Morre aos 58 anos, ex-senador, ex-presidente da Petrobras e do PT, José Eduardo Dutra

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José Eduardo Dutra após ser eleito Presidente do Partido dos Trabalhadores (25 de novembro de 2009).
Imagem: Valter Campanato (Agência Brasil/ABr).

Agência Brasil

4 de outubro de 2015

Morreu na madrugada de hoje (4), 58 anos de idade, na cidade de Belo Horizonte (capital de Minas Gerais), o ex-senador e ex-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) e da Petrobras, José Eduardo Dutra. Segundo o boletim médico, ele estava com câncer no melanoma, na qual lutava desde 2010.

Apesar de ter nascido na cidade do Rio de Janeiro, capital homônima, José Eduardo Dutra se mudou para Sergipe após concluir seus estudos. Foi dirigente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), de 1988 a 1990 e presidente do Sindicato dos Mineiros do Estado de Sergipe (Sindimina), de 1989 a 1994, tendo que renunciar à dirigência da CUT.

Deixou a presidência do Sindimina em 1994 para se candidatar ao Senado pelo Estado de Sergipe, que conseguiu se eleger, iniciando a vida política a partir de 1º de fevereiro de 1995, ao lado do deputado do mesmo estado, futuro prefeito e governador Marcelo Déda (que morreu em 2 de dezembro de 2013, por câncer no sistema gastrointestinal) e fez enérgica oposição ao governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003).

Dutra foi presidente da Petrobras (de janeiro de 2003 a julho de 2005) e presidiu a Petrobras Distribuidora (setembro de 2007 a agosto de 2009), no primeiro e segundo governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele deixou o cargo para disputar a presidência do Partido dos Trabalhadores, sendo eleito para o biênio 2010-2012.

Na qualidade de presidente do PT foi coordenador da campanha presidencial vitoriosa de Dilma Rousseff em 2010 junto com o atual ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e com o ex-ministro de Fazenda, Antonio Palocci.

Era primeiro suplente do senador Antônio Carlos Valadares (PSB/SE), eleito em 2010 e empossado em 2011.

Reações

A presidenta Dilma Rousseff lamentou em nota, a morte do ex-senador e ex-presidente do PT, José Eduardo Dutra, afirmou que o país “se despede de um grande brasileiro, o ex-senador, meu amigo e companheiro, José Eduardo Dutra” e “Ao longo de toda sua vida, ele foi uma liderança comprometida com o Brasil e nosso povo”, diz a nota.

A presidenta lembrou que ele também foi presidente do Sindicato dos Mineiros do Estado de Sergipe, dirigente nacional da Central Única dos Trabalhadores e esteve à frente da Petrobras durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de janeiro de 2003 a julho de 2005.

“Tive o privilégio de conviver com José Eduardo. Sua dignidade, inteireza de caráter e seriedade jamais serão esquecidas e são a nossa grande perda. Presto minha solidariedade a toda sua família e amigos”, completou.

O vice-presidente Michel Temer também lamentou a morte de Dutra. “Minha solidariedade à família nesta hora difícil”, disse Temer, por meio de nota.

O Partido dos Trabalhadores (PT) também lamentou a morte do seu ex-presidente do partido.

Controvérsia no envolvimento em Lava Jato

Apesar das notas de pesar e elogios de José Eduardo Dutra por políticos governistas, não significou que ele não tenha alguma acusação. Pelo contrário: ele está entre mais de cem nomes dos suspeitos, (entre antigos e atuais políticos, empresários, lobistas, entre outros) no esquema bilionário de corrupção quando era presidente da Petrobras e da Petrobras Distribuidora. no Governo Lula.

O ex-presidente do Partido Progressista, Pedro Corrêa, réu no processo do Mensalão e preso desde abril deste ano por envolvimento no Petrolão (ou Operação Lava Jato) afirmou em depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público, que José Eduardo Dutra ter conhecimento desse que é maior escândalo de corrupção que se tem na História do Brasil e do mundo.

Em seus depoimentos à PF, na qual Corrêa negocia com o Ministério Público para acordo de delação premiada, em troca da redução de pena, apontou Dutra (então presidente da Petrobrás) como participante de uma reunião realizada no Planalto (em 2003) com Lula, integrantes da cúpula do PP e o então ministro da Casa Civil, José Dirceu (outro réu do Mensalão e preso há dois meses por também no envolvimento do Petrolão).

Em pauta, a nomeação de Paulo Roberto Costa para a diretoria de Abastecimento da Petrobras. Pedro Corrêa, José Janene (morto em 2010) e o então deputado Pedro Henry (outro réu do Mensalão e preso há dois anos), então líder do PP, defendiam a nomeação. Dutra, pressionado pelo PT, que também queria o cargo, resistia, sob a alegação de que não era tradição no órgão substituir um diretor com tão pouco tempo de casa.

Lula, segundo Pedro Corrêa, interveio em nome de Paulo Roberto Costa, mais tarde tratado pelo petista como o amigo "Paulinho":

Dutra, tradição por tradição, nem você poderia ser presidente da Petrobras, nem eu deveria ser presidente da República. É para nomear o Paulo Roberto. Tá decidido.

disse o então presidente Lula, de acordo com o relato do ex-deputado Corrêa.

Em seguida, Lula ameaçou demitir toda a diretoria da Petrobras, incluindo Dutra, caso a ordem não fosse cumprida. A diretoria cumpriu ordem e permitiu que Costa assumisse o cargo, que segundo Corrêa, ressalta que os envolvidos tinham consciência de que o objetivo era instalar na estatal operadores para arrecadar dinheiro e fazer caixa de campanha com fins ilícitos.

O depoimento de Pedro Corrêa revela que Paulo Roberto Costa nunca fora indicado pelo PP, como se pensava no início, já que só assumiu o cargo graças ao empenho do presidente Lula com a conivência de Dutra. Com isso, esta indicação de Costa e a manutenção da diretoria na qual Lula ameaçou demitir desfalcou pelo menos 19 bilhões dos 88 bilhões de reais dos cofres da Petrobras.

Mesmo assim, continuou a funcionar por 11 anos, incluindo a campanha e o mandato de Dilma Rousseff (na época, Dutra foi coordenador da corrida presidencial de 2010). Com isso, José Eduardo Dutra perdeu a chance de falar ou negar, se não tivesse morrido de câncer. Dois dias antes da sua morte (2/10) o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, havia autorizado que a Polícia Federal, convocasse em inquéritos para ouvir no caso Lava Jato.

Fontes

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