Lula diz que crise imobiliária americana é única coisa que preocupa economia brasileira

Origem: Wikinotícias, a fonte de notícias livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Presidente Lula discursa durante visita ao novo prédio do Instituto Materno-Infantil. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

28 de março de 2008

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira (27) a empresários mexicanos que "uma única coisa" que preocupa a economia brasileira, hoje, é a crise imobiliária norte-americana.

"Essa crise americana pode não ser tão grande como a gente imagina, mas pode ser maior do que a gente imagina", disse o presidente em discurso na abertura do Fórum Brasil-México, em Recife. “Estamos de olho para que o Brasil e os países que estão crescendo na América Latina não sejam vítimas da crise americana", completou.

Lula revelou que ligou duas vezes para o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, para falar de sua preocupação. "Liguei para ele para falar: 'Bush, é o seguinte meu filho, o Brasil está há 26 anos sem crescer. Agora que a gente está crescendo vocês vêm atrapalhar", relatou, provocando risos na platéia, composta por nomes como o megaempresário Ricardo Salinas, a terceira maior fortuna do México.

Em tom de ironia, Lula disse ainda que o Brasil tem know-how em programas para ajudar bancos em dificuldade financeira e citou o Proer, antigo programa de socorro aos bancos quebrados, criado em 1995. "Se ele [Bush] quiser, pode vir ao Brasil e tem gente que pode ensinar, eu não vou ensinar. Mas tem gente que pode ensinar como é que se salva um banco", disse Lula se referindo ao programa lançado pelo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Ao reiterar que o governo federal está de olho na crise norte-americana, Lula defendeu a diversificação de parcerias comerciais como estratégia para reduzir a dependência de poucos mercados.

Os Estados Unidos estão entre os principais compradores e fornecedores do Brasil. Em 2007, o intercâmbio comercial atingiu a cifra recorde de US$ 43,78 bilhões. Apesar de um superávit brasileiro de US$ 6,34 bilhões com os Estados Unidos, as importações brasileiras cresceram 27,73% em relação a 2006, alcançando US$ 18,72 bilhões, 15,52% do total de compras feitas pelo Brasil no mundo todo. Já as exportações brasileiras para os Estados Unidos tiveram alta de apenas 2,20%, totalizando US$ 25,06 bilhões (15,6% do total de vendas brasileiras ao exterior).


Fontes