Lula apóia proposta de Chávez de discutir segurança alimentar na América do Sul

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Agência Brasil

1 de julho de 2008

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (1) que a proposta do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de criar um grupo de alto nível para discutir segurança alimentar no Mercosul, deve ser acatada e incluída no documento final da Reunião de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, realizada em San Miguel de Tucumán, na Argentina.

“Esse grupo vai permitir que possamos discutir no âmbito do Mersocul e na Unasul fazer uma discussão sobre as necessidades alimentares de cada país e também sobre a crise de alimentos, que ainda não está muito explicitada”, disse o presidente.

Lula afirmou que a crise mundial de alimentos deve ser encarada pelos países da América do Sul como um desafio para que produzam mais. “Devemos encarar os alimentos e a inflação como um desafio. Temos potencial e conhecimento para isso”, afirmou.

Uma ampla discussão sobre o tema alimentos foi proposta pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner, no discurso de abertura da reunião.

Lula falou também sobre o crescente aumento do preço do petróleo e afirmou que é preciso discutir com a comunidade mundial o consumo sem reposição dos estoques reguladores de alimentos e o mercado futuro desse produto, além do estoque de petróleo que geram especulação nos preços. “Isso tem que ser investigado”, afirmou Lula, ao relatar aos participantes da cúpula que o mercado futuro de petróleo tem estoques que dariam para abastecer o consumo da China.

Lula disse que não tinha a intenção de participar da reunião do G 8, grupo dos sete países mais ricos do mundo mais a Rússia, mas decidiu ir ao encontro na tentativa de propor essas discussões. “Se não começarmos a discutir essas coisas eles [os países ricos] vão jogar, por todos os discursos que estamos vendo, a crise da inflação e do alimento nas costas dos países pobres”. O resultado, segundo Lula, seria a interferência de organismos internacionais propondo fortes ajustes fiscais, que geram recessão e desemprego.

O presidente relatou que esperava que esses temas fossem tratados na cúpula, que reuniu chefes de estado da América Latina e da União Européia, em maio, em Lima, Peru. No entanto, ele queixou-se que os latinos americanos não tiveram espaço e o papel de oradores ficou restrito aos governantes europeus.

Durante o discurso, Lula fez uma defesa dos biocombustíveis, acusados de contribuírem para a escassez de alimentos. “Se alguém me convencer de que o biocombustível vai causar fome no mundo, não trocarei meu estômago por um tanque de combustível”, disse o presidente.

Lula disse, ainda, que o Brasil tem interesse na Rodada Doha como fator disciplinador do comércio internacional, mas ressaltou que é preciso ter sempre em mente a defesa do Mercosul. “Essa tem que ser nossa prioridade”, afirmou Lula.


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