anos à frente da maior empresa do país, foi tardia.

“Pedíamos desde setembro essa saída”, disse o líder do PSDB na Casa, Carlos Sampaio (SP), após o anúncio de que Graça Foster e cinco diretores da petroleira renunciaram ao cargo. Segundo Sampaio, Graça foi demitida por ter cumprido "a missão de limpar a barra do governo" nos casos de corrupção envolvendo a estatal.

O presidente do PT, Rui Falcão, disse que a saída foi no momento oportuno e de “foro íntimo”. Para ele, é importante fortalecer a Petrobras. "É uma empresa que tem recursos, inclusive para o futuro do país. Há uma tentativa muito grande de desmerecer a Petrobras como empresa pública. Temos que manter as políticas de conteúdo nacional da Petrobras, que garantem empregos e garantem o crescimento do país”, afirmou Falcão. Para ele, as críticas da oposição estão voltadas para privatizar a empresa e para retirar da estatal a condição de "operadora única do pré-sal e do regime de partilha".

Em nota, o líder do DEM, Mendonça Filho (PE), disse que a insistência em manter Graça Foster na presidência da Petrobras gerou especulações de que ela foi conivente com os desmandos na empresa. “Primeiro, ela negou que houvesse qualquer tipo de irregularidade na estatal, e logo depois a denúncia do Ministério Público mostrou envolvimento de três ex-diretores: Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa e Renato Duque”.

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) rechaçou a afirmação da oposição de que houve demora na saída de Graça Foster. Segundo ele, apesar de a saída já ser prevista, a renúncia só precipitou a mudança na diretoria, prevista para março. “A Petrobras tinha um calendário próprio, que era a mudança do Conselho de Administração, e o prazo previsto era março. Na minha opinião, ela [Dilma Rousseff] iniciou o processo de mudança que resultou hoje na saída da Graça Foster”, minimizou.

Ontem, Graça Foster participou de reunião com a presidenta Dilma Rousseff. Ao longo do dia, alguns veículos de imprensa noticiaram a possibilidade da saída dela da presidência da Petrobras, em função do desgaste causado pelas denúncias de corrupção na empresa.

Segundo Teixeira, esse fator pesou contra Graça Foster. “A descoberta da existência de um cartel na Petrobras fez com que a atual direção perdesse a governabilidade. Assim, é fundamental que uma empresa desse porte tenha outro tipo de governança que possa atravessar esse momento e fazer com que a Petrobras lidere o mercado de petróleo mundialmente, que é a sua vocação”, defendeu.

A Petrobras informou que a renúncia da presidenta da companhia, Graça Foster, e de cinco diretores da empresa, anunciada hoje de manhã valerá a partir de sexta-feira (6), dia em que o Conselho de Administração vai se reunir para eleger os novos membros da diretoria. A informação foi transmitida à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite de hoje para esclarecimento sobre mudanças na administração.

O comunicado indica, ainda, que, além de Graça Foster, renunciaram o diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores, Almir Guilherme Barbassa; o diretor de Exploração e Produção, José Miranda Formigli; o diretor de Abastecimento, José Carlos Cosenza; o diretor de Gás e Energia, José Alcides Santoro; e o diretor de Engenharia, Tecnologia e Materiais, José Antônio de Figueiredo.

O comunicado foi assinado pelo diretor Almir Barbassa. A diretoria da Petrobras permanece com o ex-presidente da companhia de 2003 a 2005, José Eduardo Dutra, indicado para a diretoria Corporativa e de Serviços em 2012; e com o diretor de Governança, Risco e Conformidade, João Adalberto Elek Júnior, que tomou posse no dia 19 de janeiro de 2015. Os dois não estão incluídos na renúncia.

O Conselho de Administração da Petrobras tem na presidência o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, que foi eleito pelo governo acionista controlador. Também participam do órgão os conselheiros eleitos pelo governo federal: Graça Foster, Luciano Galvão Coutinho, Francisco Roberto de Albuquerque, Márcio Pereira Zimmermann, Sérgio Franklin Quintella e a ex-ministra do Planejamento, Miriam Belchior. Pelos acionistas preferencialistas, foi eleito conselheiro José Guimarães Monforte; pelos minoritários, Mauro Gentile Rodrigues da Cunha e pelos empregados, Sílvio Sinedino Pinheiro.

A definição sobre a nova diretoria da Petrobras ocorrerá na reunião do Conselho de Administração da estatal, na próxima sexta-feira (6).

Fontes

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