Partidários de Fujimori inscrevem ex-Presidente para disputa eleitoral

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10 de janeiro de 2006

Na sexta-feira passada (6), um grupo de simpatizantes do ex-Presidente peruano Alberto Fujimori acompanhou a ida de sua filha Keiko Sofía ao tribunal eleitoral de Lima para registrar a candidatura de seu pai às eleições presidenciais, programadas para o próximo 9 de abril. Fujimori, que se encontra detido no Chile desde novembro passado, foi proibido pelo Congresso Nacional de concorrrer a qualquer cargo público até 2011.

Depois de apresentar os documentos de seu pai para o órgão eleitoral, Sofía disse para a imprensa que "era um dia feliz". Ao mesmo tempo, uma multidão de cerca de 3 mil simpatizantes de Fujimori celebrava lá fora. "Não vamos aceitar mais perseguição política contra meu pai", declarou a filha de Fujimori, que se encontrava em cima do veículo conhecido popularmente como "Fujimóvel", acompanhada de Luisa María Cuculiza, ex-Ministra da Mulher, e Germán Kruger, ex-prefeito de Miraflores, distrito de Lima. Ambos são candidatos à Vice-presidência na chapa de Fujimori pelo partido Sim Cumpre.

É muito provável que o Tribunal Nacional Eleitoral peruano não aceite a candidatura de Fujimori por causa da decisão do Congresso que já o declarou inelegível. Se essa decisão se confirmar, seria a primeira vez na história do Tribunal em que uma candidatura não pôde ser aceita. As decisões do órgão eleitoral são inapeláveis.

No entanto, os fujimoristas têm um plano B. Caso o Tribunal Eleitoral recuse-se a registrar a candidatura, a Aliança Pelo Futuro planeja inscrever a congressista Martha Chávez, o irmão mais novo de Fujimori, Santiago, e Jaime Yoshiyama, ex-Ministro de Minas e Energia.

Também na sexta, a Corte Suprema de Justiça do Chile decidiu pela detenção por tempo indeterminado de Alberto Fujimori, enquanto ela estuda o pedido de extradição apresentado por uma delegação peruana encabeçada pelo Promotor Alberto Maldonado.

Organizações defensoras dos direitos humanos como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch (HRW) pediram ao Chile para extraditar o quanto antes o ex-Presidente peruano. José Miguel Vivanco, diretor da HRW para a América, declarou em 21 de dezembro: " Não estamos discutindo aqui se Fujimori é culpado, segundo o que nós pesquisamos. O que estamos propondo é que ele deve prestar contas e portanto dever ser enviado de volta ao Peru. Por isso cremos que há suficientes elementos para justificar sua extradição e sua possível acusação penal".

Panorama eleitoral

Lourdes Flores Nano, favorita nas pesquisas.

As pesquisas de intenção de voto para as eleições de abril no Peru são encabeçadas pela ex-congressista Lourdes Flores Nano, da conservadora aliança eleitoral Unidad nacional ("Unidade Nacional") e pelo militar aposentado Ollanta Humala, que goza da simpatia de outros líderes reginonais, entre eles Hugo Chávez e Evo Morales. As pesquisas recentes não incluíram o ex-Presidente Alberto Fujimori, contudo uma agência de pesquisas afirmou em novembro passado que Fujimori tinha o apoio de cerca de 17% dos eleitores, segundo informou a agência Reuters.

Fujimori governou o Peru durante 10 anos, entre 1990 e 2000, ano em que foi destituído no meio do maior escândalo de corrupção na história peruana.

Fujimori também é acusado pela justiça de ter cometido crimes de lesa humanidade durante seu mandato, entre eles o assassinato e o desaparecimento de 25 pessoas, entre as quais um menino. Enquanto participava de uma cúpula da APEC em Brunei, Fujimori fugiu para o Japão, país de seus antepassados. No Japão oficializou sua renúncia. O Congresso Nacional peruano o destituiria dias depois. Devido a sua ascendência japonesa, Fujimori obteve a nacionalidade japonesa, facto que impediu que ele fosse extraditado para o Peru, apesar das insistentes solicitações do governo de Lima.

Em dezembro passado, uma facção do grupo guerrilheiro Sendero Luminoso assassinou oito policiais na região de plantação de coca do Alto Huallaga, facto que obrigou o Presidente Alejandro Toledo a declarar estado de emergência durante dois meses. A maioria dos líderes desse grupo subversivo foi capturada durante o mandato de Fujimori.

"Só pelo fato de ter derrotado o terrorismo, Fujimori tem o direito de voltar a ser Presidente", declarou para a agência Reuters a dona de casa sexagenária Gabriela Sánchez, ao mesmo tempo em que outros simpatizantes gritavam palavras de ordem como "Fujimori já vem e ninguém o detém" e portavam cartazes que diziam: "Fujimori sim, terrorismo não" e "Fujimori é símbolo de paz".

Fontes