Pesquisas feitas às saidas das urnas indicam que Evo Morales foi eleito Presidente da Bolívia

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Brasília - O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe no Palácio do Planalto, o candidato à Presidência da Bolívia, Evo Morales (à esquerda). Foto: Ricardo Stuckert/PR.

20 de dezembro de 2005

Brasil

O líder esquerdista cocaleiro Evo Morales venceu a eleição presidencial da Bolívia, ocorrida neste último domingo (18). A Corte Nacional Eleitoral (CNE) não publicou os resultados oficiais, porém as pesquisas feitas à saída das urnas pelos principais meios de comunicação afirmam que Morales, do Movimiento al Socialismo (MAS), conseguiu 50,9% dos votos, enquanto que seu principal adversário, o ex-Presidente Jorge Quiroga Ramírez, da coligação de direita Podemos teve 31,2%.

Ainda na noite de domingo, Quiroga e o candidato centrista Samuel Doria (8,2% dos votos) reconheceram a vitória de Morales. O candidato da coligação Podemos declarou: "A democracia boliviana está terminando um ciclo e construindo um novo (...) Os resultados mostrados pelas estimativas iniciais de contagem rápida, também estão assinalando um caminho que esta democracia está nos dando, e felicito pública e abertamente a dom Evo Morales e a Álvaro García Linera, candidatos do MAS, pelo resultado eleitoral".

Por sua vez, Morales disse: "começa uma nova história na Bolívia, pela igualdade pacífica e por essa mudança que espera o povo boliviano (...) Batemos um recorde histórico de votos. Quero dizer aos aymaras, quechuas, guaranis e chiriguanos que pela primeira vez vamos ser Presidente".

Morales também disse: "O povo deve derrotar os neoliberais… é importante a mudança, temos a enorme responsabilidade de mudar nossa história e saímos das urnas convencidos de que essa mudança será respeitada porque a voz do povo é a voz de Deus. O movimento indígena originário não é excludente. Com nosso governo se terminará a discriminação, o ódio, o desprezo… queremos viver juntos, na unidade com a diversidade acabando com o estado colonial. O MAS jamais extorque nem extorquirá empresários que quiserem investir em nosso país".

"É verdade que antigamente nos matavam com bala e que queriam nos matar com mentiras… fracassaram felizmente… Essas mentiras se converteram numa campanha pelo MAS e por Evo Morales. Não somos da cultura da guerra suja. A mentira se combate com a verdade. É importante a paciência, a honestidade, a conseqüência com o sentimento e sofrimento das maiorias nacionais e agora passaremos para outra responsabilidade, que será conduzir o país", acrescentou.

Além do Presidente, no domingo se foram eleitos os congressistas e, pela primeira vez, prefeitos. Para o legislativo, as mesmas enquetes falam de um empate técnico entre o MAS e o Podemos no Senado (13 cadeiras para cada um). Na eleição para a Câmara de Deputados a maioria pode ser dos socialistas (65 das 130 cadeiras).

Morales afirmou que durante seu governo lutará contra o narcotráfico mas que planeja manter os cultivos de folha de coca em Chapare (Cochabamba), zona de onde provém boa parte de seu volume eleitoral. Morales, que deve tomar posse no dia 22 de janeiro, também propôs a fiscalização das empresas de hidrocarbonetos, controladas principalmente por multinacionais.

O mercado financeiro internacional já reagiu à notícia. Na Bolsa de Madri, a ação da petroleira espanhola Repsol YPF caiu a 1,3% e ficou a em 24,8 euros às 09h50 UTC da segunda-feira.

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