Líbano enfrenta crise humanitária segundo funcionário das Nações Unidas

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24 de julho de 2006

Jan Egeland, funcionário das Nações Unidas responsável pelo programa de assistência às vítimas, visitou Beirute e disse que uma "crise humanitária assola o país".

Egeland permaneceu 48 horas no Líbano para estudar a forma de ajudar as pessoas que estão se mudando ou que ficaram presas em meio ao fogo cruzado.

Ele visitou Haret Hreik, um bairro densamente povoado de Beirute onde fica o quartel-general do Hizbolla, horas depois de a localidade ter sido bombardeada por Israel. Egeland chamou a destruição de "horrípilante" e criticou duramente Israel pelo bombardeio: "Eu diria que parece que houve um excessivo uso da força numa área com tantos civis... Isto torna-a uma violação da lei humanitária".

Ele acrescentou que uma crise humanitária assola o Líbano, e mais de quinhentos mil pessoas estão diretamente afetadas. Ele disse que os feridos são incapazes de conseguir tratamento, que nenhuma água potável está disponível e que dezenas de milhares de civis foram pegos no fogo cruzado entre as Forças de Defesa Israelenses e militantes do Hizbollah, principalmente no sul do Líbano.

O funcionário das Nações Unidas disse que espera que o número de pessoas que abandonam suas casas aumente "dramaticamente" tendo em vista que Israel recomendou a população do sul do Líbano para deixar a área, por causa das chances de haver uma nova operação militar por lá.

Egeland falou a repórteres dos planos para ajudar o Líbano. Ele disse que as provisões das Nações Unidas para a ajuda humanitária podem chegar dentro de poucos dias, mas que é necessário garantir um acesso seguro. Ele disse que "por enquanto, Israel não nos está dando o acesso."

As Nações Unidas e outras organizações de assistência pediram a abertura de corredores de ajuda humanitária. Israel disse que abriu um corredor de cerca 80 quilômetros de comprimento e 8 quilômetros de largura para a passagem segura até Beirute de barcos e aviões de ajuda.

Ao delinear os planos de uma ação de emergência, Jan Egeland pediu um fim à violência para facilitar o esforço de ajuda. Egeland também fez o apelo para uma doação de 150 milhões de dólares, quantia esta que seria usada no financiamento da ajuda humanitária no Líbano.

Segundo o General Udi Adam das Forças de Defesa de Israel que atuam ao sul do Líbano, Israel ainda não está preparada para um cessar-fogo. Ele disse para um canal de TV israelense que isto poderá levar algum tempo.

Informes sobre o saldo da guerra

Autoridades libanesas dizem que até agora morreram 360 pessoas no Líbano, incluindo civis e crianças.

Segundo o jornal libanês Diário Estrela, o número de pessoas obrigadas a se mudar passou de 900 mil na sexta-feira, sendo que há perto de 40 mil refugiados em Beirute. Outras estimativas colocam o número de refugiados entre quinhentos mil e um milhão.

Em várias cidades, há pouco estoque de comida, remédios e combustível, e as autoridades municipais dizem que são incapazes de atender a população. Foi solicitado o envio urgente de produtos alimentares como: leite, arroz, carne e açúcar; e de fraldas e instrumentos de cozinha; remédios como: insulina, analgésicos, antibióticos, e cloro para limpar a água; luvas esterilizadas; refrigeradores para guardar os remédios; tendas; geradores elétricos de 5, 10, 20 e 30 kva; cobertores e outras necessidades.

Israel alega que não está atacando civis e diz que a culpa é do Hizbollah que mantém suas operações dentro de áreas civis. O governo israelense diz que os militares tentam ser precisos ao máximo nas suas operações. Disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores israelense Mark Regev: "A população libanesa não é nossa inimiga. Mas não podemos ficar à toa enquanto os terroristas do Hizbollah lançam foguetes contra nossas nossas vilas e cidades."

Israel pediu para que a população restante que vive no sul do Líbano parta, e filas de pessoas, algumas a carregar bandeiras brancas, começam a ir embora.

Fontes de Israel informam que cerca de 40 israelenses já morreram. Milhares de israelense vivem em abrigos contra bomba desde que a luta começou. Um terço de todos os residentes do norte de Israel deixou a área para evitar os bombardeios.

Fontes