Partido dos Trabalhadores participa há mais de 10 anos do Foro de São Paulo

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Depois de vários anos, o Foro de São Paulo volta a acontencer na capital paulista.

14 de junho de 2005

Brasil


O Partidos dos Trabalhadores (PT) e outros partidos políticos do Brasil, entre eles o PCdoB, participam há mais de 10 anos de um fórum internacional com partidos e organizações de esquerda chamado Foro de São Paulo. Ele reúne mais de 100 organizações de esquerda e algumas delas são de caráter militar. A organização e os encontros são mencionados em vários websites da esquerda, inclusive no do Partido dos Trabalhadores do Brasil.

O fórum acontece anualmente, em diversas cidades da América Latina. Reuniões já ocorreram em Manágua (1992), Havana(1993), Montevidéu (1995), San Salvador (1996), Porto Alegre (1997), México (1998), Manágua (2000), Havana (2001), Antíqua (2002), Quito (2003).

O próximo encontro será na cidade de São Paulo, no Brasil. O XII Encontro do Foro de São Paulo está marcado para acontecer nos dias 01 a 04 de julho. A decisão pela reunião em São Paulo foi tomada nos dias 24 e 25 de maio em reunião do Grupo de Trabalho do Foro de São Paulo, em que participaram o PCdoB e o Partido dos Trabalhadores (PT) do Brasil, o Partido Comunista do Chile, o Partido Comunista de Cuba, a Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional (FMLN) de El Salvador, o MPD do Equador, o PRD do México, a Frente Sandinista de Liberación Nacional (FSLN) da Nicarágua e a Frente Ampla do Uruguai.[1]

Origens do Fóro de São Paulo

O primeiro encontro do Fóro de São Paulo ocorreu na cidade de São Paulo em 1990. Sua criação for organizada pelo Presidente de Cuba, Fidel Castro e pelo atual Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Nessa época o encontro que reuniu vários representantes de movimentos de esquerda da América Latina, ainda não tinha esse nome. O nome "Foro de São Paulo" seria dado ao encontro após a reunião na Cidade do México, em 1991.

Segundo a informação do website da Fundação Perseu Abramo, vinculada ao Partido dos Trabalhadores, o Fóro de São Paulo foi criado para permitir a reorganização dos movimentos de esquerda, após a crise dos regimes comunistas no leste europeu e da queda do muro de Berlim, na Alemanha.

Diz o website da Fundação Perseu Abramo:

O Foro de São Paulo surgiu há dez anos por iniciativa do PT e de outros partidos da esquerda latino-americana, entre eles a Frente Ampla do Uruguai, o PRD do México, PC de Cuba, FMLN de El Salvador e FSLN da Nicarágua.

Segundo a informação do website, participam como secretário de Relações Internacionais do PT, o Deputado Federal Aloízio Mercadante. O atual ministro do governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deputado em licença pelo PT, José Dirceu também mantém algum tipo de participação ou relacionamento com o fórum.

Política

Segundo as informações retiradas de websites da esquerda, o Fóro de São Paulo faz oposição ao governo dos Estados Unidos da América, diz que é contra o liberalismo, apóia o regime cubano, o Presidente da Venezuela Hugo Chávez e os grupos indígenas liderados por Evo Morales na Bolívia que recentemente derrubaram o Presidente Carlos Mesa.

O Fóro de São Paulo apóia as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC-EP) e é contra a ajuda que o governo dos EUA oferece ao governo da Colômbia, alegadamente para combater o tráfico de drogas. Segundo o website da Fundação Perseu Abramo:

[O Fóro de São Paulo] Saúda a posição liderada pelo Ministro de Defesa do Brasil, Vice-Presidente José Alencar, e assumida por vários Ministros da região, que na 6ª. Reunião de Ministros de Defesa das Américas enfrentou com sucesso a proposta do governo de Estados Unidos, apoiado pelo governo da Colômbia, para a criação de uma força multilateral para combate ao narcotráfico. [2]

Existe uma disputa quanto ao poder político do Fóro de São Paulo. O Partido dos Trabalhadores já disse que o Fóro é apenas um encontro de esquerdas latino-americanas. Outras pessoas, como por exemplo o venezuelano Alejandro Peña Esclusa, ex-candidato à presidência da Venezuela e opositor do governo de Chávez, responsabiliza o Fóro por muitas das crises que ocorrem na América Latina, em particular as crises políticas na Bolívia.

Segundo o website da Fundação Perseu Abramo: No exemplo da orquestra, Lula defendeu a unidade na diversidade, ou seja, a necessidade de uma política correta de alianças para que a esquerda possa vencer eleições, governar e ajudar de fato a mudar a vida dos povos: "Seria monótono e ineficaz se as orquestras tivessem somente um tipo instrumento. É preciso que sejam muitos e variados, com bons maestros, para tocarmos bem, por exemplo, a 5a Sinfonia de Bethoven.

Lula explicou, comentando a própria viagem, que é fundamental ser coerente e manter os princípios: "Se fosse ouvir conselhos e raciocinar somente em termos dos interesses eleitorais do PT, não viria agora à Cuba nem iria à Venezuela encontrar Chávez nem mesmo ao Peru, porque o Toledo também enfrenta problemas nas pesquisas". Mas, se agisse assim para ganhar, perguntou ele, o que se poderia esperar em caso de vitória?''

Muitos documentos relacionados às atividades do Fóro presentes em websites da esquerda foram removidos nos últimos anos, principalmente os que mencionam a participação das FARC-EP. Isto coincide com o fato de o fórum ter passado a ser mais conhecido e comentado na internet. Mesmo assim alguns documentos sobre o Foro de São Paulo ainda podem ser encontrados em websites de partidos de esquerda. Há também informação sobre o Foro armazenada em websites de cache, como o do Google.

Membros participantes

Entre os membros participante, além do Partido dos Trabalhadores, encontram-se organizações militares. Algumas delas, como as FARC, são consideradas terroristas por outros países, ou estão envolvidas com o tráfico de drogas e atividades criminosas. As FARC são atualmente o principal fornecedor de drogas para os países da América Latina, inclusive o Brasil. Além da América Latina, as FARC são importante exportador de drogas para a Europa e Estados Unidos da América.

Além das FARC, estiveram presentes nos encontros do Fóro, a Unidad Revolucionaria Nacional Guatemalteca (UNRG). Ela é uma organização militar criada em 1982, com a união dos quatro mais importantes grupos marxistas guerrilheiros da Guatemala: o Exército Guerilheiro dos Pobres (EGP), a Organização do Povo em Armas (ORPA), as Forças Armadas Rebeldes (FAR) e o Partido Guatemalteco do Trabalho (PGT). Atualmente converteu-se em partido político e aparentemente abandonou a guerrilha.

O fórum defende o governo de Hugo Chávez (foto). Recentemente representantes venezuelanos passaram a participar dos encontros. Foto: Marcello Jr/ABr

Os Tupamaros ou Exército de Libertação Nacional são uma organização de guerrilha que surgiu no Uruguai entre 1960 e 1970. Mais tarde passou a se chamar Túpac Amaru. Nos anos 60 inicialmente roubava bancos e algumas empresas, mais tarde passou a praticar seqüestros e assassinatos. Os Tupamaros foram bastante perseguidos durante o regime militar e tiveram muitas baixas. Com a democratização do Uruguai, um grupo deles resolveu formar um partido político.

Participam do Fóro, o Exército de Libertação Nacional (ELN), organização militar, ainda na ativa na Colômbia, e considerada uma organização terrorista pelo governo colombiano. É um movimento influenciado pelas idéias da Revolução Cubana e Teologia da Libertação da Igreja Católica. Há acusações de que esteja envolvida com o tráfico de drogas. Desde 1968 até o presente houve 299 incidentes envolvendo a ELN com 125 mortes e 202 feridos. Alguns dos últimos grandes incidentes envolvendo a ELN são o ataque a um supermercado em 2004, em que a explosão de uma granada matou 3 pessoas e feriu outras 8.

Fidel Castro participou pessoalmente de algumas das reuniões do fórum. O Partido Comunista Cubano é membro constante dos encontros do grupo.

Nos últimos anos, representantes da Venezuela, do Presidente Hugo Chávez começaram a freqüentar as reuniões do grupo.

Imprensa brasileira

Um assunto pouco mencionado pelos meios de comunicação brasileiros e tido como tabu é a atuação do Foro de São Paulo.

O jornal Folha de São Paulo chegou a publicar uma reportagem sobre o Fóro de São Paulo há muitos anos, mas depois nunca abordou o assunto. A matéria da revista Veja: "Os tentáculos da FARC no Brasil" cita o Fóro de São Paulo, sem mencionar o nome: "um debate com partidos políticos e organizações sociais de América Latina e de Caribe para discutir os efeitos da queda do muro de Berlim". O jornalista Boris Casoy, da TV Record citou em uma das edições do telejornal apresentado por ele, de forma breve, a atuação do Fóro de São Paulo e mencionou o nome: "Fórum de São Paulo", com bastante clareza, mas de sopetão, como se estivesse a falar alguma palavra que não poderia ser proferida na TV, como por exemplo, um insulto de baixo calão.

Alguns jornalistas já chegaram a negar a existência do Foro de São Paulo. Luiz Felipe de Alencastro já escreveu artigos para a revista Veja e é professor de História do Brasil na Universidade de Paris. Em 30 de outubro de 2002, durante uma palestra para o Council on Foreign Relations (CFR) em Washington, um participante perguntou a Alencastro sobre o Foro de São Paulo. Alencastro respondeu:"É interessante. Veja você, porque eu vivo, quero dizer, eu vivo agora an França. Mas eu vivi no Brasil durante 12 anos. E eu nunca ouvi falar desse Foro de São Paulo." [3]

É possível encontrar facilmente documentos que comprovam a existência do Foro de São Paulo. [4], [5], [6].

O próprio Partido dos Trabalhadores menciona o Foro de São Paulo em seus documentos. [7].

No website da Fundação Perseu Abramo, organização com laços com o PT, encontra-se o discurso do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante encontro do Foro de São Paulo em Havana, Cuba [8].

Fontes